O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se tornou um pesadelo para a extrema direita brasileira. Depois de cassar o deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR), o ex-coordenador da poderosa força-tarefa da Operação Lava Jato, com sede em Curitiba, os ministros concentram as munições contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A corte está formando maioria para julgar e retirar os direitos políticos do ex-presidente por oito anos.

O julgamento no TSE é uma ação ajuizada em agosto de 2022 feita pelo PDT. Nela, Bolsonaro é acusado de abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação do Estado. A peça se baseia nos discursos do então presidente contra o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e o próprio TSE. Um desses casos foi a reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada transmitida pela TV pública, em 18 de julho de 2022.

Nos corredores do tribunal, conforme apurou a Carta Capital, o comentário é que o corregedor-geral, ministro Benedito Gonçalves, preparou um voto contundente e robusto contra o ex-presidente. Para se ter ideia, são mais de 400 páginas. O texto é para tornar Bolsonaro culpado da acusação. Assim, como não está mais no poder, não pode ser punido com cassação do mandato, porém pode ter os direitos políticos.

Dado o ritmo do TSE, caso haja essa decisão, será um julgamento em tempo recorde para este tipo de caso. Vale recordar que o Tribunal levou três anos para concluir uma ação movida pelo PSDB contra a chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Essa reclamação era referente à eleição de 2014. No final, a dupla foi absolvida por 4 votos a 3.

Leia mais: Cassado, Deltan Dallagnol circula por Curitiba em carreata esvaziada

Agora, tudo sinaliza para uma derrota iminente. O placar deve ficar em 5 a 2 contra Bolsonaro. O tribunal tem uma dinâmica própria, que diferente de outras instâncias do Judiciário, a composição altera com frequência. De sete membros titulares, três são oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF), dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois são advogados. Eles exercem mandatos de dois anos, podendo ser renovado por mais dois.

Novos ministros
Com mandatos nos últimos dias, os membros-advogados, Sérgio Banhos e Carlos Horbach, indicados por Michel Temer, em 2017, para ficar no banco de reservas, com sete cadeiras, eles alçaram ao posto de ministros-titulares por meio de Bolsonaro, após encontro no Palácio da Alvorada, em 2021, às escondidas.

Ambos serão substituídos por novos indicados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Um dos nomes mais contatados para o cargo é o professor de Direito Floriano de Azevedo Marques. Ele é ex-diretor da Faculdade de Direito da USP. Essa escolha seria em comum acordo entre o governo petista e o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, de quem Marques é amigo. 

Leia mais: Com Deltan cassado quem assume a vaga? Cabe recurso? Entenda