A pré-candidata ao Senado pelo PSB, Isaura Lemos, reconheceu que a demora do PT em definir um nome para disputar o Governo de Goiás acabou prejudicando a organização da esquerda para as eleições de 2026. Em entrevista ao Jornal Opção, a ex-deputada estadual afirmou que a expectativa em torno de uma eventual candidatura da deputada federal Adriana Accorsi ou da vereadora Aava Santiago retardou o lançamento de outro nome e fez o campo progressista perder tempo na construção do projeto eleitoral.

Segundo Isaura, a indefinição não favoreceu a estratégia da esquerda, principalmente porque os principais adversários já estavam em pré-campanha enquanto a federação formada por PT, PCdoB e PV ainda discutia quem representaria o grupo na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.

“Eu considero que houve uma demora e que ela não favorece a esquerda”, afirmou a ex-parlamentar. Para ela, a expectativa de que Adriana Accorsi ou Aava Santiago aceitassem disputar o governo prolongou as negociações internas. “Demorou-se muito para lançar outro nome, porque ainda havia a esperança de que o presidente Lula determinasse se seria a deputada Adriana ou a Aava quem iria disputar o governo pela esquerda em Goiás”, disse.

A avaliação chama atenção por partir de uma das principais lideranças históricas da esquerda goiana. Depois de décadas no PCdoB, Isaura se filiou recentemente ao PSB para disputar uma vaga no Senado e hoje participa diretamente da articulação entre os partidos que integram a frente progressista.

Adriana e Aava eram consideradas os nomes mais fortes

Na entrevista, Isaura afirmou que, dentro da esquerda, havia consenso de que Adriana Accorsi era o principal nome para disputar o governo estadual, seguida por Aava Santiago. No entanto, segundo ela, ambas demonstraram preferência por manter seus projetos eleitorais já em construção: Adriana buscando a reeleição para a Câmara dos Deputados e Aava disputando uma vaga de deputada federal.

“Tanto a Adriana quanto a Aava têm condições políticas, legitimidade e representatividade para serem candidatas ao governo”, afirmou.

Apesar disso, Isaura ressaltou que respeita a decisão das duas lideranças e considera legítimo que tenham optado por outros caminhos políticos.

Luis Cesar assume protagonismo

Com a desistência das duas principais apostas da esquerda, o PT oficializou o nome do ex-deputado Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao Governo de Goiás.

Para Isaura, a definição encerra um período de incertezas e permite que os partidos concentrem esforços na construção da chapa majoritária. Ela afirmou que o petista agora coordena as negociações para composição entre PT, PSB, PDT e os partidos da Federação.

A ex-deputada também defendeu a manutenção da unidade entre as legendas e disse acreditar que a esquerda deve chegar ao processo eleitoral com uma candidatura única ao Senado, evitando a fragmentação dos votos.

Corrida começou em ritmos diferentes

Enquanto a esquerda discutia internamente sua estratégia, outros grupos políticos já haviam colocado seus principais nomes em campo. Daniel Vilela (MDB), Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB) iniciaram a pré-campanha meses antes da definição petista, ampliando o período de exposição pública e de articulação política.

Na avaliação de Isaura, esse descompasso representou uma desvantagem para o campo progressista. Embora afirme que ainda há tempo para consolidar o projeto eleitoral, ela admite que a demora reduziu o espaço para organizar a campanha e apresentar a proposta da esquerda ao eleitorado goiano.

Agora filiada ao PSB, Isaura disputará uma vaga ao Senado e aposta na unidade entre os partidos aliados para fortalecer o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás nas eleições de 2026.

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