“Juiz Dredd: Mandroide” é uma história de dor e vingança

Se em “Batman: A Piada Mortal” vemos que um dia ruim pode mudar a vida de um homem, imagine uma sucessão de tragédias

Francisco Costa

Especial para o Jornal Opção

O Juiz Dredd é bem conhecido no Brasil por seus filmes, seja aquele bem fraco dos anos 1990, estrelado por Sylvester Stallone, ou o de 2012, que teve Karl Urban como protagonista e é simplesmente sensacional. Apesar disso, o personagem foi criado originalmente para os quadrinhos apareceu, pela primeira vez, na revista “2000 AD”, no Reino Unido, em 1977.

De lá pra cá, ganhou ampla repercussão (inclusive com adaptações para o cinema, como já dito) e tem sido periodicamente publicado — inclusive com participações em histórias de outros personagens e editoras, nos famosos “crossovers”. Porém, uma das grandes histórias de Dredd é “Mandroide”, cujo foco nem é o juiz, mas o sargento Nate Slaughterhouse.

Universo

Primeiro, é preciso explicar o universo em que se passam as histórias de Dredd, personagem que é, ao mesmo tempo, policial, juiz, júri e executor. O personagem, criado por John Wagner, Carlos Ezquerra e Pat Mills, habita em um futuro distópico, em uma cidade (Mega City One) ultrapopulosa e, também, ultraviolenta.

Dredd atua ao lado de outros juízes, porém, é o mais famoso e eficiente entre os colegas. Uma curiosidade é que, diferente do longa-metragem de 1995, o personagem nunca tira o capacete.

Mandroide

Porém, de volta a saga “Mandroide”, acompanhamos uma verdadeira história de dor, vingança e sofrimento — e de lei, é claro. O combustível, como de costume, é o amor.

“O sargento Nate Slaughterhouse dedicou a vida a combater ameaças alienígenas na Força Espacial, mas foi gravemente ferido em combate. Transformado num poderoso híbrido de homem e máquina conhecido como Mandroide, ele agora precisa se readaptar à vida civil com a mulher e o filho nas violentas ruas de Mega City One. Após uma série de tragédias pessoais, Slaugtherhouse parte numa perigosa busca por justiça a qualquer preço, que o colocará em rota de colisão com a lei e seu maior representante: o Juiz Dredd”, revela a sinopse.

Nate é um homem que perdeu tudo. Perdeu seu corpo, se tornando meio máquina, e depois sua mulher e filho. Sem mais nada, ele decide ir para ruas e agir como justiceiro e encontrar o responsável por sua desgraça, o que rapidamente se torna óbvio para Dredd.

Dredd não tão frio

É interessante que o juiz, conhecido por sua frieza, é exibido nessa história com um lado bem mais humano, sentindo compaixão por Nate e até priorizando o caso dele, que começou como o desaparecimento de sua mulher. Porém, ao ver que o sargento atravessou os limites da lei, Dredd passa a considerá-lo criminoso. “Achei que fosse um dos bons. Devia saber que era só mais um vagal.”

A história ainda reserva algumas surpresas e reviravoltas, mas não escapa da tragédia anunciada. Mas isso não quer dizer que a HQ não seja boa, pelo contrário. Esta é uma das obras de Juiz Dredd que considero inesquecíveis.

Se em “Batman: A Piada Mortal” vemos que um dia ruim pode mudar a vida de um homem, imagine uma sucessão de tragédias.

Francisco Costa, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.

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