Eleição na Câmara: veja o que pensam os possíveis candidatos à presidência da Casa

Pleito foi antecipado e está marcado para o dia 4 de dezembro. Vereadores estão divididos em pelo menos dois grupos que disputam o comando

O debate acerca da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia dominou o plenário da Casa nas últimas semanas. O primeiro embate, sobre a data da realização do pleito, dividiu os vereadores.

De um lado, Vinicius Cerqueira (Pros) e um grupo de aproximadamente 21 vereadores que defendiam a antecipação da eleição para a primeira sessão do mês de dezembro e a criação de uma Comissão de Transição entre a atual e a próxima Mesa.

Do outro, Carlin Café (PPS) que defendia o adiamento do pleito para fevereiro de 2019. A justificativa era de que, assim, os suplentes que assumem o lugar dos vereadores eleitos para outros mandatos poderiam participar da escolha.

Vinicius acabou levando a melhor e a eleição esta marcada para o dia 4 de dezembro. A decisão da Casa já foi promulgada pelo presidente Andrey Azeredo (MDB).

Essa primeira disputa acabou expondo os possíveis futuros presidentes da Casa. No bloco que Cerqueira integra, os mais cotados para encabeçar a chapa são: Romário Policarpo (Pros), Rogério Cruz (PRB) e Wellington Peixoto (MDB).

Entre esses, Policarpo teria vantagem já que tem trabalhado e articulado mais que Rogério Cruz. Já Wellington sofre desgaste por conta da ligação de seu pai, Sebastião Peixoto, à gestão Iris Rezende (MDB), além de integrar o mesmo partido do prefeito. Vale lembrar que Peixoto pai é presidente do Instituto Municipal de Assistência aos Servidores (Imas).

Os três, no entanto, defendem uma Casa mais “independente” do Paço. “Hoje, como segundo vice-presidente, acho que é uma oportunidade de colocar meu nome à disposição para a presidência. aguardaremos uma nova reunião para saber como decidiremos a escolha. Mas o primeiro ponto que essa Casa precisa é a independência, trabalhar de uma maneira digna na Mesa Diretora. Ser independente não quer dizer ser situação nem oposição ao Paço”, diz Rogério defende, que defende, ainda, que o prefeito não interfira no processo de escolha do presidente.

Com o mesmo discurso, Policarpo também sugere mais autonomia da Câmara em relação ao Executivo e critica a gestão de Andrey Azeredo, presidente pelos últimos dois anos.

“A Câmara precisa ser independente, o que não quer dizer que [o próximo presidente] precisa ser um opositor ferrenho. Mas algumas matérias foram aprovadas de forma que eu não concordo e acho que a Casa também não concordou com o andamento das coisas que aconteceram nos últimos dois anos”, afirma o parlamentar do Pros. “Algumas atitudes arbitrárias, inclusive sobre os vereadores, como, por exemplo, a questão dos estagiários. Hoje, os vereadores não podem nem escolher os estagiários que estão dentro de seus gabinetes.”

Apesar de contar com apoio da maioria dos vereadores, há quem diga que a formação deste grupo foi precipitada e que haverá rachas antes do pleito. Na sexta-feira, 23, o bloco teve sua primeira baixa: o vereador Kleybe Morais (DC) confirmou que não faz mais parte do grupo. O vereador, no entanto, disse que não definiu quem apoiará na disputa.

Nos bastidores, há quem acredite que o candidato definido pelo grupo não será Policarpo, Wellington ou Rogério. Para ele, um novo nome deve aparecer nos últimos minutos antes da eleição. Não seria a primeira vez que isso acontece na Casa.

Em oposição a esse bloco, existe ainda um grupo que estaria sendo articulado pelo governador eleito Ronaldo Caiado (DEM). Entre eles, os vereadores Paulo Daher (DEM), Paulinho Graus (PDT), Milton Mercêz (PRP) e a futura vice-primeira-dama Priscilla Tejota (PSD).

Tejota nega que participa da disputa e disse que ainda não tem nenhuma definição a respeito da eleição e que, por isso, não comentaria o assunto. Já Milton Mercêz chegou a colocar seu nome à disposição para a presidência, mas voltou atrás e disse que não disputaria o pleito.

“O Caiado é político. Ele tem que entrar na campanha. Acredito que deva haver uma composição para que tenha uma paz administrativa municipal e também estadual. A Câmara também faz parte do Estado”, afirmou Mercêz, garantindo que retirou o nome da disputa.

Quando candidato, Milton disse que gostaria que o próximo presidente “pensasse na Casa” e que não fosse alguém “do governo”. “Um presidente que pense nos vereadores, na valorização do vereador, que é a base principal que dá assistência à comunidade”, declarou na época.

Dentro desse grupo, Paulinho Graus também seria cotado para encabeçar a chapa. Seria uma forma de Caiado prestigiar o PDT, partido do vereador que fez parte da coligação do governador eleito.

Há ainda quem defenda que surgirá na disputa um nome ligado ao Paço. O próprio Andrey Azeredo pode se candidatar à reeleição. Até o momento, ele não confirma se enfrentará ou não a disputa. Impopular e considerado como arbitrário, poucos acreditam que Andrey pudesse sair vitorioso da competição.

O líder do prefeito na Casa, Tiãozinho Porto (Pros), também seria um possível candidato ligado a Iris. O vereador, entretanto, nega que entrará na briga. “Estou como líder e, graças a Deus e com muita dificuldade, acho que estou desempenhando bem o meu papel e pretendo continuar sendo líder do prefeito.”

Tiãozinho defende que quem já se colocou na disputa procure o prefeito. “Acho que importante o prefeito ouvir o Policarpo, o Rogério e o Wellington, que até agora foram os três que já se manifestaram. Mas acredito que a situação estará bem-definida na próxima semana com todos os possíveis presidentes.”

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