*Com informações de Cilas Gontijo

Nesta quarta-feira, 19, a Câmara Municipal de Goiânia recebeu uma audiência pública, promovida pela vereadora Kátia (PT), para pensar melhorias no projeto da prefeitura “Morar no Centro”. A vereadora reconhece o avanço presente na proposta da prefeitura, mas afirma que é necessário avaliar melhor os impactos econômico além de pensar a situação de forma mais completa, para além do subsídio do aluguel.

Kátia declarou “O Centro carece de unidade de saúde, não possui CMEIs suficientes, precisa de mais segurança, mobilidade e assistência social. A reocupação precisa vir acompanhada dessas garantias”. Diante dessa preocupação, a audiência conta com a participação de representantes da prefeitura, moradores, comerciantes, especilistas, representantes do setor imobiliário e movimentos sociais.

O Jornal Opção ouviu participantes da audiência, Renato Rocha, arquiteto e urbanista, afirmou que as expectativas estão altas “O projeto dela realmente vem agregar, ele traz as pessoas que se envolvem no centro, não só moradores, mas também pessoas que convivem no centro, seja trabalho, e que eu acho que também ele vem a somar. Tudo é importante que venha a somar, importante que não tenha nada contrário”.

Ele também explicou o diferencial do centro “O centro, diferentemente dos outros bairros de Goiânia, ele é o único que tem aquele caráter turístico. Você tem a Praça do Sol, a Praça do Tamnadaré no sul e do oeste, tem alguns locais de Goiânia pontuais que recebem turistas. Mas, quando você pega alguém de fora, deveria vir para o centro. Você tem os edifícios históricos, você tem a história da cidade”.

Áureo Rosa, comerciante da região, afirm que o projeto é fundamental “Realmente, uma prática urbanística que faz sentido no Brasil inteiro povoar, adensar as regiões que já têm infraestrutura já tem transporte público, outras infraestruturas que a moradia requer e trazer mais gente para o centro a gente retarda esse processo de abandono que a gente vê durante muitas décadas”.

Ele também afirma que é preciso pensar as relações das pessoas com a infraestrutura e serviços público locais “Tem que ter essa previsão de nove mil pessoas, já foram ditas duas mil famílias, como é que essas famílias vão entrar no centro? Onde que elas vão morar? Qual que vai ser a convivência delas ali com os equipamentos públicos?”.

O Tenento-Coronel, Jhonatan Tarney, do 38º batalhão responsável pelo policiamento da região central de Goiânia disse que os problemas de violência no centro decorrem da presença de pessoas em situação de rua e regiões abandonadas e explica o que tem sido feito para melhorar a situação “Nesse viés a gente tem feito muitas parcerias com a prefeitura de Goiânia a gente tem parceria com a SEMAS para enviar moradores de rua para a reabilitação, para serem acolhidos, a gente tem fechado ambientes que estão de forma irregular, comércio de forma irregular e para além disso a gente tem uma atividade de inteligência muito forte realizando prisões flagrante do microtráfico”.

Ele também ressaltou que o centro é um local seguro ” o centro é seguro, eu entro aqui com praticamente 18 viaturas por dia então a segurança do centro é muito boa, o problema é que como é uma área comercial, durante o dia, ela tem grande movimentação e à noite cai esse movimento”. Por essa queda de movimento o policial diz que o retorno de moradores para povoar a área ira mitigar ainda mais os problemas de segurança.

Por fim, em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, a vereadora Kátia explica que não basta inchar a região sem pensar políticas públicas. Ela ressaltou a ausência de CMEI’s na região e declarou “A mãe solo precisa saber onde ela vai deixar a criança dela para ela ir trabalhar”.

Kátia também falou sobre a situação dos idosos “Os idosos, lá está priorizando idosos, eu também sou a favor de priorizar idosos. Porque o centro já tem uma população idosa, porque é um bairro que traz a memória, a cultura. Mas hoje nem os idosos que estão aqui não tem nem um posto de saúde, tem que ir para o universitário, tem que ir para Vila Nova, tem que ir para Campinas, não tem um centro de convivência”.

Visão de um morador

“Eu já vi muitos debates, muitos projetos e nunca vi nenhum caminhar. Eles são praticamente natimortos. Mas eu acho que seria uma ótima ideia revitalizar o centro — saindo do papel. O maior problema hoje é a falta de segurança. Porque ali tem tudo: pizzaria, restaurante, supermercado, farmácia. Tudo que eu preciso está em volta de casa. E tudo que eu não preciso também, que são os usuários de droga que se misturam aos moradores de rua.”

“Eu acho que falta iluminação. Onde está escuro tem muito morador de rua e usuário de droga; onde está claro, não tem. Se você andar em grandes centros, vê lojas iluminadas à noite, fachadas bonitas, vida na rua. O centro já foi assim. Eu moro lá desde 1975 e seria um sonho rever isso de novo. Se revitalizar aquilo ali, chama de volta quem foi embora por falta de opção de moradia boa”, afirmou Fernando Jardim, morador do Centro há mais de 50 anos.

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