José Eliton se apresenta para oposição

Na reabertura dos trabalhos legislativos, vice-governador sai da defesa e parte para o ataque contra oposicionistas dando o tom para 2018

Governador em exercício José Eliton: discurso em tom alto para contestar a oposição | Foto: Y. Maeda

Governador em exercício José Eliton: discurso em tom alto para contestar a oposição | Foto: Y. Maeda

Afonso Lopes

A sucessão estadual ainda está distante. O governador Marconi Perillo somente agora completou 1/4 de seu mandato. Portanto, restam ainda ou­tros 3/4 de tempo. Na visão do ca­len­dário, digamos, civil, realmente três anos não são três semanas. No calendário político, o tempo passa muito mais rápido. Neste momento, por exemplo, já se estão montando as primeiras estratégias para 2018. E é nesse sentido que o vice-governador José Eliton foi à Assembleia Le­gislativa na reabertura dos trabalhos, no dia 15, e encarou o discurso oposicionista.

Pode-se acusar o governo de trabalhar de forma extemporânea? Claro que não. A oposição, na Assembleia ou fora dela, faz exatamente a mesma coisa, seja criando movimentos que dificultem a ação governamental na Educação, como a reação contra a implantação de novo modelo de gestão de escolas, seja nos discursos dos deputados opositores. A meta é desgastar o governo agora para melhorar as perspectivas para a eleição de 2018.

De uma forma geral, os opositores na Assembleia Legislativa não conseguem criar muitos e sérios problemas para a esmagadora maioria governista. Mas como a bancada é constituída por políticos experimentados nos embates e experientes na ação, inúmeras vezes eles conseguem gerar fatos e factóides barulhentos e com boa repercussão fora do ambiente legislativo. Na reabertura dos trabalhos, foi algo assim que se percebeu.

O deputado José Nelto, líder da bancada do PMDB, um dos grandes recordistas de mandatos legislativos — inicialmente como vereador em Goiânia e depois como deputado estadual — no Estado, entoou um discurso em tom agressivo, de cobrança quase sem limites. Cumpriu o papel dele, apesar de um ou outro ponto ter atravessado a nota. É quase certo que, na falta de um contraponto à altura, certamente as questões político-administrativas apontadas por Nelto ganhariam as manchetes do noticiário político.

Foi aí que apareceu o vice-governador José Eliton com um discurso ainda mais enfático na defesa da administração e contra o que ele classificou como “mentiras da oposição”. A oposição mente sobre as situações que cita? Não necessariamente. É claro que força nas cores, o que é absolutamente natural. O governo faz a mesma coisa ao realçar seus feitos. Isso significa que Eliton deu um tom nitidamente político para seu discurso.

Mas porque o vice-governador entrou na “guerra” tão precocemente? A razão é muito simples: dentro da base aliada estadual, e cada vez mais, tem se a clara impressão de que a ele caberá o papel principal de comandante do exército governista naquela que se espera difícil disputa de 2018. Ao chamar a briga para o seu território político pessoal, José Eliton atinge dois objetivos simultaneamente. Em primeiro lugar, desvia o foco da oposição em relação à administração, que tem passado por dificuldades financeiras resultantes da brutal recessão que restringe a atividade econômica e, com isso, diminui a capacidade de geração de receitas através de impostos. Na outra ponta, Eliton demonstra com esse enfrentamento que é um político novato, mas que tem escopo e estirpe suficientes para ocupar o posto em que foi alçado e, mais do que isso, tem condições de encarar as intempéries da eleição sucessória de 2018.

Esse tipo de ação política, de chamar a responsabilidade para o embate, sempre repercute internamente de forma positiva. Para se ter uma ideia melhor e mais aproximada do efeito que isso tem, inclusive no campo administrativo, basta observar e comparar politicamente os governos da presidente Dilma e de Marconi. Enquanto o governo federal não pode contar plenamente com o seu vice-presidente para encarar a oposição, Marconi tem em Eliton um escudeiro de primeira hora, como se viu na semana passada na Assembleia Legislativa. Na questão meramente sucessória, as atuações de Michel Temer e José Eliton igualmente são exemplares em suas diferenças. O primeiro tenta se viabilizar como candidato fora da órbita palaciana. O segundo integra essa órbita, e é nela que está seu grande trunfo.

É óbvio que, embora o calendário político já se avizinhe a 2018, ainda falta um bom espaço de tempo até lá. Isso significa que José Eliton não está garantido e pré-escalado como candidato a sucessor de Marconi no governo estadual. O que se percebe é que ele está, sim, se escalando, e por enquanto é o único com disposição para fazer isso, inclusive no enfrentamento imediato dos opositores.

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