Suspeitos de manter esquema de agressões e tortura em clínica clandestina são presos em Aparecida
15 maio 2026 às 12h08

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Dois homens foram presos suspeitos de operarem uma clínica a de reabilitação clandestina com indícios de tortura, maus-tratos e cárcere privado contra internos, no Jardim Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia. Durante os trabalhos, 64 pessoas foram resgatadas na operação realizada pela Polícia Civil e que contou com o apoio da Vigilância Sanitária do município.
Segundo o delegado Sérgio Henrique, do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic), os internos eram submetidos a um protocolo com agressões físicas e psicológicas constantes. Entre os abusos relatados estão estrangulamentos, torções de membros, ameaças e aplicação de substâncias sedativas sem consentimento, com o objetivo de conter e silenciar as vítimas.
Sérgio ainda destaca que foram encontradas porções de maconha e cocaína, além de medicamentos psicotrópicos controlados sem prescrição médica e fora das embalagens originais. Também foram apreendidas seringas com agulhas previamente utilizadas no local. Além disso, os agentes da Vigilância Sanitária encontraram alimentos estragados que, segundo a investigação, eram oferecidos aos internos.
Os dois presos ocupavam posições de comando no esquema, segundo as investigações. Um deles é apontado como responsável direto pelas agressões e torturas contra os internos resgatados, atuando como um dos operadores do local. O outro seria o proprietário do estabelecimento e já teria administrado outras clínicas clandestinas no município, anteriormente interditadas pelas autoridades.
Ainda segundo o delegado, os presos ainda ameaçaram um grupo de quatro internos na delegacia, com gestos que indicariam lesão corporal e morte.
A audiência de custódia foi realizada nesta quinta-feira, 14, e a Justiça converteu a prisão em flagrante dos suspeitos em prisão preventiva. Ambos deverão responder por tráfico de drogas, tortura, uso de medicamento sem registro, maus-tratos e cárcere privado.
O delegado afirmou ainda que esta seria a segunda vez que prende o proprietário da clínica. A primeira ocorreu durante uma ação em outra unidade irregular que ele mantinha em Hidrolândia. “Ele é um caso recorrente. Para evitar a reincidência, ele foi preso e a Justiça converteu a prisão em preventiva”, afirmou.
A diretora da Vigilância Sanitária de Aparecida de Goiânia, Naiara Andrade, afirmou que a unidade apresentava histórico positivo em inspeções realizadas até o ano passado. Segundo ela, a situação mudou após a troca de proprietários, que acabaram presos na operação. “Até o ano passado, o local vinha sendo bem assistido, mas tivemos uma surpresa nessa inspeção em conjunto com a Polícia Civil”, afirmou. “Encontramos o local em um estado bem diferente do habitual.”
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