A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realiza, nesta segunda-feira, 21, um encontro com os pré-candidatos à Presidência da República. O evento conta com a participação de Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Lula da Silva (PT) e Renan Santos (Missão) foram convidados, mas não declinaram da participação, segundo a organização do evento.

Durante a abertura, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destacou que o evento tem como objetivo apresentar as demandas e propostas importantes para dar continuidade ao desenvolvimento do segmento no Brasil.

Durante o seu discurso, Alban fez uma fala em que ressaltou, por diversas vezes, a preocupação do segmento com a economia brasileira. Aos pré-candidatos foi entregue uma cartilha denominada “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”, que traz a indústria como eixo central do desenvolvimento nacional. Segundo ele, a retomada da indústria de transformação é uma estratégia para o crescimento econômico. Para ele, há uma relação direta entre industrialização, produtividade e aumento da renda. Ele trouxe ainda que países desenvolvidos possuem setores industriais fortes e competitivos.

“Não haverá salto consistente de renda e qualidade de vida sem uma indústria forte, moderna e integrada às cadeias globais de valor”, destaca.

Alban ainda explicou os três pilares que o documento vai levar em consideração. O primeiro é a política macroeconômica favorável ao crescimento. Isso consiste na necessidade de juros menores, câmbio competitivo e ambiente fiscal equilibrado, além da defesa do controle de gastos públicos e da flexibilização orçamentária.

O segundo é o desenvolvimento produtivo, consolidando a política industrial como política de Estado. Segundo Alban, isso significa incentivos à inovação, transformação digital e descarbonização.

“A estabilidade econômica é importante, mas sozinha não será capaz de levar o Brasil ao seu pleno potencial de desenvolvimento.”

Além disso, ele pontua a redução do Custo Brasil, que consiste nos entraves que aumentam os custos de produção. O objetivo é melhorar o ambiente regulatório e de negócios.

“Eliminar o Custo Brasil é condição indispensável para tornar nossas empresas mais competitivas e atrair investimentos.”

Desindustrialização

Alban ainda destacou os riscos da queda da participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB). O documento traz que a indústria de transformação respondia por 35,9% do PIB em 1985 e hoje representa apenas 13,7%. Isso, de acordo com a CNI, representa uma queda de 10,2% da produtividade total entre 2000 e 2024.

“A desindustrialização não afeta apenas as empresas; ela reduz oportunidades, enfraquece a produtividade e limita o crescimento da renda da população.”

Alban reforçou ainda a necessidade de institucionalizar a política industrial. Ele chegou a comparar com o agronegócio, que possui planejamento de longo prazo e marcos regulatórios estáveis. Ele defende ainda a ampliação do uso das compras públicas para fortalecer a indústria nacional.

“O Brasil precisa tratar sua política industrial com a mesma previsibilidade e estabilidade que garantiram o sucesso de outros setores estratégicos.”

Ainda durante a sua apresentação, o presidente demonstrou preocupação com práticas desleais de comércio internacional e destacou a necessidade de mecanismos mais rápidos de proteção à indústria nacional.

“Sem instrumentos eficazes de defesa comercial, a indústria brasileira continuará vulnerável à concorrência desleal e aos subsídios externos.”

Ele elencou ainda a educação e a formação profissional, além da melhoria da qualidade da educação. Alban também defende o fortalecimento do ensino técnico e profissionalizante e o incentivo às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

“Nenhuma estratégia de desenvolvimento será sustentável sem investir na formação das pessoas que irão liderar a economia do futuro.”

Brasil como potência verde e digital

O presidente ainda destacou o aproveitamento da matriz energética limpa e da biodiversidade. Para ele, as políticas públicas devem levar em consideração a transformação dessas vantagens em oportunidades econômicas.

“Temos condições únicas para liderar a transição verde e ocupar espaço relevante na nova economia global.”

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