Circulam nas redes sociais vídeos que mostram a Av. Paulista lotada de pessoas vestidas com roupas nas cores verde-amarela e com bandeiras do Brasil ou até de Israel. Ainda que a concentração tenha começado pela manhã, o ato está marcado para às 15h. O evento convocado pelo próprio ex-presidente ocorre em meio às investigações da Polícia Federal (PF) contra ele por possível tentativa de golpe de Estado.

Privadamente, lideranças políticas que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro vêm expressando preocupações sobre a possível perda de controle sobre os participantes e a exibição de mensagens e discursos que ataquem o Supremo Tribunal Federal (STF). “Isso poderia até agravar a situação de Bolsonaro, atualmente suspeito no inquérito que investiga uma tentativa de golpe de Estado”, disseram.

O senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil, pediu nas redes sociais que os bolsonaristas extremistas, conhecidos como “lacradores”, evitassem o evento. Bolsonaro convocou seus seguidores para um “ato pacífico, em defesa do Estado Democrático de Direito”, destacando a importância da liberdade, família e futuro.

O evento foi associado por Ciro Nogueira a uma reunião familiar, alertando para a não aceitação de ataques e ofensas. Deputados bolsonaristas foram orientados a custear suas despesas e a não utilizar recursos públicos da cota parlamentar da Câmara. De acordo com o governo federal, a Polícia Federal e ministros do Supremo estarão atentos ao acontecimento.

Em meio às intimações a Bolsonaro e outros membros de seu governo, suspeitos no inquérito sobre a tentativa de golpe, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, suspendeu os salários de membros como o general Braga Netto.

A mobilização para o evento envolve dezenas de caravanas de diferentes estados, evidenciando um interesse eleitoral na organização.

Dois trios elétricos, que podem reunir até 170 pessoas juntos, serão palcos para discursos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve abrir o ato com uma oração.

Na sequência, estão programadas falas dos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG), bem como dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Magno Malta (PL-ES). Ainda não se sabe se os governadores vão falar e nem por quanto tempo. O pastor Silas Malafaia e Bolsonaro devem encerrar o ato, por volta das 17h.

Um relatório do Laboratório de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia apontou que a rede bolsonarista no Telegram está mobilizada e a favor da manifestação, lembrando eventos passados, inclusive o 8 de janeiro. Mensagens analisadas levantam teorias de conspiração, inclusive o receio de uma possível prisão de Bolsonaro durante o protesto.

*Com informações do Correio Braziliense