Morte de Lucinda Riley deixa leitoras órfãs no mundo e no Brasil

Livros da escritora irlandesa trazem protagonistas femininas fortes e dramas familiares. Ela faleceu vítima de câncer, aos 55 anos

Mariza Santana

No dia 16 de junho passado, as leitoras da escritora irlandesa Lucinda Riley receberam a triste notícia de sua morte, aos 55 anos de idade, “cercada pela família, em casa”. Ela lutava contra um câncer há cinco anos. E nem mesmo a doença a impediu de escrever novas obras, inclusive o sétimo e último livro da série “As Sete Irmãs” da Editora Arqueiro — inspirada na mitologia de uma famosa constelação —, lançado em abril último e que deverá chegar ao Brasil no mês de agosto.

Lucinda Riley: sua prosa mostra criatividade e narrativa vigorosa | Foto: Reprodução

A pré-venda do livro que encerra a série, denominado “A Irmã Desaparecida”, já acontece no nosso País (já garanti meu exemplar). As fãs brasileiras de Lucinda Riley esperam com ansiedade a chegada desta obra, que encerra a saga das filhas adotivas de Pa Salt. Cada uma delas tem uma origem e uma história distintas. Depois da morte do pai, elas vão buscar suas origens, o que rende romances apaixonantes, em países diferentes.

Para quem não conhece a série, o primeiro livro, denominado “As Sete Irmãs — A História de Maia”, leva a protagonista até o Rio de Janeiro, à procura de suas raízes familiares. Na Cidade Maravilhosa, a personagem vai descobrir a sua história familiar. E com um detalhe interessante: vamos saber quem serviu de modelo para as mãos da estátua do Cristo Redentor (pelo menos na ficção, é claro).

Os livros seguintes da série não são menos interessantes. As irmãs de Maia seguem por outras partes do mundo à procura de suas origens. Nesses locais encontram o amor, ou novos vínculos familiares, tudo relatado por meio de uma prosa que demonstra a força da criatividade e da narrativa da escritora irlandesa.

Em seus romances, Lucinda Riley utiliza com mestria ingredientes que agradam ao público feminino. Por isso, a notícia da sua morte deixou leitoras órfãs e tristes no mundo todo, e também no Brasil. Com certeza, seu público sentirá falta de novos romances bem elaborados, na maioria das vezes contados em dois períodos de tempo, com personagens cativantes e suas vidas envolventes.

Esta mesma fórmula é utilizada no livro “A Sala das Borboletas”, que, em homenagem a essa grande escritora, acabei de ler. A protagonista de “A Sala de Borboletas” é Posy Montague, uma botânica viúva, mãe de dois filhos adultos, que vive sozinha no antigo casarão da família, situado em uma pequena cidade próxima a Londres. Aos 70 anos de idade, ela adora cultivar o jardim, mas não tem condições financeiras de manter a residência de seus antepassados e está diante da difícil decisão de vender a propriedade.

Ao mesmo tempo em que convivemos com os desafios da Posy idosa, retornamos à vida da personagem a partir dos 9 anos de idade. Conhecemos o drama que aconteceu na sua casa envolvendo os pais, fato que ditou seu destino. Também vamos acompanhar a convivência com a avó amorosa na Cornualha, a vida acadêmica e amorosa, e as decisões da juventude que forjaram a Posy no período em que se encontra com quase 70 anos de idade.

O romance “A Sala das Borboletas” é primoroso, os dramas familiares são consistentes. Ou seja, Lucinda Riley utiliza bem os ingredientes literários para tecer uma história de vida de uma mulher inglesa, onde não faltam alegrias e decepções, perdas e conquistas. Esse era o segredo da escritora que a tornou tão popular e um fenômeno editorial.

30 milhões de exemplares vendidos

Lucinda Riley nasceu na Irlanda, em 1965. Após uma carreira inicial como atriz de cinema, teatro e televisão, escreveu o primeiro livro aos 24 anos. De acordo com informações da Editora Arqueiro, suas obras já foram traduzidas para 37 países, sendo que já venderam mais de 30 milhões de exemplares.

Conforme o jornal “Correio Braziliense”, a escritora esteve no Brasil em passagens pelo Rio de Janeiro, São Paulo — onde participou da Bienal do Livro — e Abadiânia (GO), quando conheceu o médium João de Deus, antes que este fosse denunciado por crimes sexuais.

Além da série “As Sete Irmãs”, publicou “A Garota Italiana”, “A Árvore dos Anjos”, “O Segredo de Helena”, “A Casa das Orquídeas”, “A Sala das Borboletas”, entre outras obras.

Mariza Santana é crítica literária do Jornal Opção. Email: Mariza Santana – [email protected]

Uma resposta para “Morte de Lucinda Riley deixa leitoras órfãs no mundo e no Brasil”

  1. Avatar Glaci disse:

    Eu amo essa Autora maravilhosa! Minha mãe, com 91 anos de idade lê os livros dela e são os mais envolventes e culturais, por descrever a história e cultura de Países diversos! Vamos sempre orar por ela! Deve estar contando histórias no Céu, com o fim incrível e único que possuía! Que DEUS tenha lhe reservado um lindo e especial lugar para a Lucinda!!

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