Vozes femininas — Belkiss Spencieri Carneiro de Mendonça: O piano como gesto de pensamento, a escrita como extensão da escuta
05 setembro 2026 às 21h00

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Belkiss Spencieri Carneiro de Mendonça nasceu na Cidade de Goiás (GO), em 15 de fevereiro de 1928. Faleceu em Goiânia (GO), em 17 de novembro de 2005. Precocemente, iniciou os estudos de piano com sua avó, Maria Angélica da Costa Brandão (Nhanhá do Couto). Estudou com os mais renomados professores de piano. Inicialmente, com Paulino Chaves, aperfeiçoando-se com os professores Joseph Kliass, Camargo Guarnieri e Arnaldo Estrella. Na Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, bacharelou-se em música.

Spencieri dedicou-se a intensa atividade cultural. Foi pianista, musicista e profícua escritora, tendo atuado como cronista em vários jornais. Tomou posse como membro fundador da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag), em 9 de novembro de 1970. Foi cofundadora do, então, Conservatório Goiano de Música, atualmente Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, onde foi professora titular de Piano e diretora, desde 1956, data de sua fundação, até agosto de 1977.
Pesquisadora da música brasileira, Belkiss Spencieri, a partir de 1946, passou a difundir, por meio de publicações, gravações, palestras, recitais, workshops e master classes suas produções oriundas de seus estudos
Doutora em Música, Belkiss desenvolveu, durante muitos anos, acurados estudos sobre Pedagogia do Piano. Ministrou inúmeros cursos de extensão sobre técnica pianística e o curso de especialização “Novas bases da técnica pianística”. Dos cursos idealizados, promovidos e executados por ela, destacamos: Cinco Nacionais de Música, com repercussão em todo o território brasileiro; cinco grandes Festivais de Música e dois de Música e Artes Plásticas.
Como presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, promoveu, junto à Fundação Jaime Câmara, o “Encontro Nacional de Compositores — Goiânia 97” com direção artística do maestro Ricardo Tacuchian. Estudiosa e pesquisadora da música brasileira, Belkiss Spencieri, a partir de 1946, passou a difundir, por meio de publicações, gravações, palestras, recitais, workshops e master classes suas produções oriundas das pesquisas e estudos realizados.
Ao piano, a solista Belkiss levou o nome de Goiás em todo o Brasil e outros países. Participou de concertos e tournées com diversas orquestras no Brasil e no exterior, sob a regência de maestros de renome internacional
Ao piano, Belkiss, como solista, levou o nome do Estado de Goiás ao patamar da música em todo o Brasil e em outros países. Participou, nessa condição, de inúmeros concertos, recitais e tournées com diversas orquestras no Brasil e no exterior, sob a regência de maestros de reconhecimentos internacionais, sem, contudo, se abster de intensa atividade camerística. Suas interpretações musicais ao piano estão gravadas em LPs e CDs.
Escritora, Belkiss produziu crônicas semanais, por dez anos, para o jornal “O Popular”. É verbete em antologias, enciclopédias e dicionários biobibliográficos goianos e nacionais.
Dos inúmeros troféus e medalhas que recebeu, destacam-se os troféus Jaburu, Tiokô e Pelicano; e as medalhas Couto Magalhães, José Plácido de Castro, Eleazar de Carvalho, Antônio Tavernard, dentre outros. Foi a primeira presidente da Fundação Cultural de Goiás. Presidiu também a Sociedade Brasileira de Música Contemporânea.
Foi conselheira e presidente do Conselho Estadual de Cultural.
Durante várias gestões, foi vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Acadêmica da Academia Goiana de Letras, atuou, também com vice-presidente.
Foi membro dos Conselhos Honorífico e Deliberativo da Sociedade Goiana de Cultura e Conselheira da União Brasileira de Escritores – Seção de Goiás (UBE-GO). Pertenceu, ainda, à Academia de Letras e Artes do Planalto e à Academia Nacional de Música (RJ), como membro emérito.
Foi membro-catedrático e conselheira eleita da Academia Internacional de Música (RJ). Foi acadêmica eleita para a Academia Brasileira de Música, no Rio de Janeiro, onde ocupou a Cadeira 17. Em 4 de dezembro de 2002, foi outorgada com o título de professor emérito da Universidade Federal de Goiás.
O escritor Miguel Jorge, da Academia Goiana de Letras (AGL), soube se expressar acerca da versatilidade, excelência e “fascinação” da escritora/musicista Belkiss Spencieri, nas áreas em que militou.
Miguel Jorge pontua: “Tenho a exata impressão de que palavra também é um jogo musical. E, quem sabe, não foi através da relação de uma coisa com a outra que Belkiss ampliou seu talento para o sutil e forte espírito das letras. Essa aliança me parece forte e natural, e ela a exerce com devota fascinação”.
Publicações de Belkiss Carneiro
“A invenção: história, forma e estética (1972)”;
“A música em Goiás” (1ª edição, 1978; 2ª edição, 1981).
“Andanças no tempo”. Goiânia: Agepel, 2006. Coleção José J. Veiga, 2003.
Discografia em LP e CD
Discografia — em LP: “Panorama da música brasileira para piano I” – 1969; “Panorama da música brasileira para piano II”, 1977; “Seleção de obras românticas”, 1980; “Camargo Guarnieri – Valsas”, 1984; “O piano brasileiro – Século XIX” – volumes I e II, 1987.
Discografia — em CD: “O piano brasileiro – Século XIX” – volumes I e II, Paulus, 1999; “Camargo Guarnieri – Valsas e Sonatas”, Paulus, 2000; “Panorama da Música Brasileira para Piano” – volumes I e II, 2000; “Clair de Lune’, 2001.
Elizabeth Abreu Caldeira Brito, psicóloga e escritora, é mestra em Letras e Críticas Literárias. Vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), ex-presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag) e filiada à União Brasileira de Escritores-Seção Goiás. É colaboradora do Jornal Opção.


