Moradores do Jardim Atlântico, em Goiânia, denunciam que o imóvel onde funcionava o antigo Super Barão, na Avenida Padre Orlando de Morais, esquina com a Rua Sambuá, estaria sendo utilizado como “mocó” por pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Segundo os relatos, pessoas entram no galpão, principalmente durante a noite, e retiram materiais do imóvel. Os moradores também relatam furtos em construções e residências próximas. As pessoas ouvidas pelo Jornal Opção pediram para não ser identificadas.

A reportagem esteve no local após receber um vídeo enviado por moradores que mostra pessoas retirando materiais do imóvel e conversou com quem vive e trabalha nas proximidades. Segundo os relatos, o galpão está abandonado e possui ao menos uma porta sem cadeado, o que facilitaria o acesso ao interior do espaço.

Um trabalhador de uma obra localizada ao lado do antigo supermercado afirmou que a movimentação no imóvel é frequente e que os furtos não ocorreriam apenas durante a noite.

“Eles estão aqui o tempo todo, inclusive de dia, mas à noite se intensifica. Eles roubam de dia mesmo. Inclusive, esse roubo que está no vídeo foi hoje [quinta-feira, 24], às 14 horas, na cara limpa. Eles entram por uma porta que não tem cadeado, furtam e fazem o que querem aí dentro”, relatou.

Segundo o trabalhador, as mesmas pessoas seriam vistas com frequência no local. Ele afirma ainda que já foram registrados furtos em uma construção vizinha e em residências da região.

Veja vídeo

Moradores relatam furtos durante o dia

Outro morador contou que acionou a Polícia Militar após presenciar pessoas retirando materiais do imóvel durante a tarde. Segundo ele, três homens chegaram de bicicleta e deixaram o local carregando peças.

“Hoje mesmo eu liguei para a polícia, porque eles roubaram. Saíram aí de dia. Duas horas da tarde, ontem, na quarta-feira, eles roubaram um monte de coisa. E hoje eles saíram às duas horas da tarde, entraram aí por essa porta que não tem cadeado e saíram com material, possivelmente elétrico, da câmara fria”, afirmou.

Segundo o morador, os homens carregavam peças de grande porte nas bicicletas. Ele afirma que a movimentação no imóvel e os episódios registrados na região têm provocado insegurança entre os moradores.

“Eles vêm para cá e ficam aí fumando, usando droga e, à noite, causando terror aqui nas residências, roubando”, relatou.

Ainda segundo ele, obras e residências próximas também já teriam sido alvo de furtos.

“Roubaram aqui numa construção do lado, o fio. Só pararam de roubar depois que colocaram alarme e câmera. Já roubaram residências aqui, eles entram, pulam muro, cortam fio, roubam tudo que tiver valor”, disse.

Comerciante diz trabalhar com medo

Um comerciante da região também relatou preocupação com a segurança e afirmou que o próprio estabelecimento já foi alvo de furto. Segundo ele, a situação tem provocado receio entre quem trabalha nas proximidades do imóvel.

“É difícil a gente falar sobre isso, mas a gente fica com medo. A gente tem o nosso comércio aqui, nosso comércio já foi roubado. É preocupante porque esses usuários de drogas e moradores de rua não têm nada a perder, e a gente tem. A gente tem que trabalhar com medo”, afirmou.

WhatsApp Image 2026-09-24 at 18.43.34
De acordo com o major, os três teriam admitido a participação no furtos na região | Foto: Divulgação/PM

Moradora relata medo ao passar pelo local

Uma moradora contou que precisa passar pela região para buscar o neto em uma escola próxima. Segundo ela, a presença de usuários de drogas no entorno provoca medo em quem circula pelo local.

“Eu preciso passar aqui para pegar meu neto na escola, que fica aqui perto. Às vezes, a gente passa aqui e está cheio de usuários de droga, e a gente fica com medo.”

Ela também afirmou ter ouvido relatos de ameaças e furtos nas proximidades, mas ressaltou que as informações foram repassadas por outros moradores da região.

“Os relatos aqui são de que eles causam terror, que às vezes são até perigosos. A gente ouve relatos de pessoas que usam faca para roubar celular de quem passa na rua e de entradas em residências.”

A moradora defendeu o reforço do patrulhamento policial no bairro. “Está precisando da polícia passar mais por aqui. A gente não vê viaturas da polícia por aqui, a não ser quando chama. E, quando chama, ainda demora.”

PM contesta que imóvel funcione como “mocó”

O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar de Goiás, major Bruno, confirmou ao Jornal Opção que três jovens foram presos nesta quinta-feira, 24. Segundo a PM, eles foram encontrados envolvidos em furtos no imóvel onde funcionava o antigo Super Barão.

De acordo com o major, os três teriam admitido participação nos furtos registrados na região. O comandante, porém, contestou a afirmação dos moradores de que o imóvel estaria sendo utilizado como “mocó”.

“Não está funcionando como mocó. O pessoal está entrando lá, é isso. O local está com uma porta sem cadeado”, afirmou.

Segundo Bruno, o imóvel estaria sob embargo judicial, situação que dificultaria a retirada dos equipamentos e materiais que ainda permanecem no local.

“Tem ar-condicionado, condensador de ar-condicionado, fiação. Eles estão furtando. O proprietário falou que quer tirar os materiais, mas está embargado pela Justiça.”

O major acrescentou que a atuação policial, sozinha, não seria suficiente para impedir novas ocorrências e que seriam necessárias medidas para restringir o acesso ao imóvel.

WhatsApp Image 2026-09-24 at 18.55.10
Major Bruno afirmou que a Polícia Militar mantém ações de policiamento na região | Foto: Cilas Gontijo/Jornal Opção

Major afirma que PM realiza patrulhamento preventivo e ostensivo

Questionado sobre as reclamações dos moradores e o risco de o imóvel se tornar um ponto permanente de concentração de usuários de drogas, o major Bruno afirmou que a Polícia Militar mantém ações de policiamento na região. “A polícia está fazendo o que tem que ser feito: patrulhamento.”

Segundo o comandante, o policiamento ocorre de forma preventiva e ostensiva e inclui operações específicas em áreas com concentração de pessoas em situação de rua.

“A gente está fazendo trabalho ostensivo e preventivo. Toda quarta-feira a gente faz uma operação relacionada a esse tipo de crime, especificamente a esse tipo de situação.”

O major citou a Operação Dergo, realizada às quartas-feiras pelo 7º e pelo 8º Batalhões, como uma das ações desenvolvidas pela PM. “A gente coloca o pessoal para saturar esses locais onde tem pessoas abandonadas, pessoas em situação de rua.”

Bruno ressaltou, no entanto, que a presença de pessoas em situação de rua não é motivo, por si só, para uma prisão. Segundo ele, é necessário que haja flagrante ou indícios da prática de crime para que a PM efetue a detenção.

“Não pode chegar lá e prender do nada. Só se tiver em flagrante, tiver algum indício.”

O comandante acrescentou que a situação não envolve apenas a área de segurança pública e demanda atuação de outros setores. “Isso aí não é só segurança pública. Eu acredito que seja relacionado também à saúde pública.”

Três suspeitos foram presos

Segundo informações repassadas pela Polícia Militar, os três jovens presos nesta quinta-feira, 24, já teriam sido detidos anteriormente, há menos de um mês, por suspeitas relacionadas a práticas semelhantes e, posteriormente, liberados mediante alvará de soltura.

Nesta quinta-feira, eles foram encaminhados à Central de Flagrantes da Cidade Jardim, onde, segundo a PM, seriam autuados por furto.

A polícia informou ainda que os três utilizavam bicicletas e teriam sido identificados durante uma tentativa de furto a uma residência no Jardim Atlântico. Conforme o major Bruno, eles também teriam admitido a prática de furto no imóvel onde funcionava o antigo supermercado.

Super Barão diz que imóvel não está mais sob responsabilidade da empresa

Procurada pelo Jornal Opção, a assessoria do Super Barão informou que a antiga unidade do Jardim Atlântico não está mais sob responsabilidade da empresa.

Em nota, a rede afirmou que o imóvel foi formalmente devolvido ao proprietário e que, por isso, eventuais ocorrências registradas atualmente no local não têm relação com o supermercado.

“A unidade do Jardim Atlântico não está mais sob responsabilidade do Barão Supermercados. O imóvel já foi formalmente entregue ao proprietário e, portanto, qualquer ocorrência registrada no local não está relacionada à empresa.”

A empresa também contestou a informação, mencionada pelo comandante da PM, de que o imóvel estaria sob embargo judicial. Segundo a assessoria, a afirmação não procede e o espaço já foi devolvido ao proprietário.

Leia também:

Polícia apreende material que poderia produzir R$ 2,4 milhões em notas falsas em Goiás