Candidatura de Daniel Vilela seria melhor que a de Iris

No caso de vitória do decano peemedebista na disputa pela Prefeitura de Goiânia, a vitória será dele, pessoal, e não do partido

Daniel Vilela, Íris de Araújo e Iris Rezende: Iris Rezende representa o velho PMDB, e Daniel Vilela é a estrela em ascensão do novo PMDB: o partido vai optar pela continuidade ou pela renovação? | Foto: Alexandre Parrode

Iris Rezende representa o velho PMDB, e Daniel Vilela é a estrela em ascensão do novo PMDB: o partido vai optar pela continuidade ou pela renovação? Na foto, Daniel Vilela, Íris de Araújo e Iris Rezende| Foto: Alexandre Parrode

Cezar Santos

Há algo de novo nas hostes peemedebistas, no que diz respeito à pré-candidatura de Iris Rezende à Prefeitura de Goiânia. Diferen­temente das outras vezes, parece que agora o decano realmente está em dúvida sobre se vai para campanha ou não. Certo, alguém dirá que das outras vezes Iris também se mostrava reticente.

Verdade, das outras vezes Iris se mostrava reticente, mas era claramente um jogo de cena num quadro em que ele jogava para puxar o partido “fechado” para sua candidatura. Ele adiava o anúncio, esticava a corda até o ponto de quase rebentar, e quando já não restava tempo nem condições de trabalhar outro nome, ele “aceitava” a convocação e surgia como salvador da pátria. A tática não funcionou no sentido de ter sucesso nas urnas nas últimas eleições ao governo, mas deu certo nos pleitos municipais.

Agora, parece que Iris realmente está em dúvida. No meio da semana passada, a imprensa diária registrou que correligionários que estiveram com Iris Rezende afirmaram que sua pré-candidatura a prefeito é certa num dia e dúvida no outro. Isso depois que o deputado José Nelto, espécie de autoproclamado porta-voz de Iris, ter dito ao Jornal Opção que o ex-prefeito finalmente tinha definido que será candidato a prefeito de Goiânia pelo PMDB.

Segundo Nelto, Iris só iria esperar a definição do impeachment no Senado para admitir publicamente que será candidato a prefeito. Com isso, se fecharia a possibilidade de o partido lançar outro candidato. “Não se troca um candidato que lidera todas as pesquisas e que todos garantem que tem vaga garantida no segundo turno por um candidato que começará com baixa intenção de voto. Política é, acima de tudo, realismo, realpolitik. Não há espaço para fantasia, ilusões, perda de tempo e conversa fiada”, afirmou o deputado.

À pergunta de que se Iris Re­zen­de disse de fato que será candidato, Nelto respondeu: “Ele adiantou para mim que será candidato. Não há escapatória”, contando que, recentemente, Iris Rezende assistiu uma missa na Vila Itatiaia e quando padre Marcos o anunciou sua presença e o chamou, centenas de pessoas teriam aplaudido de pé. “Foi uma apoteose.”

Bem, pelo visto, poucos dias depois das declarações de José Nelto, um ar de dúvida começou a pairar no entorno de Iris Rezende. Consta que ele Iris chegou a consultar aliados sobre o PMDB lançar outro nome para a prefeitura. E como era de esperar, ninguém conseguiu citar um substituto.

Claro, neste momento é difícil — senão impossível — apontar outro peemedebista com tantas condições claras de competitividade quanto Iris Rezende. Como se não bastasse o fato de o decano ser o líder dos levantamentos até aqui.

O titubeio de Iris pode ter várias razões. Ele pode estar pensando se seria producente nesta altura de sua longa e marcante trajetória política, encarar mais uma vez uma campanha municipal. E, no caso de vitória, se valeria a pena pegar um autêntico “abacaxi” que é a Prefeitura de Goiânia com as contas arrebentadas, num cenário político e econômico à beira do caos, com um novo governo federal que se anuncia com o impeachment de Dilma Rousseff.
Seja por qual razão, está suscitada a possibilidade de uma discussão: e se Iris Rezende não disputar a Prefeitura?

Em off
Nas hostes peemedebistas, ninguém admite em on, mas no off muitos falam: a candidatura do deputado federal Daniel Vilela seria melhor para o PMDB que a de Iris Rezende, por representar uma nova etapa na vida do partido. E isso não porque trabalhar a candidatura do ex-prefeito seja difícil, pelo contrário, uma vez que ela parte de um ponto inicial privilegiado, como líder das pesquisas.

A questão se refere muito mais à sobrevivência do PMDB como um partido que pode se apresentar ao eleitor goiano como uma sigla com uma mensagem renovada. Com Iris, já se sabe o que esperar. Uma concepção obreirista ganharia corpo, com a realização de obras a toque de caixa, como foi a pavimentação em 2004.

Naquela campanha, Iris prometeu asfaltar toda a cidade. Não asfaltou “toda” a cidade, mas pavimentou muitos bairros Goiânia afora, não se pode negar. A questão: o asfalto era de baixa qualidade, o que obrigou seu sucessor, Paulo Garcia, a realizar um imenso esforço e gastar muito dinheiro para consertar aquele pavimento que se esfarinhou num tempo muito curto. Aliás, essa foi uma (não a única) das razões do imenso desgaste de Paulo Garcia.
A par disso, a imagem de Iris Rezende é de um administrador atrasado, apegado a conceitos ultrapassados como mutirões, sem contato nem facilidade em lidar com a moderna tecnologia. O que muitos peemedebistas avaliam é que essa imagem de Iris Rezende, como “fazedor” de obras ruins e ultrapassado acoplou-se ao PMDB.

Para muitos peemedebistas, passa da hora de o PMDB mudar seu conceito. E para isso, nada melhor que outro candidato que não Iris Rezende. E esse candidato, segundo esses peemedebistas, tem nome e sobrenome: Daniel Vilela.

A primeira razão é essa mesma, renovar a “cara” do PMDB. A outra é de caráter mais estratégico. Se Iris Rezende ganhar a Prefeitura de Goiânia, terá sido uma vitória dele, pessoal, e não do PMDB. Iris voltaria com uma concepção passadista de administração, deixando de valorizar gente nova, tão necessário para um partido que amarga cinco derrotas consecutivas para o grupo de Marconi Perillo na disputa pelo governo estadual.

Talvez a maior consequência da vitória de Iris Rezende como prefeito diz respeito exatamente a 2018. Não seria uma vitória que va­lorizaria o PMDB para o pleito ao governo. Quem ganharia mais com isso seria nada menos que Ronaldo Caiado, desde já o nome que Iris decididamente vai apoiar. Iris parece estar “fechado” com Caiado para 2018, talvez por acreditar que o senador é o único nome capaz de derrotar o grupo marconista.

Por isso, muitos peemedebistas acreditam que se Iris Rezende está em dúvida sobre disputar a Pre­fei­tura de Goiânia, então o momento é mais que apropriado para começar a trabalhar o nome do deputado Daniel Vilela, que reúne juventude e simboliza mais que ninguém a capacidade de renovação.

Lembrando ainda que Daniel já fez história no partido, ao ousar enfrentar e derrotar o próprio Iris na disputa pelo comando do partido, o que prova que o jovem deputado tem capacidade de articulação e “tutano”. Além e contar com o apoio de uma expressiva ala do partido sob influência do pai, o prefeito Maguito Vilela.

Como se não bastasse, de Brasília sopra mais um vento favorável à indicação de Daniel. Nada menos que o (futuro) presidente da República, Michel Temer, que tem indisfarçada simpatia pelo filho de Maguito. Há poucos dias a Coluna Bastidores informou que Michel Temer teria confidenciado a dois políticos que o deputado federal Daniel Vilela pode ser melhor candidato a prefeito de Goiânia do que Iris Rezende, que, em termos administrativos, estaria “superado”.
A tese de Temer é que Iris tende a sair em primeiro lugar e, aos poucos, perde musculatura eleitoral. Ao contrário de Daniel, que pode sair atrás e, durante a campanha, ganhar musculatura. Se Michel está mesmo tão interessado e bem informado sobre a política goiana, então o jovem deputado federal já tem um apoio de peso: Nada menos que o presidente da República. Restaria saber se Daniel iria para a disputa ou se está se guardando para quando 2018 chegar.

P.S.: Na sexta-feira, 6, uma nota na coluna Giro, de “O Popular”, com todo jeito de “plantação”, informou que o futuro ministro Geddel Vieira de Lima teria ligado para Iris Rezende e dito que o governo Temer vai apoiar uma candidatura dele, Iris.

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