Entorno do DF ganha peso como novo eixo político no Estado

Região que deu diferença esmagadora para Marconi em 2010 e 2014 será ainda mais preponderante na eleição de 2018

Iris Rezende: a pouca presença do PMDB no Entorno ficou ainda menor sem aliados de peso; Marconi Perillo: Entorno do DF tem dado vitórias expressivas ao governador | Fotos: Jornal Opção

Iris Rezende: a pouca presença do PMDB no Entorno ficou ainda menor sem aliados de peso; Marconi Perillo: Entorno do DF tem dado vitórias expressivas ao governador | Fotos: Jornal Opção

Cezar Santos

Um colégio eleitoral com 800 mil votos, capaz de desequilibrar a balança em favor de um candidato ao governo que tenha a preferência do eleitorado local. É assim que a região do Entorno de Brasília está no radar dos potenciais candidatos ao Palácio das Esmeraldas em 2018, que tem nas eleições municipais deste ano um pré-turno.

O desequilíbrio em favor de um candidato naquela região ocorreu nas duas últimas eleições para o governo, em 2010 e 2014, que tiveram resultados parecidos no Entorno do Distrito Federal: a esmagadora vitória do tucano Marconi Perillo sobre seu adversário, Iris Rezende, do PMDB. E no primeiro turno daquelas duas eleições, os outros adversários deles colheram uma insignificância de votos.

Se o tucano foi vencedor na grande maioria dos municípios goianos naqueles pleitos, foi também vitorioso em todas as regiões, no Entorno a diferença se tornou acachapante, e pode-se dizer até que se tornou o diferencial na vitória de Marconi, compensando com sobras a vitória de Iris em Goiânia. O Entorno foi decisivo para Marconi, mas Goiânia não foi decisiva para Iris Rezende.

Para registro: os sufrágios de Anápolis, Itumbiara e Entorno de Brasília deram larga vantagem ao tucano e desequilibram a contagem final em favor dele.

Os índices de votos em algumas das principais cidades da região do Entorno de Brasília em 2014 dão bem um retrato da vantagem do tucano. No maior colégio eleitoral da região, Luziânia: Marconi, 62,22% dos votos; 15,7% de Iris; 10,9% de Antônio Gomide (PT); e 9,9% de Vanderlan Cardoso (PSB).

Em Santo Antônio do Desco­berto: 61,2% para Marconi; 22,5% para Iris; Vanderlan 9,67%; e Gomide 6,22%. Em Águas Lindas, o governador obteve 44,7% contra 23,8% do ex-prefeito de Goiânia. Gomide e Vanderlan tiveram respectivamente 15,6% e 15%.

Em Novo Gama os números foram de 51,45% para Marconi Perillo, 23,27% para Iris, 15,7% para Vanderlan e 8,4% para Gomide. O tucano ganhou também em Formosa, com 37,5% dos votos, enquanto Iris teve 22,1%, Vanderlan ficou 12,5% e Gomide 7,3%. Em Planaltina foram anotados 38,7% dos votos para Marconi, 28% para Iris, 16,7% para Van­der­lan e 15,1% para o petista Gomide.

Mas não é por acaso que no Entorno do DF Marconi Perillo vem dando um banho nos adversários. O tucano voltou os olhos para a região, com ações e obras, desde seu primeiro governo, em 1999. Verdade que a região é carente de muitos serviços e obras, mas praticamente tudo o que tem ali é frutos das administrações marconistas.

O PSDB e partidos aliados vêm se fortalecendo na região, ao contrário do PMDB, que ficou acéfalo no Entorno com a desfiliação do ex-deputado Marcelo Melo, que migrou justamente para o partido do governador. Foi uma perda e tanto para o partido de Iris, uma vez que Marcelo é uma das mais expressivas lideranças da região, é pré-candidato a prefeito de Luziânia com amplas chances de vitória, uma vez que tem o apoio do maior líder político do Entorno, o deputado federal Célio Silveira, ex-prefeito da cidade. Para piorar as coisas para o PMDB, o deputado Ernesto Roller, pré-candidato favoritíssimo a prefeito de Formosa, é uma liderança apenas local e não do Entorno.

Marconi Perillo tem a região como estratégica para fazer seu sucessor, como foi nas suas próprias eleições nos pleitos anteriores. Se o tucano não teve vitórias fáceis, em 2018, quando o PSDB vai completar 20 anos no poder, as coisas ficarão ainda mais difíceis, devido ao desgaste natural do tempo. E como das outras vezes, o Entorno do DF poderá ser o diferencial.
Não é por outra razão que o tucano se preocupa em ter sua base aliada bem posicionada nos municípios da região, com candidatos competitivos na disputa em outubro próximo. O tucano mexe naquele tabuleiro político com cuidado, para não melindrar aliados, já que em um ou outro lugar é natural que os partidos que compõem a base tenham fragmentações.

Ex-prefeita de Valparaíso (hoje secretária estadual da Mulher, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e do Trabalho), a deputada estadual Lêda Borges (PSDB) atesta a prioridade das gestões tucanas com o Entorno. Eleita para a Assembleia em 2014 (com mais de 32 mil votos), a própria nomeação dela para a equipe do tucano foi uma jogada no sentido de fortalecer a base marconista na região.

O objetivo é fortalecer a presença de governistas, inclusive recuperando cidade que caíram nas mãos do PT, como a própria Valparaíso, hoje comandada por Lucimar Nasci­mento, que derrotou Lêda em 2012.

Lêda fala que o trabalho desenvolvido por Marconi Perillo fez do Entorno um novo eixo político em Goiás. Ela ficou com uma missão institucional com secretária de levar ações para todo Estado, mas a região tem sido priorizado. Ela tem também a missão política de acompanhar e cuidar dos municípios, exercendo sua liderança comprovada. Por essa razão, está atenta ao que acontece não só na sua Valparaíso, como também nas outras cidades.

Base governista tem bons pré-candidatos

Célio Silveira: a maior liderança do Entorno de Brasília é do PSDB; Lêda Borges: ex-prefeita de Valparaíso ajudar a cuidar da região; Marcelo Melo: ex-peemedebista foi para o ninho tucano | Fotos: reprodução / Jornal Opção

Célio Silveira: a maior liderança do Entorno de Brasília é do PSDB; Lêda Borges: ex-prefeita de Valparaíso ajudar a cuidar da região; Marcelo Melo: ex-peemedebista foi para o ninho tucano | Fotos: reprodução / Jornal Opção

E como está a situação no Entorno, neste momento em que as pré-candidaturas para prefeito se anunciam, nomes são aventados para mais na frente ocorrer o processo de afunilamento?
“Temos bons nomes no En­torno. Temos buscado em Planaltina um PSDB forte e um PSD também forte. Não falo em nome exatamente, mas o partido está bem estruturado. Em Novo Gama não vi pesquisas, mas a tendência é que lá saiam três candidatos da base”, afirma a secretária tucana Lêda Borges.

Já em Luziânia, como dito, o maior colégio eleitoral da região, ela diz que os dois nomes mais fortes são da base governistas. “O PSDB tem o Marcelo Melo, mas o PSD tem a reeleição do Cristóvão Tor­min. Os dois da base. Por isso, eu acho que estamos bem. Quando vo­cê olha base, vê que tem três em No­vo Gama, tem base em Águas Lindas, em Planaltina e em Luziânia.”

Lêda Borges conta que neste momento em três cidades apenas não há nomes da base mais em evidência. “Valparaíso, Formosa e em Cidade Ocidental. Há uma complicação partidária, mas quando se amplia para base são duas cidades apenas. Até em Cristalina, os bons pré-candidatos são da base.”

Ter bons nomes, ter ações e serviços realizados são trunfos valiosos com que pode contar o governador para se fortalecer na região. Lembrando que esse colégio eleitoral composto por 20 municípios apresenta imensas dificuldades para os candidatos. Em várias locais não chegam os sinais de rádios e TV de Goiás, o que imprime traços peculiares às campanhas. Os candidatos têm de partir para o corpo a corpo, tarefa nada fácil numa área grande e de população espraiada.

As cidades do Entorno:

  • Abadiânia
  • Água Fria de Goiás
  • Águas Lindas de Goiás
  • Alexânia
  • Cabeceiras
  • Cidade Ocidental
  • Cocalzinho de Goiás
  • Corumbá de Goiás
  • Cristalina
  • Formosa
  • Luziânia
  • Mimoso de Goiás
  • Novo Gama
  • Padre Bernardo
  • Pirenópolis
  • Planaltina
  • Santo Antônio do Descoberto
  • Valparaíso de Goiás
  • Vila Boa
  • Vila Propício

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