Campanhas tendem a se tornar mais agressivas

Raras vezes pode ser uma boa estratégia eleitoral “apanhar” e não responder. Mas ficar somente na defesa é ruim para qualquer campanha

Ilustração/Guilherme Lopes

Ilustração/Guilherme Lopes

Afonso Lopes

Há um mito eleitoral no Brasil que garante que candidatos à frente de campanhas que “ba-tem” nos adversários acabam perdendo eleitores. Não é bem assim que acontece.

Disputas políticas são exatamente isso, disputas — antagonismo, portanto. A questão é quando agredir politicamente e como fazer isso. Quem erra a dose perde feio. Quem se dispõe somente na defesa perde também.

No Brasil, a agressividade política nas campanhas, quando bem feita, não tira votos de quem a pratica, mas pode acertar a asa de candidatos em crescimento que recebem a dose negativa. Mas será essa uma característica eleitoral brasileira? Longe disso. Basta observar a campanha nos Estados Unidos para se ter uma boa ideia de até onde vai a pancadaria eleitoral por lá. Aliás, numa dosagem que para nós, brasileiros, talvez seja insuportável.

Há coisa de mês e pouco, Donald Trump estava com uma boa folga sobre sua adversária, Hillary Clinton. O quadro geral por lá se alterou completamente ao ponto de uma eventual vitória do republicano ser considerada bastante improvável. Trump simplesmente despencou, e ainda viu seus índices de rejeição dispararem. Méritos de Hillary? Não, mas da campanha dela, e também graças aos erros do destrambelhado Trump.

Os americanos estão acostumados com campanhas ex­tremamente agressivas no campo pessoal. Trump foi muito mais agressivo politicamente do que Hillary, mas ela deu show na pancadaria em questões pessoais. Por aqui, provavelmente a candidata democrata estaria sob olhar severo do eleitorado.

A agressividade política, ao contrário das questões pessoais, pode e deve ser usada. É exatamente assim que se mostra ao eleitor as diferenças entre os candidatos.

Do ponto de vista das propostas/promessas, todos eles são ótimos e perfeitos candidatos. As diferenças só aparecem no campo político. Mas por que é importante, vital, ter uma certa dose de agressividade política na campanha? Ora, se as propostas/promessas são todas, independentemente dos candidatos, muito boas, e parecidas, cabe ao candidato mostrar as falhas de conteúdo político do adversário. Até porque nenhum candidato, a não ser um doido varrido, iria mostrar as suas deficiências políticas, que acabam por comprometer a possibilidade de cumprimento das promessas depois.

Ataque intenso

A campanha de Iris Rezende atacou politicamente com intensidade a posição de Vanderlan Cardoso, seja questionando a sua administração como prefeito de Senador Canedo, seja na sua aliança/coligação. Não houve agressões pessoais a Vanderlan. O que o marketing de Iris fez foi atacar exatamente os dois principais e mais fortes argumentos de campanha de Vanderlan, o bom governo que fez naquela cidade e sua capacidade de somar a maior quantidade de fortes aliados.

No final da semana, Vanderlan Cardoso disse que a partir de agora vai começar a criticar Iris Rezende. Se isso ocorrer no campo da disputa política, é evidente que poderá atingir o objetivo. Se resvalar para questões pessoais, a campanha de Vanderlan afunda, enquanto Iris vai se vitimizar diante do eleitorado. É exatamente essa a diferença de comportamento entre o eleitor brasileiro e seu colega americano.

Há um vasto campo para questionamentos tanto de Vanderlan contra Iris como de Iris contra Vanderlan. E é nesse conflito político que a eleição se da. As campanhas não são decididas racionalmente, mas emocionalmente. Ganham os candidatos que se espraiam pela emoção, contagiando assim a maioria do eleitorado.

E, agora, resta apenas uma semana para definir o destino político-administrativo de Goiânia pelos próximos anos. Quem vai se emocionar mais?

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