Protagonista boca suja faz jornalismo investigativo em Tabloide

HQ de L.M. Melite mostra a busca por uma boa história na São Paulo de 2015

Tabloides são aqueles jornais quadrados, menores que o standard (grandão) e o germânico, e que costumam trazer mais ilustrações e fotos, como uma revista. No Reino Unido, onde têm maior circulação, têm fama de trazer temas mais populares, para não dizer fofoca (não dão a mínima importância à invasão de privacidade e são máquinas de destruir reputações) — mas por aqui eles costumam trazer os mesmos conteúdos dos demais.

Mas “Tabloide” é também uma história em quadrinhos lançada pela Editora Veneta, do quadrinista L.M. Melite. O material tem formato 21 x 28,5 cm, capa dura, 136 páginas e miolo colorido.

O acabamento é belo, mas não sei se valem os R$ 74,90 do preço de capa. Melhor procurar por uma promoção — atualmente é fácil de achar, uma vez que o material já tem um tempinho: foi lançado em 2017.

Tabloide

A história acompanha uma jornalista acima do peso e ex-bailarina que sabe falar latim e sofre de Raciocínio Consecutivo Analítico (RCA) — seja lá o que for isso, já que, aparentemente, é inventado. Samantha Castelo tem seu próprio periódico, o… “Tabloide” (quem imaginaria?).

Sua especialidade? Sensacionalismo. Inclusive, tem uma edição do jornal dentro da HQ com capa, matérias, entrevistas e o lema no fim com um convite à sugestões de pauta: “Se ninguém acredita, nós publicamos! Colabore com o ‘Tabloide’, escrevendo ou fotografando. Entre em contato com a chefa desse troço pelo e-mail: [email protected]”.

A equipe do jornal é basicamente Samantha, o mentor e possível editor (e ex-dono do jornal) Bogus Prava e o fotógrafo Horácio Tolosa, seu fiel escudeiro e novato no time. Mas na edição que aparece na HQ há também colaboradores.

Trama

A história se passa em São Paulo, no ano de 2015. Após receber a dica de um delegado amigo (Rufus Gallo, inspetor fofoqueiro profissional da Polícia Civil) para uma matéria sobre um assassinato, Samantha começa a seguir as pistas que a levam a direções cada vez mais estranhas e nas entranhas da cidade.

Em busca de uma boa história, a personagem boca suja e cínica vai acabar arriscando a própria vida e a de seu colega fotógrafo. O desfecho não é um primor, mas vale a pena checar, se você achar o livro com preço melhor que o de capa.

Trabalho

A arte de Melite pode até não saltar aos olhos à primeira vista, mas a experimentação e sua montagem de quadros dão um dinamismo muito bom à leitura — dá pra terminar em uma sentada, dependendo do ânimo. As cores são chapadas, mas combinam bem (e a capa é preto e branca, o que dá um contraste até bem legal).

É muito legal, também, a escolha de uma protagonista tão diferente do habitual. Gordinha, boca suja, cínica e extremamente sagaz. Claro que o jornalismo é romantizado na história.

Outro ponto interessante é o desenvolvimento das relações entre Samantha, Bogus e Horácio. Vamos conhecendo melhor as personagens à medida em  que q trama se desenrola. No fim das contas, trata-se de uma boa leitura. Uma boa história. Um bom quadrinho.

Melite

O quadrinista L. M. Melite, além de “Tabloide]”, também é autor de “Dupin” e “Desistência do Azul”. Estas duas foram publicadas pela Zarabatana Books.

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