As relevâncias e coincidências entre 1998 e 2016

Não há dúvida sobre a imensa capacidade de Maguito Vilela alcançar altos índices de aprovação em suas administrações, mas a transferência desse prestígio é sempre bastante complicada

Maguito preferia inicialmente Euler Morais, mas Gustavo Mendanha acabou aglutinando  a base em Aparecida

Maguito preferia inicialmente Euler Morais (abaixo, à esquerda), mas Gustavo Mendanha acabou aglutinando a base em Aparecida | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

O ano é 1998. No Palácio das Esmeraldas, o então governador Maguito Vilela, do PMDB, surfa numa onda de popularidade jamais registrada na história política recente do Estado. Eram índices de aprovação popular tão elevados que ainda hoje chamam a atenção, e talvez só se rivalizem com 2006, com o governador tucano Marconi Perillo.

A oposição externa a Maguito naquele ano estava completamente destroçada, inclusive do ponto de vista eleitoral. O que se deslumbrava no horizonte político do Estado era uma das mais tranquilas reeleições que se pudesse imaginar. Na prática, nenhum grande líder oposicionista, dentre os quais Ronaldo Caiado e Lúcia Vânia, que disputaram uma eleição duríssima contra Maguito Vilela em 1994, pareciam dispostos a enfrentar o governador naquele ano de 1998.

Internamente, porém, Maguito enfrentava problemas bastante sérios. Muito mais sérios do que se supunha diante da falsa tranquilidade refletida na superfície das águas do lago da popularidade. Dentro do PMDB, o seu partido, havia um turbilhão de interesses e incompatibilidades políticas contrariados. Maguito teve a chance de sair dessa enrascada partidária no final de 1993, e chegou-se a falar que sua ficha de filiação ao PPS estaria pronta. Ele preferiu ficar, talvez levando em conta que a ótima aprovação de seu governo fosse suficiente para atropelar os problemas de relacionamento interno no PMDB.

Não foi. Os iristas, que em sua maioria passaram quatro anos encostados nos gabinetes menos prestigiados do governo, correram atrás de Iris Rezende. O que se viu depois foi a tomada de assalto do poder no MDB governista de maneira avassaladora. Maguito Vilela e seu grupamento foi esmagado internamente e teve que aceitar a evidência dos fatos.

Sua tranquila reeleição acabou no exato instante em que Iris se anunciou disposto a disputar o governo. A máquina irista se reinstalou rapidamente, fazendo alguma concessão aqui e outra lá na composição da chapa peemedebista para os maguitistas. Assim, além de indicar o candidato a vice-governador — o deputado estadual jataiense Romiltom Morais —, o próprio Maguito foi candidato ao Senado e encontrou espaço de trabalho para a candidatura a deputado federal de um dos caciques do grupamento, o então secretário estadual da Solidariedade, Euler Morais. Em troca, teve que aceitar a indicação de dona Iris de Araújo como primeira suplente na chapa ao Senado.

A campanha de Iris Rezende foi desastrada diante de tantos fatos internos e acabou surpreendida por um candidato ousado o suficiente para modernizar a maneira de se pedir votos. Apesar de iniciar o processo sucessório com 70 em cada 100 eleitores com a intenção de confirmar o voto nele, Iris chegou atrás de Marconi Perillo no primeiro turno e não teve forças para resistir ao turno conclusivo. Foi a primeira derrota de Iris Rezende na sua longa trajetória.

1998 se aproxima de 2016 em alguns aspectos e aqui vamos considerar o cenário de Aparecida de Goiânia para fazer a comparação. Em 98, o candidato preferido dos maguitistas para o governo era o próprio Maguito. Este ano, o escolhido pelo grupo para a Prefeitura de Aparecida era o secretário Euler Morais. Em 98, a candidatura de Maguito foi atropelada por Iris. Este ano, o processo interno do PMDB em Aparecida foi inteiramente dominado pelo vereador e presidente da Câmara Municipal, Gustavo Mendanha. Em 98, Iris perdeu a eleição, e os iristas mais próximos do líder ainda hoje acusam Maguito de ter feito corpo mole, favorecendo a construção de uma imagem vitimizada, ao mesmo tempo em que tornou ruim a imagem de Iris, que apareceu como seu algoz. A história eleitoral deste ano ainda não foi escrita, e será necessário portanto aguardar o resultado das urnas para saber se 1998 e 2016 fecharão completamente aproximados em todos os aspectos políticos, ou se pelo menos o desfecho será diferente.

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