Frente de Iris e Waldir pode forçar base aliada a acordão

Candidatura de apenas um nome começa a ser admitida para dar competitividade e possibilitar ida ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Goiânia

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Cezar Santos

Ok, os nomes são bons, têm bons discursos e comprovadamente possuem currículo, experiência e capacidade para serem ótimos prefeitos de Goiânia. Quem há de negar essas qualidades aos quatro pré-candidatos da base aliada que dá sustentação ao governador tucano Marconi Perillo: Vanderlan Cardoso (PSB), Luiz Bittencourt (PTB), Giuseppe Vecci (PSDB) e Francisco Júnior (PSD). Mas, se nenhum deles conseguir ir ao segundo turno, a possibilidade de ganhar o Paço Municipal acaba antes mesmo de começar de fato.

E esse cenário desolador ficou desenhado com as duas pesquisas divulgadas no início do mês, a do Instituto Paraná e a do Serpes. Em ambas, Iris Rezende, do PMDB, e Waldir Soares, do PR, lideram. E não é uma liderança apertada, pelo contrário. Os números já foram por demais divulgados e analisados, mas vale relembrá-los na pesquisa estimulada.

O levantamento do Instituto Pa­raná (registro no Tribunal Su­pe­rior Eleitoral sob o nº GO-01495/2016): Iris Rezende e Waldir Soares aparecem empatados, com 27,4%. Em terceiro lugar, Vanderlan Car­doso, com 12,5%. Em seguida, A­driana Accorsi (PT), com 9,4%; Luiz Bittencourt, 1,7%; Francisco Jú­nior, 1,4%; e Giuseppe Vecci, 1,4%. Os demais nomes, os chamados nanicos, com menos de 1%: Djalma Araújo (Rede), Alexandre Magalhães (PSDC) e Flávio Sofiati (PSol).

Os números do Serpes (registro no TSE sob número GO-02151): Iris Rezende e Waldir Soares em em­pate técnico — o peemedebista tem 24,8% e o deputado federal tem 22,4%. Em terceiro, Vanderlan Cardoso, com 11%. Na sequência, Adriana Accorsi (PT), com 6,4%; Giuseppe Vecci, com 3%; Francisco Júnior, 2,4%; e Luiz Bittencourt, 1,8%. Os nanicos com menos de 1%.

Pesquisas com tamanha antecedência medem mais, primeiramente, o grau de conhecimento do eleitor em relação ao provável candidato, e, depois, o nível de desconexão com a política. Não afere preferências consolidadas. Foi o que aconteceu. Em ambos os levantamentos, 65% dos eleitores não têm o voto definido por nenhum candidato.

Mas esse texto não é uma análise das pesquisas, o que já foi feito à exaustão nos últimos dias. Todo esse preâmbulo serve para destacar que os números mostram um fato insofismável: os pré-candidatos da base aliada governista têm sim motivo para preocupação. Mesmo Vanderlan Cardoso, consolidado na terceira posição nos dois levantamentos, tem menos da metade que os dois dianteiros detêm individualmente.

Para Giuseppe Vecci, Luiz Bit­ten­court e Francisco Júnior a situação é ainda mais dramática. So­ma­dos, eles não chegam a dois dígitos — na Paraná, somam 4,5%; no Ser­pes, 7,2%. Eles têm menos que A­dri­ana Accorsi na pesquisa Paraná e mais que ela no Serpes, mas em si­tu­a­ção de empate técnico. É pouco, muito pouco, mesmo considerando que o eleitor está desanimado com a política por causa dos sucessivos escândalos em tempo de Lava Jato, e coisas assim, e que todos têm condições de crescer.

E está claro que a fragmentação de votos entre quatro nomes não ajuda nada a base aliada. É uma questão matemática. Nesse quadro, fica uma indagação: o mais racional, o mais inteligente mesmo, seria a união em torno de apenas um nome?

A pergunta foi feita a alguns dos envolvidos na pré-campanha e tacitamente a resposta é afirmativa. Sim, um nome que unisse a base, lançado com o apoio do governador Marconi Perillo, teria mais chances. Mas, qual o nome?

Pela matemática fria, Vanderlan Cardoso é o mais viável. Por estar mais próximo — melhor seria dizer menos longe — dos líderes Iris e Waldir, portanto, mais apto a tirar um deles do segundo turno e ocupar o lugar na disputa direta contra o outro. Pesa contra Vanderlan a pouca densidade do PSB e sua candidatura solo está praticamente carimbada para um terceiro lugar. Isso pode ser um fator de convencimento para que ele adira a uma composição. Não é à toa que todo mundo considera Vanderlan o melhor vice.

Mas a avaliação é que tanto o ex-prefeito de Senador Canedo quando os outros pré-candidatos da base aliada reúnem condições, desde que alavancado pela união de esforços. Dessa forma, todos têm possibilidades. E aí volta a questão: quem abriria mão em favor do outro?

Oficialmente, os pré-candidatos não ad­mi­tem recuou nas próprias pretensões. É na­tu­ral, mesmo porque está cedo para recuos. Mas a conversa para um acordo já não é tão fora de propósito. Francisco Júnior, por exemplo, na quinta-feira, 9, disse que se for espelhar a base de sustentação do governador Marconi em Goiânia, então esta conversa precisa ser iniciada logo. É preciso, disse, estabelecer projetos, propostas. Mas observou que não está vendo isso acontecer nesse momento.

Por isso, o pré-candidato do PSD afirma que não acredita numa convergência da base aliada e acha que ela vai mesmo com um grande número de candidaturas. Francisco dá como explicação o fato de a coligação em Goiânia ser diferente de ou­tras regiões do Estado. E tratou de puxar a brasa para sua fogueira, como se diz popularmente, afirmando que, independentemente de qualquer fator, seu trabalho tem ganhado força a cada dia e ele não vê possibilidade de recuar na sua candidatura.

O ex-deputado Luiz Bittencourt lembrou que já houve a tentativa de unir a base mais de uma vez e que não deu certo. Ele disse que não vê hipótese de o acordo avançar até julho, embora não descarte a retomada das conversações. Mas, talvez diante dos minguadíssimos índices de três — ele mesmo, Francisco Júnior e Giuseppe Vecci — dos quatro pré-candidatos da base, Bittencourt pergunta: Com base em qual critério?

Há algumas semanas, falar em acordão para afunilar em um único nome da base era impraticável. Mas na semana passada, após a divulgação das duas pesquisas, as conversas já são admitidas nos bastidores. O que se diz é que todos estão conversando com todos. Cada qual busca o apoio do outro para essa composição.

O PSDB de Vecci, por apresentar maior densidade e ter em suas fileiras o principal avalista dessa base, o governador, é o que mais tem se movimentado no rumo da composição. Vecci já conversou mais de uma vez com Vanderlan — e com os outros.

Presidente do PSDB de Goiânia, Rafael Lousa vai além e diz que a união de Vecci, Francisco Júnior e Luiz Bittencourt em única chapa na capital acontecerá até agosto. Isso depende, segundo ele, da decisão de Iris, considerando a hipótese de o decano peemedebista resolver não ser candidato.

A verdade que só a união da base aliada po­de tornar um dos nomes dela competitivo. Mar­queteiros e analistas avaliam que é muito real a possibilidade de Iris Rezende e Waldir So­ares não irem juntos ao segundo turno, por­que o eleitorado deles é o mesmo. O discurso populista de Iris e Waldir atrai segmentos aproximados da população, fora dos extratos mais bem informados da classe média. Esses segmentos podem se dividir e acabar “escanteando” um deles, abrindo brecha para um terceiro nome.

Resta aguardar se a base aliada vai ter juízo e desprendimento para fazer o movimento certo e, nesse caso, discernimento para escolher o melhor nome. l

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