O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 31, que, se seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, for considerado culpado pela Justiça, responderá “como o filho de qualquer pessoa” e “não vai ficar escondido”. A declaração foi dada após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizar a abertura de um inquérito para investigar o empresário por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

A investigação apura se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações com o Ministério da Saúde. A Polícia Federal investiga se o empresário teria intermediado o acesso do lobista à pasta, o que pode configurar os crimes de tráfico de influência e corrupção.

A suspeita está relacionada às tratativas para um contrato da World Cannabis, empresa ligada a Antunes, para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao governo federal entre 2024 e 2025. O negócio, entretanto, nunca foi concretizado.

Segundo a investigação, Lulinha seria sócio do Careca do INSS em empreendimentos ligados à cannabis medicinal. Os investigadores também apuram se Antunes contratou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, com o objetivo de ampliar as oportunidades de negócios da World Cannabis junto ao governo federal.

Antônio Carlos Camilo Antunes também é apontado pela Polícia Federal como um dos principais investigados no esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões apurado na Operação Sem Desconto. Apesar das tratativas, o Ministério da Saúde informou que nunca manteve contato com a World Cannabis e que não houve qualquer repasse de recursos públicos à empresa.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que o novo inquérito foi instaurado porque a Polícia Federal não encontrou irregularidades envolvendo o filho do presidente na investigação sobre as fraudes no INSS. Segundo ele, Lulinha já comprovou que não possui qualquer relação com o instituto nem com os negócios de Roberta Luchsinger.

“A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave”, afirmou o advogado.

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