Novamente o aplicativo de mensagens Telegram entra na mira das autoridades. Desta vez, por permitir a divulgação de pornografia infantil e não colaborar com investigação policial. Apenas em São Paulo, neste ano, há 129 denúncias de conteúdos contendo abusos de crianças paradas por inércia da empresa.

De acordo com a Delegacia de Combate à Pedofilia, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) paulista, todas as denúncias são de venda de conteúdo pornográfico em grupos do Telegram. O material é composto de fotos e vídeos. Neles, crianças e adolescentes aparecem em situações de abuso sexual (estupro) cometidos por pedófilos.

Segundo a Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), em 2022, o número de denúncias foi de 339. No entanto, as autoridades conseguiram identificar, no total, 468 casos, só na plataforma de mensagens.

Telegram e deep web  
A polícia revela que, diferentemente do WhatsApp, no Telegram o número de telefone de desconhecidos não aparece. Isso seria uma das principais dificuldades para a identificação de criminosos. O problema aumenta quando nos grupos centenas de usuários se concentram para trocar mensagens.

Além disso, o aplicativo de mensagens é utilizado de maneira aberta, o que permite qualquer usuário do “submundo virtual” hospedado na chamada deep web (zona online difícil de ser detectada ou rastreada pelos buscadores tradicionais). É nesse ambiente que os criminosos sexuais se aproveitam do anonimato para compartilharem e comercializarem conteúdos de abusos sexuais infantis.

Investigações apontam que na deep web os pedófilos organizados em grupos adquirem imagens e vídeos. Uma imagem, por exemplo, estupro de uma criança pode custar até US$ 100 (cerca de R$ 500), isso se a imagem for comprovada que é inédita ou pouco difundida entre o “grande público”.