Elizabeth Abreu Caldeira Brito                         

Leodegária Brazília de Jesus nasceu em Caldas Novas (GO), em 8 de agosto de 1889, filha de José Antônio de Jesus e Ana Isolina Furtada de Jesus.

Aos 15 anos, Leodegária de Jesus já escrevia versos que respiravam romantismo e parnasianismo. Aos 17, publicou sua primeira obra, “Coroas de Lírios” (Editora Azul, Campinas-SP, 1906), tornando-se uma das primeiras mulheres a imprimir poesia em Goiás.

Elizabeth Abreu Caldeira Brito foto da capa de Dicionário Crítico das Vozes Femininas da Literatura em Goiás ok2

Leodegária de Jesus, a partir de 1907, participou do Clube Literário Goiano. Chegou a comandar algumas sessões.

A poeta fundou, juntamente com outras, o semanário “A Rosa”, dedicado ao ativismo das mulheres de Vila Boa (GO).

A voz poética de Leodegária de Jesus enriquece a literatura brasileira produzida por uma goiana e torna-se testemunho histórico e social, revelando o percurso de uma mulher negra que enfrentou preconceitos e construiu independência, educação e arte

Negra, Leodegária de Jesus enfrentou barreiras raciais. Publicou diversos textos sob o pseudônimo de Antonieta Vilela. A maturidade literária veio com “Orchideas” (1928), obra que reafirma seu lirismo, sensibilidade e profundo compromisso com o humano.

Leodegária de Jesus capa de Corôa de Lyrios ok 500

Leodegária de Jesus foi uma mulher de múltiplas facetas: poetisa, educadora, empresária e ativista. Fundou escolas, orientou gerações e tornou-se referência de independência feminina e sororidade em uma sociedade pós-abolição marcada pelo coronelismo e pelo preconceito racial.

A voz poética de Leodegária de Jesus enriquece a literatura brasileira produzida por uma goiana e torna-se testemunho histórico e social, revelando o percurso de uma mulher negra que enfrentou preconceitos e construiu independência, educação e arte.

Leodegária de Jesus permanecerá viva em sua narrativa poética prenhe de resistência, delicadeza, fé, força e lirismo. Seu pioneirismo, liderança e afirmação de vida demonstram que a literatura pode ser arte, resistência, memória e registro histórico

Após sua morte, ocorrida em 12 de julho de 1978, em Belo Horizonte (MG), Leodegária de Jesus tornou-se patrona de sua Cadeira nº 5, da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás.

Em 8 de agosto de 2023, a Universidade Federal de Goiás (UFG), em ato simbólico de reparação histórica e reconhecimento ao seu legado, homenageou-a com o título de Doutora Honoris Causa — in memoriam. Assim, Leodegária de Jesus tornou-se a primeira mulher negra a receber a distinção na instituição.

Leodegária de Jesus capa de Orchideas ok2 e 500

Dentre as inúmeras homenagens a Leodegária de Jesus, na contemporaneidade, está seu retrato na capa do livro “Literatura”, quinto volume da “Coleção Goiás + 300, Reflexão e Ressignificação”. O trabalho artístico foi feito a lápis por Amaury Menezes. O livro contém alguns textos sobre a voz lírica da poetisa.

Leodegária permanecerá viva em sua narrativa poética prenhe de resistência, delicadeza, fé, força e lirismo. Seu pioneirismo, liderança e afirmação de vida demonstram que a literatura pode ser arte, resistência, memória e registro histórico.

Leodegária de Jesus Retrato por Francy Benezzi500
Leodegária de Jesus | Retrato por Francy Benezzi

Publicações de Leodegária de Jesus

1

Coroas de lírios (poemas, 1906).

2

Orchideas (poemas, 1928).

Elizabeth Abreu Caldeira Brito, psicóloga e escritora, é mestra em Letras e Críticas Literárias. Vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), ex-presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag) e filiada à União Brasileira de Escritores-Seção Goiás. É colaboradora do Jornal Opção.