Ao menos 11 vereadores da Câmara de Goiânia pretendem trocar de legenda na próxima janela partidária, que vai do dia 7 de março a 5 de abril. Ao Jornal Opção, os parlamentares revelaram seus planos. Embora o número de “infiéis partidários” represente quase um terço do total de 35 parlamentares, a maioria dos demais se mostra confortável com sua agremiação.

Dentre os principais motivos apontados por aqueles que estudam trocar de sigla estão: o risco de que não haja formação de chapa competitiva (lê-se: número suficiente de candidatos para alcançar o quociente eleitoral); cumprimento da cota de gênero (ausência de candidaturas femininas consistentes); estrutura financeira; e o fato de que alguns partidos criaram tetos de votação para cada a integrante, o que deixa de fora quem supere essa quantidade.

A janela partidária representa um período de 30 dias durante o qual os detentores de cargos eletivos obtidos em pleitos proporcionais podem trocar de partido sem perder seus mandatos. Essa regra consta na Lei dos Partidos Políticos (nº 9.096/95) e é reconhecida como uma justa causa para desfiliação partidária, desde que realizada dentro desse intervalo específico.

Por outro lado, há os vereadores mais satisfeitos com os seus partidos. Os destaques são: Kátia Maria, do PT; Henrique Alves e Anselmo Pereira, ambos do MDB; e Aava Santiago, do PSDB. Eles reforçam a fidelidade com a identificação ideológica partidária, as bandeiras que defendem e o histórico pessoal na sigla.

Confira quem pode mudar de partido (por ordem alfabética)

1 – Igor Franco (Solidariedade)

“Estou definindo ainda, mas eu, com certeza, sairei do Solidariedade. Até porque, comigo lá, eles têm dificuldades em montar chapa. É que tem um teto, acho que de 3.500 votos. E eu tive 4.179. Então, estou acima do teto”

Igor Franco disse que tem convite do MDB, PSD e União Brasil. “Tive do Republicanos também, mas 100% descartável. Não tenho nem vontade de estar no partido deste prefeito [Rogério Cruz], não”, arrematou.

2 – Joãozinho Guimarães (Solidariedadee)

“Eu dependo de formação de chapa, porque às vezes você está em um partido e tem um grupo de candidatos, mas não tem a chapa completa. Se o Solidariedade formar chapa completa e for boa, a minha vontade é ficar no Solidariedade, mas depende disso”, disse

3 – Jaiminho (Avante)

“Estou estudando algumas possibilidades, como todos os pré-candidatos. Por enquanto, eu penso somente em aproveitar esses quatros meses de mandato como se fosse quatro anos”, frisa.

4 – Léo José (Republicanos)

Embora apareça no portal da Câmara como sem partido, Léo José disse que segue filiado ao Republicanos, mas irá sair na primeira oportunidade. Ele cogita integrar ao Solidariedade ou Cidadania.

5 – Lucíula do Recanto (PSD)

Lucíula contou que deve deixar o PSD e já teve conversas prévias com o Republicanos. Ela se surpreende que nenhum outro partido tenha lhe procurado para propor filiação na janela partidária.

“É uma resistência com a tal da mulher, que vou te falar. Eu particularmente não fui chamada ainda [por partidos]. Eu tive uma breve conversa com a Sabrina, à respeito do Republicanos, mas nada sério, algo bem informal”, cita.

6 – Pastor Wilson (PMB)

“Estou aguardando presidente Santana [Gomes] falar comigo para tomar alguma decisão”

7 – Pedro Azulão Jr (PSB)

“A gente tem que manter uma neutralidade nessa decisão. Eu torço muito para que o PSB forme uma chapa. Se realmente tiver uma chapa competitiva. Mas, até o mês de março irei tomar essa decisão”

8 – Paulo Henrique da Farmácia (Agir)

Paulo Henrique da Farmácia retornou ao mandato recentemente na Casa, mas para tentar a reeleição estuda trocar o atual partido: “Estou em conversa com o PP e o Solidariedade”.

9 – Sargento Novandir (Avante)

Ao indicar problemas como risco de descumprimento de cota de gênero, uma vez que segundo Sargento Novandir, o Avante responde na Justiça por esse motivo. Ele pretende buscar um partido tradicional, por segurança. “Eu fui até convidado pelo Daniel Vilela (vice-governador e presidente do MDB) para participar. Assim, o que tem mais em vista que possa dar certo é no MDB mesmo”, afirma. Porém, o vereador disse ter conversado com outros presidentes de partidos.

10 – Sandes Júnior (PP)

“Quando abrir a janela em março é certeza que vou sair do PP”, salientou, sem citar possíveis partidos como destino.

11 – Wellington Bessa (DC)

Bessa ressaltou que teve dois convites: um do MDB e outro do Podemos, com “grande possibilidade” de aceitar um deles. “Hoje, ainda estou filiado ao Democracia Cristã, não tive nenhuma conversa com o presidente sobre permanecer, mas recebi convite do Podemos, por meio do deputafo federal Glaustin [da Fokus]”, ressaltou.

Confira quem não deixa o partido (por ordem alfabética)

1.        Aava Santiago (PSDB)

“Não há desconforto, mas pelo contrário, o PSDB é exatamente o partido que devo estar, que me sinto à vontade, livre, encorajada, a defender as bandeiras que acredito tanto para Goiânia quanto para o Brasil. Nós assumimos o compromisso de ter 50% de mulheres candidatas na chapa de Goiânia. Uma mudança revolucionária dentro do cenário dos partidos políticos”, apontou.  

2.        Anderson Sales – Bokão (Solidariedade)

Como se filiou recentemente ao Solidariedade, a tendência é que Anderson Bokão busque a reeleição neste partido.

3.        Anselmo Pereira (MDB)

Vereador Anselmo Pereira, líder do Prefeito na Câmara | Foto: Divulgação

Com 40 anos de vida pública, Anselmo Pereira foi filiado apenas a três partidos (quando foi eleito pela primeira vez em 1983, pelo PDS; na sequência se filiou ao MDB e teve um período no PSDB. Agora, mais do nunca, ele garante que segue na sigla e como líder do prefeito na Câmara.  

4.        Cabo Senna (PRD)

“Ainda tem tempo para pensar, mas pretendo ficar no Partido Renovação Democrática (PRD)

5.        Denício Trindade (MDB)

O parlamentar disse que segue fiel ao MDB: “Batalhar para que de fato termos uma chapa forte e competitiva”.

6.        Dr. Gian (MDB)

“Estou muito bem no MDB. Temos seis cadeiras na Câmara Municipal e pretendemos nas próximas eleições dobrar este número com uma chapa forte e competitiva”, destaca.

7.        Edgar Duarte (PMB)

Edgar Duarte talvez seja o único a permanecer no PMB. Ele não retornou os contatos da reportagem.

8.        Gabriela Rodart (Solidariedade)

Com a recente troca do novo PRD, Gabriela Rodart não considera trocar novamente de partido.

9.        Henrique Alves (MDB)

Filiado desde os 16 anos no MDB, Henrique Alves é um dos que dificilmente trocaria de partido. “Eu tenho uma história com o meu pai, com Iris, com Maguito, minha intenção é ficar”.

10.      Isaías Ribeiro (Republicanos)

“Não trocarei de partido. Já foi confirmado: permanecerei no Republicanos”, acentuou.

11.      Izídio Alves (MDB)

Sem retorno dos contatos, com fidelidade notável, Izídio deve seguir no MDB.

12.      Juarez Lopez (PDT)

“Estou no PDT e ainda não há motivo para sair”, garante.

13.      Kátia Maria (PT)

Em hipótese de deixar o Partido dos Trabalhadores, a vereadora foi bem-humorada e fez um convite: “A minha janela está aberta para receber quem quiser vir para o PT, nos ajudar a reconstruir e transformar Goiânia, Goiás e o Brasil”.

14.      Kleybe Morais (MDB)

“Não tem a mínima chance de eu deixar o MDB, fui para o partido a convite do Iris, sou líder do partido na Câmara e estou trabalhando duro para ficar entre os três mais bem votados do partido em Goiânia”.

15.      Leia Klébia (Podemos)

Ex-presidente municipal do PSC (que mudou de nome para Podemos), quando formatou a chapa vencedora, Leia Klébia disse confiar na atual direção partidária.

“Tenho afinidade com o grupo e a presidência municipal está nas mãos do meu mentor político Luiz do Carmo. Isso pra mim é confortável e me traz segurança. Estamos trabalhando para fazer uma chapa forte e vitoriosa com uma bancada de três vereadores na Câmara”, estima.

16.      Leandro Sena (Solidariedade)

Filiado recentemente e dentro do teto estabelecido pelo partido, Leandro Sena frisou que seguirá no Solidariedade.

17.      Lucas Kitão (PSD)

O vereador confirmou que segue no PSD.

18.      Paulo Magalhães (UB)

“Minha intenção é permanecer no União Brasil”, destacou.

19.      Romário Policarpo (PRD)

Em entrevistas, o presidente da Câmara tem reforçado que seguirá sob a liderança do presidente municipal do seu partido, Jorcelino Braga. O PRD é o resultado da fusão entre o Patriota e o PTB.

20.      Ronilson Reis (Solidariedade)

Recentemente filiado ao Solidariedade, Ronilson deve permanecer na legenda.

21.      Sabrina Garcez (Republicanos)

Na presidência do Republicanos em Goiânia, a vereadora tem conduzido a formação de chapas do partido. “Estou no Republicanos e ficarei lá”.

22.      Thialu Guiotti (Avante)

Também como dirigente partidário é formado de chapa, Guiotti segue na sigla. “Estou e permaneço no Avante”, enfatizou.

23.      Welton Lemos (Podemos)

Apesar de auxiliar na formatação de candidaturas, Welton Lemos deixa dúvidas se fica ou deixa o Podemos. “Estou ajudando a montar chapa no Podemos, com boas possibilidades. Devo continuar lá”, disse.

24.      Willian Veloso (PL)

Integrante da cúpula partidária, Willian Veloso segue com filiação. “Sou membro do diretório do PL Goiânia. Continuo no meu partido”, pontua. 

Janela partidária

Neste ano eleitoral, a mudança de legenda será possível entre 7 de março e 5 de abril. A data coincide com o prazo final de filiação estipulado por lei para aqueles que planejam concorrer nas eleições municipais deste ano. Vale destacar que a janela partidária se abre em todo ano eleitoral, seis meses antes do pleito. Neste ano em particular, o primeiro turno da eleição está programado para 6 de outubro.

Em 2024, a regra da janela partidária se aplica principalmente aos vereadores, pois são os únicos com mandatos prestes a terminar neste ano. Isso significa que as vereadoras e vereadores eleitos em 2020 terão um mês para trocar de partido e concorrer à reeleição ou até mesmo às prefeituras, sem o risco de perderem seus cargos.

Já os deputadas e deputados eleitos em 2022 só poderão aproveitar da regra em 2026, que é o ano da próxima eleição geral.

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