Lixo volta a acumular

Apesar das promessas feitas por dirigentes da Comurg e pelo prefeito, o serviço de recolhimento de lixo continua com problemas sérios

Lixo se acumula em vários pontos de vários bairros da capital goianiense: Prefeitura está imobilizada | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Iluminação pública, serviço básico de saúde e de educação, transporte coletivo e serviço de recolhimento de lixo são algumas das mais elementares tarefas dos governos municipais. Há outras, como a pavimentação, reparo e preservação das ruas, além da manutenção de praças. Pois em Goiânia nenhuma dessas áreas tem funcionado bem. A Prefei­tura não consegue estabelecer um pla­no de trabalho rotineiro, sem percalços. A razão, como é fácil supor, está na pouca capacidade financeira da ad­ministração. Todos os serviços custam dinheiro. Um bom dinheiro, diga-se.

Pelo que se ouve nas entrevistas concedidas pelos responsáveis por essas áreas, o goianiense vai ter que conviver com essas dificuldades por muito tempo ainda. Parte do problema, segundo os atuais governantes, é herança do governo anterior. Faz sentido. As coisas já não fluíam como deveriam fluir há vários anos. Mas também existe questões pontuais, e atuais, que não se resolvem para debelar a crise financeira. A máquina administrativa de Goiânia é insuportavelmente pesada, e nada até aqui foi feito para cortar o seu tamanho.

Sem saída

Se a Prefeitura não parece apresentar a mínima disposição para diminuir secretarias e demais órgãos perfeitamente passíveis de serem cortados sem que isso afete dramaticamente o dia a dia da administração, resta torcer pela superação da crise econômica, que está a caminho, e esperar pela elevação natural da arrecadação, principalmente via participação no ICMS. Outra fonte seria o IPTU/ITU, mas qualquer aumento nas tarifas, além de resvalar num possível recrudescimento da inadimplência, que sempre foi elevada, é mexer num vespeiro de respeito, na Câmara dos Vereadores. Nem mesmo a base do prefeito está disposta a enfrentar a ira da população sempre que o assunto é ventilado.

Sem mais impostos, restaria a promoção de uma drástica reforma administrativa. E isso geraria igualmente um problemaço para a Prefeitura. Com uma base que não é confortável do ponto de vista numérico, e que também não prima pela fidelidade, diminuir número de secretarias e cargos de segundo escalão é reduzir na mesma proporção a capacidade de negociação na Câmara Municipal.

Experiente, o prefeito Iris Rezende sabe o que precisaria ser feito para tirar as finanças do vermelho e melhorar o desempenho da Prefeitura nos serviços básicos que são de sua competência. Falta a ele, porém, condições para colocar qualquer medida mais radical em andamento. No máximo, o que ele consegue é adiar algumas coisas, como aumento de salários para os servidores. Ele já avisou que só aceita discutir isso a partir de 2018. Antes não tem como.

Mergulhado em todos esses impasses, e sem conseguir encontrar solução, o prefeito pelo menos parou de falar em prazos para normalização da cidade como um todo. Fez ele muito bem. Em janeiro, ele dizia que em dois meses a situação estaria controlada. Em março, adiou para maio. Depois chegou a falar em final de junho. Daí em diante deixou de datar uma solução que não veio nem virá tão cedo.

Talvez por isso, em comparação com outras administrações lideradas por ele, o governo municipal atual parece triste e sem ação. O prefeito é, sem nenhuma dúvida, um político extremamente carismático, e suas administrações refletiam exatamente esse clima. O otimismo era uma marca permanente. Eram. Numa comparação rigorosa com ele próprio, o Iris de agora não guarda semelhanças com o Iris de 2005 a abril de 2010, por exemplo. O prefeito está muito mais contido, menos expansivo, e provavelmente um pouco abatido. É duro para ele querer fazer e não encontrar os meios para realizar.

É verdade que também faltam pensadores em seu governo atual. Sem formular, a administração parece viver um dia a dia apenas político, sem planejamento estratégico. Do antigo time que ele comandava restou o secretário Paulo Ortegal. Ele precisaria de pelo menos mais uns três auxiliares desse nível para levar o seu governo a pensar fora da bolha das dificuldades. Iris precisa encontrar esses técnicos de alguma maneira, e terá que fazer isso fora do PMDB. O partido atualmente pensa muito mais politicamente do que administrativamente. E isso é tudo o que Iris menos precisa.

Iris sabia, desde a campanha eleitoral do ano passado, que não seria fácil, mas talvez ele não imaginasse nem de longe que seria tão difícil e complicado

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