Lideranças evangélicas reforçam apoio a Daniel Vilela após escolha de Luiz do Carmo para vice
15 agosto 2026 às 21h00

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A disputa pelo Governo de Goiás começa a ganhar contornos mais definidos também dentro das igrejas. Lideranças de diferentes denominações evangélicas do Estado vêm manifestando apoio à reeleição de Daniel Vilela (MDB) e avaliam positivamente a escolha do ex-senador Luiz do Carmo (PSD) para compor a chapa como candidato a vice-governador. Ligado à Assembleia de Deus Ministério Madureira e integrante de uma das famílias de maior influência política e religiosa do segmento em Goiás, o ex-senador é visto pelos líderes ouvidos pela reportagem como um nome capaz de ampliar a interlocução da candidatura com uma parcela numerosa e organizada do eleitorado.
As manifestações, embora tenham naturezas diferentes — em alguns casos são apoios pessoais dos pastores, enquanto em outros há sinalização de alinhamento de ministérios ou de grupos de lideranças — revelam uma tendência de aproximação de parte expressiva do segmento evangélico com o projeto de continuidade política associado ao atual governo. O argumento mais recorrente entre os religiosos é que Daniel representa a manutenção das políticas implementadas durante a gestão do ex-governador e agora candidato a presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD), especialmente nas áreas de segurança, educação, responsabilidade administrativa e programas sociais.
O peso desse eleitorado ajuda a explicar a relevância da movimentação. Segundo os números do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os evangélicos representam 32,6% da população goiana com 10 anos ou mais, percentual superior à média nacional. O grupo também apresenta perfil relativamente jovem: 56% dos evangélicos goianos têm menos de 40 anos.

O voto não é uma imposição
Mais do que um contingente demográfico, os líderes religiosos ouvidos descrevem as igrejas como uma rede social organizada, presente na capital e no interior, com capacidade de comunicação direta com milhares de pessoas. A influência, entretanto, não é apresentada pelos próprios pastores como uma determinação de voto. A maioria faz questão de afirmar que o fiel tem liberdade para escolher seu candidato, mas admite que a posição pública de uma liderança pode influenciar a decisão de parte dos membros.
É nesse ambiente que a escolha de Luiz do Carmo passa a ser considerada estratégica. Para os entrevistados, a presença de um nome identificado com o segmento evangélico na chapa governista cria uma ponte adicional entre Daniel Vilela e as igrejas, além de reforçar uma aproximação que já vinha sendo construída nos últimos anos.
Oídes vê Daniel preparado para dar continuidade ao governo
Entre os nomes de maior peso ouvidos pela reportagem está o bispo Oídes José do Carmo, presidente da Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus de Madureira no Estado de Goiás e uma das principais referências do meio evangélico goiano. Ele declarou confiança na capacidade de Daniel Vilela para assumir o comando do Estado e dar continuidade ao modelo administrativo desenvolvido durante os anos de governo de Ronaldo Caiado.
Eu tenho toda fé e confiança de que ele está preparado e maduro, após caminhar ao longo desses anos ao lado de Ronaldo Caiado, pois acompanhou o governo de perto. Vem de uma família que milita sempre na área política, afirmou.
O bispo também destacou a experiência acumulada por Daniel antes de chegar à vice-governadoria. Para ele, o governador reúne trajetória política e capacidade administrativa para assumir uma nova etapa do governo.
Ele já foi vereador, deputado estadual e federal. Em Brasília, ocupou um grande espaço quando era deputado. Daniel é um homem qualificado, preparado, simples, um homem do povo. Acredito que ele tem todas as condições de dar continuidade, e o discurso dele é correto. Certamente, reeleito, vai imprimir uma marca um pouco diferente, porque cada um tem a sua visão de governo, disse.
Oídes também ressaltou a juventude de Daniel Vilela como uma característica positiva. “Ele é jovem e nós estamos a merecer lideranças novas que surgem, que não dependam tanto do tradicionalismo da política. Ele está atualizado com os novos tempos e tem condição de fazer um governo moderno”, declarou.
A manifestação ganha uma dimensão adicional porque Oídes José do Carmo é irmão de Luiz do Carmo, escolhido para ser vice na chapa. Para o bispo, a indicação representa uma decisão acertada justamente por inserir na composição um nome com trânsito no meio evangélico.
O Daniel acertou na escolha. Luiz do Carmo é um homem preparado e representa um segmento muito forte e capaz de decidir uma eleição majoritária em Goiás, afirmou.
A relação familiar entre Oídes e Luiz do Carmo é, portanto, um dos pontos que conectam a discussão política à estrutura religiosa. A escolha do ex-senador não é vista apenas como uma decisão partidária, mas também como um movimento capaz de dialogar com um segmento que, conforme os próprios líderes entrevistados, possui presença significativa em Goiás.

Conselho de Pastores aponta apoio, mas ressalta liberdade dos fiéis
Presidente do Conselho de Pastores das Igrejas Evangélicas de Goiás, o apóstolo Cleôncio Satler também declarou apoio à reeleição de Daniel Vilela. Ele, contudo, faz uma ressalva importante: o Conselho reúne pastores de diferentes denominações e não existe uma posição obrigatória de todos os integrantes em relação às candidaturas.
Existem várias denominações e cada uma, às vezes, tem as suas preferências de candidaturas. Então, nesse ponto, o Conselho de Pastores não tem uma palavra para todos, explicou.
Ao falar de sua posição pessoal, porém, Satler é direto. “Sim, o Daniel Vilela é uma pessoa que está dando seguimento ao trabalho que Caiado fez, que teve aprovação da coletividade”, afirmou.
Para o apóstolo, a continuidade não se limita a uma questão eleitoral. Ele cita segurança, educação e saúde como áreas em que espera avanços durante uma eventual nova gestão.
“Eu creio que é um trabalho muito importante para a comunidade esse que o Daniel vai dar seguimento, como nas áreas da segurança, educação e saúde”, declarou.
Satler defende uma aproximação ainda maior do governo com as igrejas, especialmente pelo papel social exercido pelas instituições religiosas. Na avaliação dele, as denominações atuam em diversas áreas, como recuperação de dependentes químicos, acolhimento de idosos, atendimento a crianças, educação e assistência social.
“Uma das coisas que o Daniel Vilela pode e deve fazer também é estar perto dos evangélicos. Precismos avançar mais no trabalho espiritual, que engloba a recuperação de dependentes químicos, alcoólatras, crianças abandonadas e idosos que precisam de abrigo.”
Para ele, o segmento cristão possui força suficiente para interferir decisivamente em uma eleição majoritária. “Não resta dúvida. O segmento cristão tem um povo que dá para realmente decidir uma eleição”, disse.
Satler calcula que o Conselho tenha aproximadamente 3 mil pastores vinculados às diferentes igrejas do Estado, embora ressalve que o número ainda precisa ser atualizado e possa ser maior.

Luiz do Carmo é visto como “escolha inteligente”
Ao comentar especificamente a escolha do vice, o presidente do Conselho de Pastores classificou Luiz do Carmo como uma opção adequada para aproximar a chapa do eleitorado cristão.
“O Luiz do Carmo realmente é uma escolha inteligente do partido e desta comissão que realmente ventilou isso aí. Ele é um homem cristão e eu creio que precisa desse tempero. O evangélico tem que estar presente em todos os lugares”, afirmou.
Satler também destacou a atuação política da família do ex-senador e sua ligação com lideranças religiosas.
É uma família que realmente tem feito um bom trabalho, ficha limpa, e eu creio que realmente é uma boa escolha do nome do nosso irmão, amigo, cristão, disse.
O discurso do apóstolo reforça uma característica que aparece em praticamente todas as entrevistas: os líderes não tratam a escolha de Luiz do Carmo como uma decisão meramente partidária. A avaliação é de que o nome agrega uma identidade religiosa reconhecida e cria uma conexão adicional entre a candidatura e as igrejas.
Pastor Gentil Oliveira: apoio nasce de uma “coerência histórica”
Na Assembleia de Deus Ministério Bethel, o pastor Gentil Oliveira também declarou apoio a Daniel Vilela. O posicionamento, segundo ele, está relacionado a uma trajetória política construída ao longo de décadas e à identificação com administrações anteriores.
“Olha, primeiro, é uma coerência histórica. Eu sempre estive ao lado de Iris Rezende, Maguito Vilela, e o Daniel é uma continuidade de governos bem-sucedidos desses dois líderes importantes que nós tivemos em Goiás”, afirmou.

A entrada de Luiz do Carmo na chapa, segundo Gentil, acrescentou um elemento decisivo à escolha.
“Estávamos esperando uma definição. A entrada de Luiz do Carmo como vice, por ser evangélico e amigo de muitos anos, veio a somar na decisão de apoiarmos Daniel Vilela ao governo de Goiás”, disse.
O pastor, no entanto, faz questão de separar sua posição pessoal de uma eventual determinação para os membros da igreja. Para ele, liderança religiosa não significa obrigatoriedade eleitoral.
“Nós não impomos apoio amplo e restrito. Tomamos decisões, conversamos com alguns, mais próximos, e refletimos para […] um um compromisso pessoal em apoiar esse candidato”, explicou.
Gentil afirma que procura orientar os fiéis a observar coerência, valores e histórico dos candidatos, mas sem impor uma escolha.
“Eu sempre digo: ‘vocês são livres para votar em quem vocês acharem como o melhor candidato. Observe aqueles que defendem os nossos valores, que defendem os nossos princípios e que têm uma história como governante’”, afirmou.
O Ministério Bethel, segundo o pastor, reúne mais de 50 congregações e aproximadamente 15 mil membros em Goiás, com presença em diferentes municípios.
Ao avaliar a escolha de Luiz do Carmo, Gentil afirmou que a decisão foi correta justamente pela representatividade do segmento evangélico.
“Eu penso que a decisão foi correta. Correta no sentido de que o segmento evangélico é hoje muito representativo dentro do processo político, além de ser muito participativo”, declarou.
Para ele, a presença de um representante do segmento na chapa pode contribuir para aproximar Daniel de um eleitorado “forte e muito coeso”.
Presidente da Batista Renascer vê escolha de Luiz do Carmo como “muito pontual”
O pastor João Queiroz, presidente da Igreja Batista Renascer, também confirmou apoio à reeleição de Daniel Vilela. Ele afirma que seu posicionamento é pessoal, embora reconheça que parte dos membros da igreja deverá acompanhá-lo.
A principal razão apontada pelo pastor é a expectativa de continuidade das políticas implementadas durante o governo de Ronaldo Caiado, especialmente na segurança pública.

Eu acredito que o Daniel Vilela vai continuar algumas políticas do Caiado, sobretudo na questão de segurança. Porque, hoje, o nosso Estado tem gozado de segurança em face de outros estados com a criminalidade muito grande, afirmou.
João Queiroz também considera que o candidato à reeleição pelo MDB pode imprimir um perfil próprio à administração. “Acredito que, proporcionando essa oportunidade ao jovem Daniel Vilela, ele irá fazer um governo bem proativo e dinâmico. Acredito que ele tem condição de fazer isso. Primeiro porque ele aprendeu muito com o Caiado, sobretudo, ele aprendeu muito com o próprio pai dele”, declarou.
Na avaliação do pastor, Daniel Vilela assume um Estado em situação administrativa mais organizada e, justamente por isso, poderá avançar em áreas que ainda apresentam alguns gargalos.
“Eu acho que ele pode fazer muito mais, uma vez que ele pegou o Estado arrumado. Ele tem condição de fazer muito mais que o Caiado. E ele deve fazer”, afirmou.
Entre as prioridades, João Queiroz aponta uma atenção na área da saúde. “A nossa saúde ainda tem muito a melhorar”, disse, acrescentando que o poder público poderia investir mais para garantir atendimento adequado à população.
A relação com o eleitorado evangélico também aparece na análise. Embora diga não ter contato próximo com Daniel Vilela, o pastor avalia que o governador deverá manter a interlocução construída por Caiado com as igrejas.
Ele, inteligente como é, deve seguir a mesma linha de pensamento do Caiado, que realmente é um parceiro dos evangélicos, afirmou.
A Igreja Batista Renascer possui cerca de 15 congregações e, segundo o pastor, reúne entre 5 mil e 6 mil pessoas em Goiás.
Sobre Luiz do Carmo, João Queiroz foi categórico: “Eu acho que a escolha foi muito boa.”
Para ele, a presença de um candidato identificado com o segmento é coerente com o peso eleitoral das igrejas. “Porque, na verdade, o segmento evangélico define uma eleição majoritária no Estado e na capital. Por que não ter um candidato evangélico? Por isso vejo a escolha como coerente e razoável”, declarou.
“Voto mesmo é o segmento evangélico”, diz João Queiroz
O pastor também fez uma comparação entre a força eleitoral do segmento evangélico e a influência do agronegócio. Embora reconheça a importância econômica do agro, ele afirma que a capacidade de mobilização eleitoral das igrejas é diferenciada.
A força do agro no mundo dos negócios corporativos é muito grande. Mas voto mesmo é o segmento evangélico que vai dar, avalia.
Na avaliação dele, a comunicação realizada por meio de reuniões familiares, pequenos grupos e encontros internos das igrejas possui grande capacidade de mobilização.
“Aquelas reuniões em casa, grupos familiares, é o acaba fazendo diferença”, disse.
Ao analisar especificamente a ligação de Luiz do Carmo com a Igreja Assembleia de Deus, em Campinas, e com o bispo Oídes, João Queiroz considera que essa conexão amplia ainda mais o potencial da escolha.
“O Bispo Oídes é uma liderança inegável no Estado. Para mim é a maior liderança do segmento em Goiás. Um homem extremamente decente e íntegro.”
Ministério Vila Nova vê continuidade como principal argumento
Outro apoio relevante vem do pastor Josué Gouveia, presidente da Assembleia de Deus Ministério Vila Nova. Para ele, a principal razão para apoiar Daniel Vilela é justamente a continuidade do trabalho iniciado por Ronaldo Caiado.

“Nós apoiamos o Daniel Vilela porque ele vem da mesma linha do Caiado, que fez uma grande administração, mudou a história de Goiás no sentido da educação e da segurança. Esta, inclusive, é uma das grandes preocupações que o Brasil tem hoje.”
Josué também destacou a relação das lideranças evangélicas com o governo estadual. “Notamos o carinho que ele tem pelo segmento. Sempre está nos ouvindo. Isso fala muito na hora de fazer nossas escolhas”, disse.
Na avaliação do pastor, o papel social das igrejas é outro fator que aproxima o segmento do poder público.
O segmento sempre está ouvindo as demandas e participando ativamente da parte social, realizando um verdadeiro trabalho de recuperação de vida. Isso é de grande valor, observa.
O Ministério Vila Nova possui aproximadamente 300 congregações em Goiás e cerca de 25 mil membros, de acordo com o pastor.
Josué também admite que não há unanimidade dentro das igrejas. “Você não consegue nunca a unanimidade, ninguém consegue”, frisa. Apesar disso, segundo ele, uma parcela significativa das lideranças e dos membros acompanha a orientação construída internamente.

Luiz do Carmo pode ampliar a capilaridade da chapa
Para Josué Gouveia, a escolha de Luiz do Carmo representa uma vantagem justamente pela capilaridade das igrejas.
“Eu acredito que o Luiz do Carmo vem agregar, sim, pelo segmento. É um segmento forte, onde tende a somar muito com o Daniel.”
Segundo ele, a estrutura das denominações permite que uma mensagem política chegue simultaneamente a milhares de pessoas, inclusive em municípios do interior. “Até porque a igreja tem facilidade de comunicar com milhares de pessoas ao mesmo tempo”, disse.
Videira mantém apoio individual
Na Igreja Videira, o deputado estadual Cairo Salim (MDB) também declarou apoio ao projeto político de Daniel Vilela, mas fez questão de esclarecer que o posicionamento é individual e não representa uma orientação oficial da denominação.
“Como deputado da igreja, eu apoio o Daniel Vilela”, declarou.
Segundo Cairo, a Igreja Videira não costuma orientar oficialmente os membros sobre candidatos ao Executivo. “A igreja não dá alinhamento para os membros sobre em quem votar. Não existe isso”, afirmou.

Apesar disso, ele destacou a relação institucional existente entre a denominação e o governo estadual. “A Igreja Videira honra o governador Daniel Vilela no exercício do mandato dele. Nós temos muitas parcerias com o governo”, disse.
O posicionamento do deputado também ganha dimensão partidária porque ele deixou recentemente o PSD e se filiou ao MDB, partido presidido por Daniel Vilela em Goiás.
Outras denominações apontam tendência de continuidade
A reportagem também ouviu representantes de outras denominações. Na Igreja Deus é Amor, um pastor informou que a orientação nacional é para que os líderes não façam indicação política direta aos fiéis. Sob anonimato, entretanto, um dos líderes da denominação em Goiânia afirmou que a maioria dos membros apoiou Ronaldo Caiado e tende a seguir uma lógica de continuidade em relação a Daniel Vilela.

Segundo ele, praticamente todos os mais de 20 mil membros da denominação em Goiás teriam apoiado Caiado e há expectativa de que esse grupo mantenha a preferência pelo projeto político do emedebista.
Na Igreja Mundial do Poder de Deus, um pastor que também pediu anonimato informou que a denominação possui cerca de 25 mil membros no Estado. Segundo ele, existe, entre líderes e fiéis, a percepção de que Daniel Vilela representa a continuidade da administração iniciada por Ronaldo Caiado.
Há um sentimento de que Ronaldo Caiado fez um bom governo, afirmou.
Outro líder, ligado ao Ministério Luz para os Povos, também sob condição de anonimato, relatou que os principais dirigentes da denominação estariam alinhados ao projeto de Daniel Vilela. Segundo ele, conversas internas indicam uma tendência de apoio à proposta de continuidade.

As declarações, entretanto, devem ser lidas como manifestações de lideranças específicas e não como orientação institucional formal das denominações, sobretudo nos casos em que os próprios entrevistados ressaltaram a liberdade individual dos fiéis.
Daniel Vilela atende às expectativas do segmento
A Assembleia de Deus Catedral da Família também aparece entre as denominações que sinalizam apoio ao projeto de Daniel Vilela.
O pastor Salmo Diomar, presidente da igreja, afirmou que a denominação segue uma referência de liderança no Estado e que os sinais apontam para o apoio ao emedebista.
“As igrejas Assembleia de Deus de Goiás seguem uma liderança, que é o bispo Oídes José do Carmo. E está tudo sinalizando que seja Daniel Vilela”, declarou.
A Catedral da Família, segundo Salmo, está presente em, aproximadamente, 40 cidades goianas e reúne cerca de 10 mil membros no Estado.
Para Salmo, Daniel Vilela atende às expectativas do segmento. “Tenho visto ele como uma pessoa que satisfaz a preocupação, o propósito e a visão do meio evangélico”, declarou.

Antes da definição de Luiz do Carmo, o pastor havia citado o ex-senador e também do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha como nomes que poderiam representar o segmento.
“Qualquer um dos dois representaria muito bem o segmento evangélico. Considero que a escolha foi boa e poderá agregar muitos votos.”
Igrejas independentes também se aproximam
O apoio não se limita às grandes denominações. O bispo José Carlindo, líder de igrejas independentes em Goiás, afirmou que parte significativa dessas instituições demonstra inclinação favorável ao projeto do governador.
As igrejas poderão estar junto com o projeto do Caiado, que é a eleição de Daniel Vilela, declarou.
Segundo ele, a tendência aparece especialmente em igrejas independentes de Goiânia, Aparecida de Goiânia e municípios do interior.
José Carlindo vê Daniel Vilela como um candidato associado à continuidade administrativa e com menor grau de enfrentamento ideológico.
“Eu acredito que ele fará um governo com uma porcentagem muito grande de continuidade do trabalho realizado por Caiado. Como o governo anterior teve uma base muito grande das igrejas e indicou Daniel Vilela, essa indicação tem funcionado”, afirmou.
O bispo também resumiu a preferência de parte do segmento como uma escolha pelo menor risco.
“Daniel Vilela representa aquilo que é firme, que é menos risco. Goiás entrou em um nível de avaliação muito boa em áreas-chave. Eu acredito que o meio cristão e evangélico tem uma tendência, sim, de apoiá-lo”, disse.

Diferença de perfil entre Daniel Vilela e Wilder Morais
José Carlindo também fez uma distinção entre Daniel Vilela e o senador Wilder Morais (PL), apontado como representante de uma parcela mais identificada com o bolsonarismo em Goiás.
O Daniel Vilela não representa uma luta mais ideológica. Ele pretende governar para todos com diálogo, responsabilidade fiscal e sem rupturas doutrinárias. Já o Wilder Morais parece representar uma visão mais ideológica, declarou.
O líder religioso também considera a trajetória política de Daniel um diferencial. “Apesar de jovem, ele já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e vice-governador. Ele vem de uma raiz política muito expressiva no Estado de Goiás”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que as igrejas não trabalham, necessariamente, com imposição de candidaturas.
Quando candidatos defendem os princípios da palavra de Deus, as chances de terem nosso apoio são muito grandes. Até o momento, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela caminham nessa direção, disse.
Em relação à escolha de Luiz do Carmo, José Carlindo considera importante ter um evangélico na chapa. “Para nós, evangélicos, ter um representante nosso como vice de Daniel Vilela é importantíssimo. Foi uma escolha inteligente”, avalia.
Fama e Esperança também declaram apoio
Na Assembleia de Deus Ministério Fama, o pastor Abgail Filho, vice-presidente da denominação, ressaltou a relação construída entre as igrejas e o governo estadual.
“Temos uma parceria muito bonita. Tudo nos leva a crer que vamos caminhar tanto com Daniel Vilela para governador quanto com Ronaldo Caiado”, afirmou.

O pastor acrescentou que o segmento acompanha o cenário político também sob uma perspectiva religiosa.
“O movimento evangélico tem orado para que esse projeto seja conforme o coração de Deus. Nada acontece na política se não for pela vontade d’Ele”, declarou.
O pastor entende que a escolha de Luiz do Carmo aproxima ainda mais o segmento de Daniel Vilela. “A decisão pelo nome do nosso irmão Luiz do Carmo trará uma aproximação ainda maior dos evangélico ao projeto do governador”, observa.
Na Assembleia de Deus Esperança, o presidente da denominação, pastor Romeu Ivo, foi ainda mais explícito ao manifestar apoio à candidatura de Daniel.
A candidatura do governador Daniel Vilela e em relação à candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência são de suma importância para o Brasil e para o meio evangélico. Daniel é gente nossa, tem dado prova de que sabe governar e ama o Estado de Goiás. A igreja que represento é 100% Daniel Vilela para o governo, afirmou.
Romeu Ivo também chama atenção para uma forma de comunicação que, segundo ele, é característica das igrejas: o contato direto e cotidiano entre lideranças e membros.

“A igreja tem o potencial de fazer uma conscientização nos trabalhos que são feitos em grupos. Ela tem essa facilidade de dialogar com a membresia sobre qualquer assunto”, disse.
Assim como os outros líderes, Romeu Ivo destaca a escolha de Luiz do Carmo. “O Luiz é nosso irmão e amigo. Um homem preparado para assumir tamanha responsabilidade. O segmento evangélico merece esse voto de confiança”, considera.
Apoio não significa unanimidade
Apesar do número de manifestações favoráveis, os próprios pastores entrevistados rejeitam a ideia de que o apoio das lideranças possa ser automaticamente convertido em votos.
Esse cuidado aparece de forma recorrente nas entrevistas. O pastor Gentil, por exemplo, afirma que sua posição é pessoal e que os fiéis são livres para escolher. Cleôncio Satler ressalta que o Conselho de Pastores reúne denominações distintas e não fala em nome de todos. João Queiroz também reconhece que a membresia está mais informada e possui autonomia para decidir.
O ponto de convergência é outro: as lideranças admitem que uma posição pública de um pastor pode influenciar parte dos fiéis, especialmente quando existe uma relação de confiança construída durante anos.
O pastor Gentil resumiu essa lógica ao afirmar que os fiéis observam a coerência do líder antes de decidir se irão acompanhá-lo. Segundo ele, a influência acontece pelo convencimento e não pela imposição.
Essa mudança também é reconhecida por João Queiroz. Para o pastor, a membresia atual está mais informada e não segue automaticamente uma orientação política. Ainda assim, uma liderança considerada equilibrada e sensata pode ter peso na decisão.
O cenário, portanto, não é de uma transferência automática de votos das igrejas para Daniel Vilela, mas de uma rede de apoio político formada por lideranças que possuem capacidade de comunicação direta com seus membros e que, em diferentes graus, manifestam preferência pelo projeto de continuidade.

Uma chapa que busca consolidar a ponte com os evangélicos
A escolha de Luiz do Carmo acrescenta uma dimensão específica a esse movimento. Ao contrário de uma candidatura externa ao segmento, o ex-senador tem ligação direta com a Assembleia de Deus Ministério Madureira e pertence a uma família com forte presença no ambiente religioso de Goiás.
É justamente essa característica que aparece nas avaliações de Oídes José do Carmo, Cleôncio Satler, Gentil, João Queiroz, Josué Gouveia e Salmo Diomar. Para os líderes, a escolha agrega representatividade e cria um canal de comunicação adicional com as igrejas.
A avaliação é especialmente significativa porque vários dos entrevistados destacam a capilaridade das denominações. O Ministério Vila Nova, por exemplo, informa ter aproximadamente 300 congregações e 25 mil membros em Goiás. O Ministério Bethel cita mais de 50 congregações e cerca de 15 mil membros. A Igreja Batista Renascer fala em mais de 15 congregações e até 6 mil pessoas. A Catedral da Família, por sua vez, está presente em cerca de 40 municípios e reúne aproximadamente 10 mil membros.
Esses números não significam que todos esses fiéis votarão em Daniel Vilela. Tampouco representam, necessariamente, cadastros eleitorais ou títulos ativos. Mas ajudam a dimensionar a estrutura social e territorial das organizações que estão manifestando apoio ao projeto político.
A força está, portanto, menos em uma suposta capacidade de “entregar votos” e mais na possibilidade de levar uma mensagem política a redes que já existem, funcionam cotidianamente e estão espalhadas pela capital e pelo interior.
Continuidade é a palavra-chave
A justificativa mais repetida pelos líderes é a continuidade. Daniel Vilela é apresentado como alguém que acompanhou de perto a administração de Ronaldo Caiado e que teria condições de preservar os avanços reconhecidos pelos religiosos, ao mesmo tempo em que imprimirá sua própria marca ao governo.
Segurança pública aparece como um dos principais pontos de aprovação. Educação, saúde, responsabilidade administrativa e políticas sociais também são citadas.
A segurança, em particular, é apontada por João Queiroz como uma das principais razões para apoiar Daniel Vilela. Josué Gouveia também coloca a área entre as maiores preocupações da população e associa a candidatura à continuidade das ações implementadas por Ronaldo Caiado.
Já Cleôncio Satler chama atenção para a necessidade de ampliar investimentos em saúde e para a manutenção de medicamentos e atendimento às pessoas mais carentes.
Os líderes também cobram avanços. O apoio não é apresentado como um cheque em branco. João Queiroz, por exemplo, afirma que Daniel Vilela poderá fazer mais justamente porque receberá um Estado organizado.
Esse equilíbrio entre continuidade e mudança aparece como uma das principais características do discurso religioso favorável ao emedebista.
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