Everardo Leitão

Especial para o Jornal Opção

Era simples. Era pegar o modelo de museu de cera e aplicá-lo a um projeto com miniaturas. Ou seja, era pensar numa exposição com estátua de personagens da história ou da ficção, o que se conhece como museu de cera, mas não no formato de costume, com esculturas em tamanho natural, a exemplo do conhecido Madame Tussaud’s.

A ideia era uma exposição com as esculturas em miniatura. Era simples, mas não existia em nenhum lugar do mundo. Pronto, estava assim inventado, em 2014, o conceito do Museu de Minicera, que reabre as portas agora em Brasília com o propósito de tornar-se uma atração para adultos e crianças.

Minigaleria do Museu de Minicera Foto Divulgação
Minigaleria do Museu de Minicera | Foto: Divulgação

Reabre, porque tinha sido fundado há mais de dez anos em Pirenópolis, o turístico destino goiano meio Brasil colonial, meio trilha e cachoeira, a 150 quilômetros da capital do país.

Mal funcionou e precisou ir morar num depósito até renascer este ano com seus expositores povoados por figuras tão distintas quanto Lula da Silva e Jair Bolsonaro, Putin e Zelensky, Rita Lee e Inezita Barroso, Hitler e Gandhi, Mônica e Cebolinha, Picasso e Caravaggio, Bad Bunny e Tom Jobim, Leão XIV e Aiatolá Khomeini.

O museu fica no mezanino de uma cafeteria latina e expõe personagens da música, do esporte, da política, do cinema, da internet, da literatura, da ciência, dos quadrinhos, de todas as áreas. A preferência é pela obra única, feita à mão, mas não há preconceito contra o produto feito em série, desde que capte o interesse do visitante. As peças são de materiais variados, de acordo com a preferência técnica de cada autor. São miniaturas feitas de resina, cerâmica, borracha, madeira, metal ou plástico, com estilos tão diferentes quanto os artistas.

Museu de Minicera a cena final do filme Casablanca Foto Divulgação
Museu de Minicera: a cena final do filme Casablanca | Foto: Divulgação

Expositores

As miniaturas podem estar em expositores temáticos, como a sala de cinema em tamanho reduzido, o mapa do Brasil ou o livro gigante, onde se mostram personagens agrupados por afinidade de assunto. Podem estar também nas caixas de acrílico transparente organizadas em duas paredes de cinco andares.

Nelas, o visitante encontra os destaques especiais, como miniescadas com cantores e compositores brasileiros, a exemplo de Caetano Veloso e Clementina de Jesus, ou com casais icônicos do mundo, como Evita e Perón, Glória Menezes e Tarcísio Meira, Jacqueline e John Kennedy, Diana e Charles.

Existem caixas com Marta, Ayrton Senna ou Pelé ao lado de Garrincha. Gente do passado, mas muita gente da atualidade, como é o caso da que agrupa os influencers Felca, Virgínia, MrBeast e IShowSpeed.

O museu também traz dioramas, que são a representação de uma cena com miniaturas e elementos de cenário. Há uma caixa acrílica que apresenta Jeffrey Epstein como um fantasma pairando sobre o planeta e debaixo de nuvens carregadas de ameaça contra os cúmplices.

Caferante onde fica o Museu de Minicera Foto de Euler de França Belém
Caferante: onde fica o Museu de Minicera | Foto: Euler de França Belém/Jornal Opção/2026

Em outra caixa, Fernando Pessoa está deitado na companhia de seus heterônimos. Numa terceira, Anne Frank escreve o famoso diário.

Cultura e entretenimento

A ideia é proporcionar ao visitante uma experiência com muita informação e, sobretudo, muito entretenimento, muitas surpresas, muita emoção.

Por isso, o museu expõe tanto figuras de paz e tolerância, como Martin Luther King e Betinho, quanto criminosos contra a humanidade.

Há, por exemplo, uma prisão simbólica com uma lista enorme de genocidas, ditadores e outros criminosos em grande escala, em que estão detrás das grades, entre outros, Mussolini e Stálin, ao lado de Pinochet e Mao.

O visitante é convidado a entrar atrás de uma cortina pesada, sob uma luz deliberadamente controlada, onde tem a oportunidade de experimentar a sensação de encarar a crueldade sem disfarce.

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Museu de Minicera: Tribunal de Nuremberg | Foto: Divulgação

Em outro expositor, monta-se uma simulação do Tribunal de Nuremberg, com os bancos de acusados nazistas, a prisão do subsolo e até o pátio das forcas. A intenção não é explorar o mórbido, mas confirmar a relevância de não esquecer o passado e suas ameaças. Relevância é mesmo sempre o critério para a seleção dos representados.

Então, os expositores abrigam igualmente os personagens da TV e dos quadrinhos que encantam as crianças de todas as épocas. Desde os mais contemporâneos das turmas da Mônica e do Chaves, até Pepe Legal, Popeye e Branca de Neve. Gente do humor como Renato Aragão, Golias, Chico Anysio e Jô Soares. Gente das novelas, como os vilões do porte de Odete Roitman e Leôncio, mas também Hebe Camargo, Chacrinha e Galvão Bueno.

Vitrais 3D

Nas janelas do museu, para dentro e para fora, estão montados nichos de madeira com figuras e cenários que estão ali para prender a atenção e instigar o visitante e quem passa pela rua. A composição das cenas quer encantar e convidar à reflexão e à crítica.

Vitral as Danças Foto Divulgação
Vitral “As Danças” | Foto: Divulgação

Na primeira janela externa, o vitral As danças. Nos nichos, o futebol como a dança da bola, o samba como a dança do Brasil, o balé como a dança clássica, a leitura como a dança da imaginação, o café como a dança dos sentidos, o baile do cântaro como a dança do Paraguai, o sistema solar como a dança da Lua e o voo da arara como a dança da natureza.

Na segunda janela, o vitral Tecnologia e esperança. Nela, os nichos abordam a alienação infantil, o influencer e a estridência da ignorância, o fenômeno das fake news e a síntese provocativa da esperança de olho no espectador.

Na janela interna, o vitral Ação e ofício representa a atividade humana. Os nichos agora ilustram o esporte, a música, as artes plásticas e visuais, o comércio, a indústria, os serviços públicos, a história, a agropecuária, a ciência, a literatura, a política e a filosofia.

Museu de Minicera Jô Soares Foto Divulgação
Jô Soares | Foto: Divulgação

Totens e mirantes

Espalhados pelo ambiente da exposição, o visitante conta com totens interativos em que pode consultar informações sobre os personagens representados pelas miniaturas. Pode também ver vídeos especiais, jogar ou avaliar conhecimento e percepção.

Três locais são assinalados como mirantes. O Mirante do Espelho é o ponto ideal para o visitante ver-se miniaturizado na superfície convexa. O da Parede oferece um binóculo para a brincadeira de examinar o conteúdo de um nicho pendurado no salão da cafeteria.

Já o Mirante do Vitral indica o lugar de observar da melhor perspectiva os detalhes dos nichos da janela interna.

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Keanu Reeves, ator, no Museu de Minicera | Foto: Divulgação

O percurso sugerido começa com um vídeo, em torno de quinze minutos de duração, com orientações e informações básicas sobre a visita. E termina na lojinha do museu, que oferece lembranças e objetos de desejo para os mais exigentes.

São chaveiros, ímãs, ecobags, canecas e azulejos, mas o Museu de Minicera está colocando à venda a miniatura da mascote Rê Replicante e os primeiros exemplares da série 21º Século, com dioramas de temas atuais, pintados à mão.

Os primeiros lançamentos são O influencer e a estridência da ignorância e A esperança sempre de olho em você. Além disso, a lojinha oferece uma experiência singular: o visitante pode ele mesmo usar os carimbos especiais do museu para autenticar livretos e cartões de colecionador.

O paisagista Burle Marx Foto Divulgação
O paisagista Burle Marx | Foto: Divulgação

Serviço: Museu de Minicera

CLS 203 — Bloco A — Loja 35, Brasília

Horário de visita: 5ª-Sáb.: 12h-21h  |  Dom.: 12h-18h  | 2ª-4ª: fechado

Ingressos: R$ 40,00 (inteira) | R$ 20,00 (meia). Promoção mês de inauguração: todo mundo paga meia com desconto: R$ 15,00

Everardo Leitão, jornalista, escritor e editor, é colaborador do Jornal Opção.