Daniel Vilela e Zé Eliton têm mais chances de ir ao segundo turno

Ninguém duvida que Ronaldo Caiado é forte, mas o discurso radical e a imagem raivosa são atributos repudiados pelo eleitor, que quer propostas reais

Daniel Vilela, do MDB: partido estruturado em todo o Estado dá força ao jovem deputado federal. José Eliton, do PSDB: trunfos são a aliança forte e o apoio direto do governador Marconi Perillo | Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Candidato do governo sempre é forte. Mais forte ainda é candidato de um governo que tem obras a apresentar, como é o caso da gestão de Marconi Perillo (PSDB), com o maior programa de obras em execução no Brasil, o Goiás na Frente. O subtexto das duas frases anteriores é que o vice-governador José Eliton (PSDB) será um candidato fortíssimo em outubro, disputando a reeleição, porque ele será candidato na condição de governador, com a renúncia do titular para disputar o Senado.

E, dada a estrutura partidária e o amplo arco de alianças em torno de si, José Eliton deve ir ao segundo turno. Pode-se dizer que esse resultado será até natural, graças ao enraizamento que sua candidatura vai alcançar, com o apoio do maior cabo eleitoral do Estado, o governador.

Nem os adversários têm dúvida de que Eliton fará uma campanha com todos os recursos possíveis, com boa estrutura e excelente capilaridade, justamente pela ampla aliança que começou a ser costurada desde o ano passado.

Certo, se a lógica indica que José Eliton estará no segundo turno, a indagação que se faz então é: quem será o adversário do tucano na última e decisiva fase da eleição?

A resposta é fácil: Ronaldo Caiado ou Daniel Vilela.

Sim, mas qual deles?

Analisemos o cenário que se tem no momento, então. O processo eleitoral em Goiás pelo lado da oposição está caminhando para ter duas candidaturas: o deputado Daniel Vilela, pelo MDB e o senador Ronaldo Caiado, pelo DEM. O PT talvez lance um nome apenas para constar, visto que é quase impossível que chegasse a 10% dos votos, tal o desgaste da sigla, que em nível nacional tornou-se sinônimo de corrupção — dirigentes petistas têm afirmado que o objetivo do partido é armar um palanque em Goiás para a campanha do condenado Lula.

Daniel Vilela é o pré-candidato do MDB, tem o apoio declarado da maioria da sigla, mas não conseguiu tornar esse apoio unânime. Prefeitos de cidades importantes, seduzidos pelo canto de sereia das pesquisas precoces, preferem levar a sigla a apoiar Ronaldo Caiado, continuando uma aliança firmada em 2014 e que deu a ele a cadeira de senador.

Estão no time dos prefeitos que querem literalmente entregar o PMDB nas mãos de Caiado: Ernesto Roller (Formosa), Paulo do Vale (Rio Verde), Renato de Castro (Goianésia) e Adib Elias (Catalão). O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, também gostaria que o democrata fosse o candidato do MDB, mas tem mantido reserva em declarar. Esses prefeitos mostram alguma força para abalar a solidez partidária em torno de um autêntico emedebista, Daniel Vilela, mas os que não querem o MDB entregue a Ronaldo Caiado estão cada vez mais levantando a voz.

Foi o que ocorreu na quinta-feira, 8, numa reunião entre Iris Rezende e mais de 20 outros prefeitos do partido. No encontro, o nome de Daniel Vilela como candidato da sigla na disputa ao governo foi fortalecido. Os prefeitos que participaram da reunião foram unânimes ao afirmar que uma candidatura própria é o plano a ser seguido dentro da legenda. Isso tem um claro significado: apoiar Ronaldo Caiado deixaria de ser uma opção.

A reunião serviu para minar o apoio dos prefeitos de Adib Elias, Renato de Castro, Paulo do Vale e Ernesto Roller ao democrata. Por sinal, nenhum desses apoiadores do líder ruralista esteve no encontro, realizado em Goiânia, mais precisamente no gabinete de Iris, no Paço Municipal.

O mais importante dessa reunião, conforme relatou um dos prefeitos, é que Iris Rezende falou abertamente que sua lealdade está com o presidente estadual da sigla, que vem a ser Daniel Vilela, e garantiu que o apoio dele à candidatura do deputado é definitivo. A declaração de Iris é algo novo, pois até então ele estava sendo um tanto quanto dúbio.

“Iris demonstrou total apoio a uma candidatura própria. E ele estará trabalhando para ter essa unidade no partido”, explicou o prefeito de Quirinópolis, Gilmar Alves, conforme reportagem do Jornal Opção online. “Nós apoiamos Caiado para senador e agora é comum esperarmos uma retribuição”, emendou Gilmar.

O prefeito André Cha­ves, de Buriti Alegre, reforçou o discurso do colega e disse ter sido surpreendido pelo tom de unanimidade entre os presentes no en­contro. Sobre a divisão da legenda entre as alas que apoiam Caiado ou Daniel, Chaves amenizou o discurso e disse se tratar de algo comum no meio político, mas alertou: “Depois dessa reunião, o apoio a Caiado é uma possibilidade cada vez mais distante. Já fechamos questão e será o Daniel”.

1994: Caiado liderava, mas ficou fora do jogo

Em 1994, Lúcia Vânia e Maguito Vilela começaram a campanha atrás de Ronaldo Caiado nas pesquisas, mas foram eles que passaram ao 2º turno | Fotos: Arquivo / Jornal Opção

Essa reunião de prefeitos emedebistas com Iris Rezende indica que, aos poucos, o MDB vai trilhando um caminho de bom senso, no sentido do autofortalecimento. Numa disputa que será renhida, contra o candidato do governo, José Eliton, que tem estrutura partidária e alianças robustas, Daniel Vilela tem muito mais chances de chegar ao segundo turno, na comparação com Ronaldo Caiado.

Mas não é Caiado que lidera as pesquisas? Sim, de fato, o democrata tem sido o dianteiro nos levantamentos realizados até agora. Acon­tece que, por enquanto, as pesquisas só medem o grau de conhecimento que o eleitor tem dos nomes colocados. Caiado é o mais conhecido, por­­­tanto, natural que seja o mais citado pelos eleitores.

Mas quando a campanha começar de fato, os outros nomes também passarão a ser conhecidos. É a partir daí que as pesquisas começarão a valer realmente. E neste mo­mento, Ronaldo Caiado tende a perder fôlego.

O democrata busca desesperadamente o apoio do MDB por que seu partido é fraco, sem capilaridade. Sem o MDB, o ruralista não conseguirá nem formar uma chapa razoável de candidatos a deputado estadual e federal, sempre um fator de fortalecimento da candidatura majoritária. Por isso que já se ouve nos bas­tidores que Ronaldo Caiado pode até desistir de disputar o governo se não tiver o apoio de todo o MDB, incluindo Iris e os Vilela, ou seja, Daniel e seu pai, Maguito Vilela, que comandam a maior parte da sigla.

Outro problema do democrata é seu discurso radicalizado, feroz, que pouco condiz com a realidade. Uma pessoa de fora que venha ao Estado e ouça Caiado falar, pode acre­ditar que Goiás é o pior lugar do Brasil — do Brasil não, do mundo. A ótica caiadista é caolha, pra não dizer cega, pois não enxerga avanços e benefícios que o Estado alcançou, seja na economia, seja nos programas sociais.

Aliado ao discurso radical, o democrata já sedimentou uma imagem raivosa, que destila rancor, o que atrapalha a mensagem que ele quer passar. Ele pode até ter razão num ou noutro aspecto do que critica, mas o faz em tom tão agressivo que a razão se perde e o que fica na memória do eleitor é a imagem daquele homem de dedos em riste, carrancudo, a proferir impropérios.

E ainda tem a incoerência. Caiado faz críticas ao governo estadual, mas se cala em relação à gestão de Iris Rezende em Goiâ­nia, onde há um verdadeiro caos em áreas como saúde e limpeza ur­bana, por exemplo. Essa dubiedade será cobrada na campanha. Os ad­versários, não só José Eliton, mas também Daniel Vilela, vão mostrar ao eleitor as incoerências do senador democrata.

O eleitorado não quer ataques raivosos, e sim propostas factíveis que lhe assegurem melhorias no seu dia a dia. Isso significará perda de votos para Ronaldo Caiado, que apenas ataca sem apresentar propostas. Em contraste a Daniel Vilela, que além da imagem mais serena e simpática, tem também um discurso mais razoável, mesmo quando critica o governo do qual José Eliton faz parte – e observe-se que Daniel faz muitas críticas.

Mas há uma diferença significativa entre as críticas de Caiado e de Daniel. O senador atira para todos os lados, de forma inconsequente, com objetivo eleitoral. Já o emedebista sabe o que é ser governo. Não que o jovem deputado tenha exercido algum cargo executivo, mas acompanhou de perto as gestões de seu pai, Maguito Vilela, que governou o Estado e foi prefeito de Aparecida de Goiânia por duas vezes. Daniel Vilela tem um discurso crítico mais realista, de adversário, não de inimigo, diferentemente de Caiado.

A campanha vai depurar qualidades e defeitos dos candidatos. Daniel Vilela tem o que ganhar, en­quanto Ronaldo Caiado só tem a perder. Diante disso, é mais que provável, é quase certo — até onde se pode ter certezas na política — que o emedebista e o tucano estarão disputando o segundo turno.

Refrescando a memória, em 1994, também na disputa pelo governo, Ronaldo Caiado saiu na frente, como agora, mas ficou na arquibancada vendo Maguito Vilela e Lúcia Vânia disputarem a fase decisiva da eleição. Durante a campanha, as deficiências — o discurso raivoso, a imagem arrogante, a incoerência — do ruralista foram ressaltadas e o eleitor tirou Caiado do jogo.

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Weber

Kkkkkkkk….
CAIADO 2018 no primeiro turno!!!!