Aparecida de Goiânia ignora a crise, atrai empresas e deixa para trás o rótulo de cidade dormitório

Gestão investe mais de R$ 200 milhões de recursos próprios em obras pela cidade e entregou um dos maiores hospitais municipais de Goiás

Hospital Municipal de Aparecida foi a maior obra entregue pela prefeitura na atual gestão | Foto: Rafael Oliveira/Jornal Opção

A falta de recursos nos cofres públicos federal, estaduais e, principalmente, municipais desafia a capacidade dos políticos de driblarem o discurso do “não tem dinheiro” para investir no desenvolvimento das cidades que administram. 

Alguns municípios brasileiros encontraram meios para equilibrar o orçamento entre os gastos fixos, como folha de pagamento e manutenção da máquina, e os investimentos flutuantes em infraestrutura. A receita contém diversos ingredientes, mas o principal é a responsabilidade com o dinheiro do contribuinte; casos registrados no governo de Brasília (DF), em Recife (PE) e Aparecida de Goiânia (GO), transformados em exemplos a serem replicados.

No limite territorial com Goiânia, Aparecida de Goiânia passou a ter protagonismo nacional nos últimos 10 anos e cresceu economicamente fora da curva comum. Os investimentos alcançam a população em quase sua totalidade e os administradores nesse período recebem interessados de todos os lugares do Brasil para estudarem os projetos aplicados na cidade, alguns premiados dentro e fora do país.

Embora a Prefeitura possua um caderno de realizações, uma das mais esperada pelos moradores foi inaugurada em 19 de dezembro passado: o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP).

Na lista dos maiores hospitais de Goiás, a obra foi entregue em três anos e meio e começou a atender em janeiro deste ano. O complexo hospitalar possui edifícios separados para cada tipo de atendimento: urgência, ambulatório, exames e uma farmácia popular.

O secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães, explica que 180 médicos atendem em todo o complexo hospitalar amparados por uma equipe técnica de saúde composta por 450 funcionários. “A Secretaria de Saúde também administra mais três UPAs da cidade, que, agora, encaminham pacientes de alta complexidade ao HMAP”, acrescenta Magalhães.

Secretário de Saúde, Alessandro Magalhães, diz que o hospital municipal é referência de qualidade no Brasil | Foto: Divulgação

Com seis meses de funcionamento, a referência de qualidade do hospital o colocou na rota de pacientes brasileiros que procuram atendimento fora de seus domicílios. “Cerca de 30% do atendimento já é de pacientes de fora de Aparecida. Estamos recebendo pessoas de Quirinópolis, Abadia de Goiás, Bonfinópolis, Guapó e outros”, conta Magalhães. O secretário lembra que a ala pediátrica do HMAP tem recebido crianças de Goiânia constantemente.

O hospital possui 140 leitos para internação: 60 para clínica geral, 30 para pediatria, 30 para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI); 20 adultos e 10 pediátricos, e mais 24 leitos na semi-intensiva. Para operar com 100% de sua capacidade, o HMAP vai liberar mais 90 leitos até dezembro.

O secretário de Saúde coordena os trabalhos há um ano e dois meses. No último balancete de atendimentos do HMAP, divulgado na quarta-feira, 10, Magalhães mostra que o hospital atendeu 1.213 pacientes. “Como o hospital é novo, estamos chegando perto das metas de atendimento estipulada”, relata Magalhães.

Em sete meses de funcionamento, o HMAP atendeu 228 pacientes da Clínica Médica, enquanto a meta é de 243; foram 513 diárias de UTI adulto, da média de 540; a área pediátrica internou 204 crianças na UTI, a meta é 240, e os pediatras atenderam 124 crianças, com a meta de 111. Única meta superada devido ao fluxo de encaminhamentos dos pediatras goianienses para o HMAP.

Catielane Barbosa elogiou a estrutura e atendimento dos funcionários do hospital | Foto: Rafael Oliveira/Jornal Opção

A dona de casa Catielane Barbosa Mendonça, de 43 anos, levou o filho de nove anos para consulta com neuropediatra e elogiou a estrutura do hospital e o atendimento do médico. “O bom é que agora não preciso sair de Aparecida para levar meu filho no médico, ainda mais na especialidade que ele precisa”, afirma a dona de casa.

A comerciante Kelly Christine, de 34 anos, levou o filho de oito anos para ser consultado pelo mesmo médico de Catielane. Para a primeira consulta, a avaliação é positiva pelo atendimento padronizado desde a recepção ao médico. “O hospital é bem organizado, informatizado, e por isso foi tudo rápido”, ressalta Christine.

Kelly Christine levou o filho para a primeira consulta com um neuropediatra, mas já avaliou positivamente o complexo hospitalar | Foto: Rafael Oliveira/Jornal Opção

Obras de pavimentação asfáltica e infraestrtuura chegam aos R$ 200 milhões

A quantia de R$ 100 milhões investidos na infraestrutura da cidade começa a trazer resultados neste ano. De outras obras, o resultado chegará ao aparecidense em pouco tempo, como revela o secretário Municipal de Infraestrutura (Seinfra), Mário Vilela.

Uma obra destacada pelo secretário será entregue neste mês e atenderá 55 mil motoristas que transitam diariamente pela Avenida São Paulo. O viaduto demorou um ano para ser construído por causa das chuvas. “Ficamos oito meses parados pelo intenso período chuvoso em Aparecida. Mas era uma obra para durar seis meses”, ressalta Vilela.

Um eixo estruturante que ligará a região Leste de Aparecida à Oeste, aprovado em licitação, custará US$ 35 milhões de dólares e a obra deve começar no segundo semestre deste ano.

Secretário de Infraestrutura, Mário Vilela, destaca obras de pavimentação asfáltica no montante de R$ 92 milhões | Foto: Rafael Oliveira/Jornal Opção

O maior montante aplicado pela Prefeitura de Aparecida, cerca de R$ 93 milhões, vai asfaltar 15 bairros. O mais caro é o Jardim Boa Esperança, mas com a maior extensão territorial a ser coberta: 176 mil metros quadrados, que custaram R$ 29 milhões.

Na área de recapeamento de asfalto, o famoso “tapa-buraco”, a Seinfra colocou R$ 3,3 milhões em 33 bairros. Os maiores bairros são os mais próximos à Goiânia: Vila Brasília (381 mil metros quadrados) e Garavelo (234 mil metros quadrados). As obras de recapeamento serão constantes até 2021.

Prefeitura destinou mais de R$ 200 milhões para obras gerais na cidade | Foto: Wigor Vieira

A nova sede da prefeitura é construída pela mesma empresa que entregou o HMAP em tempo recorde e custou R$ 25 milhões aos cofres públicos. A previsão para entrega ficou para o segundo semestre.

Novo projeto de paisagismo muda a imagem de Aparecida

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), Max Meneses, mostra uma lista de obras realizadas pela sua Pasta nos últimos anos. Muitas outras obras em andamento prometem melhorar a imagem da cidade perante os moradores, segundo Meneses.

Desde 2017, a administração pública construiu sete praças com equipamentos de ginástica e outras 37 novas obras estão na agenda para serem concluídas neste mandato (até 2020).

“O projeto é muito arrojado. Esse embelezamento da cidade engloba arborização nos bairros, plantação de árvores e instalação de iluminação pública”, esclarece Meneses.

A Avenida São Paulo, considerada o cartão postal da cidade, recebeu novas mudas de árvores, flores e remodelação do canteiro central, como parte dessa agenda de paisagismo.

Secretário de Desenvolvimento Urbano, Max Meneses, destacou construção e reformas de 66 parques para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos | Foto: Rafael Oliveira/Jornal Opção

O secretário ressalta que mais obras serão entregues aos moradores até o ano que vem: cinco novos parques e com previsão de mais um no bairro Colina Azul, que entrou por fora da agenda. “Utilizamos 70% de recursos próprios e 30% do Governo Federal em nossas obras”, salienta Meneses.

E-governo quer facilitar a vida do morador com soluções tecnológicas

A tecnologia será usada para o bem-estar do morador, num enorme processo de informatização da administração pública. Serão implementados 540 quilômetros de fibra ótica nos prédios municipais.

Os benefícios virão com a implantação do e-governo, que pretende disponibilizar todos os serviços da prefeitura ao cidadão de forma rápida e prática, desde a Segurança Pública à Educação.

“A Cidade Digital traz solução de conectividade para toda a cidade, incluindo as unidades de Saúde, Segurança, Escolas e outros”, explica o secretário de Ciência e Tecnologia, Cleomar Rocha.

Dentro desse projeto, estão previstas 600 câmeras de videomonitoramento para ajudar o trabalho dos agentes de segurança pública e o acesso gratuito de internet a partir dos prédios públicos e algumas praças espalhadas pela cidade. “O efetivo policial poderá, por exemplo, estar em locais estratégicos”, ressalta o secretário.

Cleomar Rocha, secretário de Ciência e Tecnologia, ressalta a instalação de 540 quilômetros de fibra ótica na cidade | Foto: Rafael Oliveira/Jornal Opção

Até o momento foram instalados 150 quilômetros de fibra ótica, em parceria com a empresa chinesa Huawei, vencedora da licitação em 2017. O Data Center da prefeitura, um centro de processamentos de dados, será entregue pelos chineses no final de julho e começa a operar em agosto.

“A partir daí, vamos começar uma série de serviços internos, como tramitação e emissão de documentos, que passam a ser nato digitais e terão o fluxo muito mais rápido”, explica Rocha.

Na Saúde, por exemplo, a emissão de solicitação de exames, resultados de exames e agendamentos serão digitalizados e a população será atendida de forma integrada e rápida. Da mesma forma acontecerá na Educação com o projeto “Escola Conectada”.

A escalada tecnológica do município lhe rendeu o prêmio “Inova Cidade” em 2019, pelo terceiro ano consecutivo, que premia iniciativas de soluções inteligentes.

Caminho sem volta

O vice-prefeito de Aparecida de Goiânia, Veter Martins, entende que esse caminho de crescimento da cidade não tem volta, desde que os gestores futuros continuem a encarar o processo de modernidade.

“Aparecida cresce muito quando decidimos investir na cidade para o bem da população. No ano passado fomos o segundo município que mais gerou empregos no Brasil”, comemora Martins.

O vice-prefeito de Aparecida, Veter Martins, diz que o segredo para o crescimento fora do comum é uma gestão direcionada ao morador | Foto: Reprodução

Em três anos, a cidade saltou de 6 mil empresas em funcionamento para 50 mil, segundo Martins. “Isso representa geração de emprego e renda. É um processo natural com a criação de polos empresariais. Hoje, Aparecida deixou de ser uma cidade dormitório para uma cidade que gera emprego”, afirma.

O impulso na industrialização se reflete nos indicadores econômicos. Segundo dados da prefeitura, o Produto Interno Bruto (PIB) saltou de R$ 3,8 bilhões, em 2009, para R$ 12 bilhões, em 2018. Ou seja: triplicou.

O crescimento populacional também é significativo. Atualmente, o município, que completou 97 anos de emancipação em março, tem 565 mil habitantes, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em 2010, ano do último senso, eram 455 mil. Uma alta impressionante de 24% em oito anos.

O segredo para esse crescimento é uma gestão séria e construir uma equipe competente. Desde que o prefeito Gustavo Mendanha (MDB) assumiu a prefeitura em 2017, como conta Veter Martins, a administração teve foco em reduzir gastos supérfluos para investir em infraestrutura.

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