Goiás pode se tornar referência na geração de energia solar

Após venda da Celg, governo estadual lança programa de estímulo à produção de energia fotovoltaica

Governador Marconi Perillo e secretário Vilmar Rocha: “Estímulo à produção de energia solar fotovoltaica no Estado”

Cezar Santos

A venda da usina de Cachoeira Dourada, na década de 1990, tirou da estatal Celg a chamada “galinha dos ovos de ouro”. Mesmo porque o 1 bilhão de dólares que o governo do Estado recebeu foram pulverizados em gastos com obras irrelevantes e no custeio da máquina administrativa do Estado, pagamento de diárias a servidores e coisas assim.

Como se não bastasse, o então governador Maguito Vilela firmou com a empresa chilena Endesa, compradora de Cachoeira Dourada, um contrato que especialistas sempre tiveram como lesivo aos interesses de Goiás, e a Celg passou a comprar energia elétrica a preços até três maiores que os de mercado.

A venda de Cachoeira Dourada foi um dos motivos – talvez o mais forte — que inviabilizaram a Celg como empresa economicamente forte. O resultado mais evidente — e danoso — dessa situação foi a deterioração no fornecimento de energia elétrica no Estado, a ponto de prejudicar o desenvolvimento econômico, impossibilitando a instalação de novos empreendimentos e a expansão de muitos já em funcionamento no território goiano.

No ano passado, 18 anos depois da venda da usina, a estatal goiana de energia elétrica foi finalmente privatizada, adquirida pela empresa italiana Enel Brasil, pelo valor de R$ 2,187 bilhões. Lembrando que a Celg já tinha sido federalizada em 2015, quando o controle acionário passara oficialmente para a Eletrobrás, sócia majoritária, com 51% das ações, ficando o governo estadual com os restantes 49%.

Feito esse rápido preâmbulo histórico, até para situar a questão energética em Goiás, uma indagação pode e deve ser feita: depois de tudo isso, a população goiana não corre o risco de ficar prejudicada em ter em suas casas, nas suas indústrias e demais projetos empresariais, energia boa e a preço justo?

Titular da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Cidades, Infraestrutura e Assuntos Metropolitanos (Secima), Vilmar Rocha afirma que, no que depender do governo estadual, providências para que os goianos tenham boa oferta de energia estão sendo tomadas. Mais que isso, segundo o secretário, Goiás poderá ter em breve energia em abundância, uma vez que não dependerá tão apenas desse insumo gerado nas hidrelétricas.

Vilmar Rocha informa que, na quinta-feira desta semana, dia 16, será lançado o Programa Goiás Solar. Ele ressalta o aspecto econômico da iniciativa. E destaca a importância desse esforço do governo de Goiás, por meio da Secima, na adoção de medidas para o desenvolvimento do setor de energia solar fotovoltaica — produzida a partir da radiação solar natural, sendo uma das fontes de energia mais acessíveis e limpas –, considerando os recursos naturais estratégicos para o crescimento da economia goiana e o potencial de geração de novos empregos diretos locais e de qualidade e a possibilidade de incentivo a essa cadeia produtiva.

A proposta, explica Vilmar, é estender o programa para todas as regiões do Estado, especialmente àquelas de mais baixo acesso à energia elétrica, com oportunidade de crescimento e desenvolvimento local. Segundo o secretário, será dada atenção às questões tributárias, de financiamento, infraestrutura, desburocratização, desenvolvimento da cadeia produtiva, educação e comunicação, alinhamento entre política de Estado e municípios. “O programa atende aos interesses dos segmentos públicos, privado, universidade e sociedade com foco em energias sustentáveis”, afirma.

Usina

O Programa Goiás Solar amplia a ação do governo estadual na área de energia fotovoltaica. No mês passado, o governo já havia anunciado que a Celg Geração e Transmissão (Celg G&T) constituiu uma Sociedade com Propósito Específico (SPE), em associação com a empresa privada Construtora Villela Carvalho, para a construção de uma usina fotovoltaica na subestação Planalto, localizada em Morrinhos. Pelo anunciado, a gestão da usina ficará sob a responsabilidade da Planalto Solar Park, que detêm 51% das ações.

A empresa japonesa Kyocera Brasil será a fornecedora das placas para a produção da energia solar enquanto a Celg G&T – cuja participação acionária será de 49% – ficará responsável pelo financiamento do empreendimento. A SPE espera investir R$ 35 milhões na construção da usina e prevê término das obras dentro de seis meses.

Com a iniciativa, o Estado de Goiás se coloca mais uma vez pioneiro na execução de projetos inovadores, dessa vez na geração de energia renovável. A unidade a ser construída em Morrinhos será a primeira das seis usinas previstas para serem construídas em Goiás em 2017.

A energia fotovoltaica é produzida a partir da radiação solar natural, sendo uma das fontes de energia mais acessíveis e limpas. A radiação é captada durante o dia em painéis fotovoltaicos, gerando eletricidade. Um aparelho chamado inversor converte essa energia gerada para o padrão de consumo. A energia gerada é consumida diretamente pelos equipamentos em funcionamento na residência/empresa.

A construção desse sistema de produção de energia poderá reduzir a necessidade do uso de usinas termelétricas, que são mais caras e mais poluentes, durante a época com alto consumo de energia que coincide com o período de estiagem e as hidroelétricas reduzem a produção.

Programa Goiás Solar

O QUE É

Consiste na adoção de medidas para o desenvolvimento do setor de energia solar fotovoltaica, considerando os recursos naturais estratégicos para o crescimento da economia goiana e o potencial de geração de novos empregos diretos locais e de qualidade e a possibilidade de incentivo a essa cadeia produtiva.

Propõe estender o programa para todas as regiões do Estado, especialmente àquelas de mais baixo acesso à energia elétrica, com oportunidade de crescimento e desenvolvimento local. Prevê atenção às questões tributárias, de financiamento, infraestrutura, desburocratização, desenvolvimento da cadeia produtiva, educação e comunicação, alinhamento entre política de estado e municípios. Atende aos interesses dos segmentos públicos, privado, universidade e sociedade com foco em energias sustentáveis.

OBJETIVO GERAL:

Busca resolver a questão emergente da produção e utilização de energia sustentável no Estado de Goiás, viabilizando a atração e o fomento de empreendimentos de geração centralizada e distribuída, assim como, estimular iniciativas disseminadoras do uso eficiente de energia solar em atendimento ao modelo de complementaridade às demais fontes que compõe a matriz energética do estado de Goiás.

I – aumentar a segurança energética e a diversificação renovável da matriz elétrica do Estado;

II – incentivar a autoprodução de energia elétrica por pessoas físicas e jurídicas, por meio de sistemas de microgeração e minigeração distribuída a partir de fonte solar fotovoltaica;

III – estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva e do mercado de energia solar fotovoltaica no Estado;

IV – fomentar a formação e capacitação de recursos humanos para atuar em todas as etapas da cadeia produtiva de energia solar fotovoltaica;

V – estimular o estabelecimento de empresas e à geração de novos empregos locais e de qualidade;

VI – estimular o estabelecimento de usinas solares fotovoltaicas nas regiões de maior potencial de geração;

VII – ampliar a sustentabilidade ambiental e a redução das emissões de gases de efeito estufa promovendo a geração de energia solar fotovoltaica em complementaridade na matriz energética.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

Promover o crescimento da capacidade instalada, para geração centralizada e distribuída de energia solar;

Reduzir a carga tributária;

Articular a oferta de linhas de financiamento com prazos e juros competitivos;

Simplificar o processo de licenciamento;

Interceder junto às concessionárias para a simplificação e agilidade dos processos de habilitação dos empreendimentos;

Fortalecer a cadeia produtiva do setor de energia solar fotovoltaica;

viabilizar o acesso a suprimento de energia para consumidores em geral, melhorando a qualidade e acesso as linhas de transmissão, a eficiência e a competitividade.

Estimular a criação e desenvolvimento de empresas inovadoras, sobretudo, nas áreas de energias alternativas e eficiência energética.

BENEFICIÁRIOS DIRETOS

– Empresas de geração centralizada e distribuída
– Empresas prestadoras de serviços
– Consumidores
– Trabalhadores

EIXOS ESTRUTURANTES – Política Estadual de Gestão das Energias Sustentáveis

1º Eixo – Redução da carga tributária
2º Eixo – Financiamento
3º Eixo – Infraestrutura
4º Eixo – Desburocratização
5º Eixo – Fortalecimento da cadeia produtiva
6º Eixo – Educação e comunicação
7º – Parceria com municípios e entidades

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WALDEREZ DA SILVA MATOS

Muito bom esse projeto, vamos torcer para acontecer realmente na prática.

adail jhonny alves de oliveira

ola gostaria de saber se a construção desta usina solar vai ser feita por terceirizadas ou pela própria G&T como entro em contato com eles