Quem ouve heavy metal no trânsito e na estrada tem mais chances de se distrair e de aumentar a velocidade durante a pilotagem. A pesquisa de uma instituição de segurança rodoviária buscou descobrir se as habilidades no volante são reduzidas a depender do estilo musical.

De acordo com o levantamento da revista  revista Auto Express em parceria com a rede IAM RoadSmart, dois terços dos motoristas ouvem música enquanto estão ao volante.

Os dados coletados pela pesquisa mostram que o volume alto é um dos maiores vilões, seja ouvindo música clássica ou heavy metal. Os testes foram realizados com pilotos de Fórmula 2, Fórmula 3 e Gran Turismo, em simuladores ultra realistas. Os simuladores têm a capacidade de coletar dados das habilidades e da concentração dos pilotos.

Dentro do simulador, os pilotos enfrentaram a Red Bull Ring, o Grand Prix Australia, em um Porsche clássico. Partindo da linha de largada, as três primeiras curvas eram feitas no maior tempo possível. Depois da curva três, a zona de velocidade era limitada a 80km/h em duas curvas.

Após os testes, os pilotos tentaram refazer os testes ouvindo Slipknot. Os resultados mostraram que os pilotos fizeram a volta 14 segundos mais lentos, embora tenham pisado fundo nos trechos em que a velocidade era limitada.

Música pode fazer parte de ritual e acalmar em momentos de estresse

Depois de algumas voltas em silêncio, os pilotos dirigiram ao som de Bach, uma música tranquila. No relato, os motoristas apontaram que diferentemente do outro estilo, nessa eles foram embalados por uma sensação de calma.

O tempo da volta caiu 12 segundos com os primeiros testes, mas as entradas nas curvas e as acelerações eram mais suaves. Além disso, os motoristas não perceberam que as velocidades ficaram abaixo de 60km/h nas zonas de limitação.

O gerente de Educação no Trânsito da Secretaria De Municipal de Mobilidade (SMM) Horário Ferreira aponta que determinados tipos de música podem levar o motorista a comportamentos mais agressivos no trânsito. “A ciência é bem clara ao dizer que os sons influenciam o emocional e que a depender do que está tocando, da altura e da do contexto que o motorista está, ele pode projetar esse sentimento para fora do carro”.

O funcionamento não é apenas para deixar mais agitado, relata. “Uma música calma pode te ajudar com o estresse de um engarrafamento, mas em uma estrada pode te provocar um estado de relaxamento maior, o que pode tirar o foco em algumas situações”, avalia.

Para a neurologista pós-graduada em psiquiatria, Lorena Bochenek, a relação sons e pilotagem pode ser positiva. “A música ou sons podem fazer parte de um ritual na hora de pilotar ou fazer outras atividades que demandam atenção”, comenta.

Ela reforça, no entanto, que “o cérebro não tem afinidade com várias atenções” e que é preciso atenção aos diversos estímulos que recebemos no trânsito. “Através de todos os nossos sentidos, nosso cérebro faz conexões que liberam neurônios.