O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve concluir nesta sexta-feira, 9, o julgamento do recurso que pode decidir quem ficará, em definitivo, no comando do Partido Republicano da Ordem Social (Pros). O atual presidente, Eurípedes Júnior, e seu antecessor, Marcus Holanda, disputam a presidência da legenda, que integra a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

O julgamento teve início no último dia 2, no plenário virtual do TSE. Nesse formato, os ministros vão protocolando seus votos sobre o caso em questão, até formar maioria em torno de uma decisão. A disputa pelo comando nacional do Pros remonta ao início deste ano, com Eurípedes e Holanda se revezando na presidência da legenda em meio a um vaivém de decisões judiciais favoráveis ora a um, ora a outro.

Em meio à disputa, chamou a atenção o repasse de recursos do Fundo Partidário, efetuado sob a presidência de Eurípedes, para candidatos que tiveram resultados inexpressivos nas eleições gerais deste ano. Diversos candidatos com baixíssimo número de votos – muitos deles tiveram menos de 500 votos – receberam R$ 18 milhões para financiar suas campanhas.

As suspeitas apontam para candidaturas de fachada e a Polícia Federal entrou no circuito para apurar. O inquérito tramita em sigilo, mas foram identificados casos de candidatos com recursos públicos e votações inexpressivas em 13 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo) e no Distrito Federal.

No último dia 30 de novembro, Polícia Federal realizou uma operação no Amazonas, na qual foi registrado um dos casos com maior suspeita de desvio de recursos públicos do fundo eleitoral repassados pelo Pros. O alvo da operação foi a candidata a deputada federal Adriana Mendonça e seu ex-marido Henrique Oliveira, ambos beneficiados com recursos públicos do PROS nas eleições de 2022.