Inaugura-se o primeiro museu de cera em miniaturas de Brasília, do Brasil e do mundo
16 maio 2026 às 21h00

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Everardo Leitão
Especial para o Jornal Opção
Era simples. Era pegar o modelo de museu de cera e aplicá-lo a um projeto com miniaturas. Ou seja, era pensar numa exposição com estátua de personagens da história ou da ficção, o que se conhece como museu de cera, mas não no formato de costume, com esculturas em tamanho natural, a exemplo do conhecido Madame Tussaud’s.
A ideia era uma exposição com as esculturas em miniatura. Era simples, mas não existia em nenhum lugar do mundo. Pronto, estava assim inventado, em 2014, o conceito do Museu de Minicera, que reabre as portas agora em Brasília com o propósito de tornar-se uma atração para adultos e crianças.

Reabre, porque tinha sido fundado há mais de dez anos em Pirenópolis, o turístico destino goiano meio Brasil colonial, meio trilha e cachoeira, a 150 quilômetros da capital do país.
Mal funcionou e precisou ir morar num depósito até renascer este ano com seus expositores povoados por figuras tão distintas quanto Lula da Silva e Jair Bolsonaro, Putin e Zelensky, Rita Lee e Inezita Barroso, Hitler e Gandhi, Mônica e Cebolinha, Picasso e Caravaggio, Bad Bunny e Tom Jobim, Leão XIV e Aiatolá Khomeini.
O museu fica no mezanino de uma cafeteria latina e expõe personagens da música, do esporte, da política, do cinema, da internet, da literatura, da ciência, dos quadrinhos, de todas as áreas. A preferência é pela obra única, feita à mão, mas não há preconceito contra o produto feito em série, desde que capte o interesse do visitante. As peças são de materiais variados, de acordo com a preferência técnica de cada autor. São miniaturas feitas de resina, cerâmica, borracha, madeira, metal ou plástico, com estilos tão diferentes quanto os artistas.

Expositores
As miniaturas podem estar em expositores temáticos, como a sala de cinema em tamanho reduzido, o mapa do Brasil ou o livro gigante, onde se mostram personagens agrupados por afinidade de assunto. Podem estar também nas caixas de acrílico transparente organizadas em duas paredes de cinco andares.
Nelas, o visitante encontra os destaques especiais, como miniescadas com cantores e compositores brasileiros, a exemplo de Caetano Veloso e Clementina de Jesus, ou com casais icônicos do mundo, como Evita e Perón, Glória Menezes e Tarcísio Meira, Jacqueline e John Kennedy, Diana e Charles.
Existem caixas com Marta, Ayrton Senna ou Pelé ao lado de Garrincha. Gente do passado, mas muita gente da atualidade, como é o caso da que agrupa os influencers Felca, Virgínia, MrBeast e IShowSpeed.
O museu também traz dioramas, que são a representação de uma cena com miniaturas e elementos de cenário. Há uma caixa acrílica que apresenta Jeffrey Epstein como um fantasma pairando sobre o planeta e debaixo de nuvens carregadas de ameaça contra os cúmplices.

Em outra caixa, Fernando Pessoa está deitado na companhia de seus heterônimos. Numa terceira, Anne Frank escreve o famoso diário.
Cultura e entretenimento
A ideia é proporcionar ao visitante uma experiência com muita informação e, sobretudo, muito entretenimento, muitas surpresas, muita emoção.
Por isso, o museu expõe tanto figuras de paz e tolerância, como Martin Luther King e Betinho, quanto criminosos contra a humanidade.
Há, por exemplo, uma prisão simbólica com uma lista enorme de genocidas, ditadores e outros criminosos em grande escala, em que estão detrás das grades, entre outros, Mussolini e Stálin, ao lado de Pinochet e Mao.
O visitante é convidado a entrar atrás de uma cortina pesada, sob uma luz deliberadamente controlada, onde tem a oportunidade de experimentar a sensação de encarar a crueldade sem disfarce.

Em outro expositor, monta-se uma simulação do Tribunal de Nuremberg, com os bancos de acusados nazistas, a prisão do subsolo e até o pátio das forcas. A intenção não é explorar o mórbido, mas confirmar a relevância de não esquecer o passado e suas ameaças. Relevância é mesmo sempre o critério para a seleção dos representados.
Então, os expositores abrigam igualmente os personagens da TV e dos quadrinhos que encantam as crianças de todas as épocas. Desde os mais contemporâneos das turmas da Mônica e do Chaves, até Pepe Legal, Popeye e Branca de Neve. Gente do humor como Renato Aragão, Golias, Chico Anysio e Jô Soares. Gente das novelas, como os vilões do porte de Odete Roitman e Leôncio, mas também Hebe Camargo, Chacrinha e Galvão Bueno.
Vitrais 3D
Nas janelas do museu, para dentro e para fora, estão montados nichos de madeira com figuras e cenários que estão ali para prender a atenção e instigar o visitante e quem passa pela rua. A composição das cenas quer encantar e convidar à reflexão e à crítica.

Na primeira janela externa, o vitral As danças. Nos nichos, o futebol como a dança da bola, o samba como a dança do Brasil, o balé como a dança clássica, a leitura como a dança da imaginação, o café como a dança dos sentidos, o baile do cântaro como a dança do Paraguai, o sistema solar como a dança da Lua e o voo da arara como a dança da natureza.
Na segunda janela, o vitral Tecnologia e esperança. Nela, os nichos abordam a alienação infantil, o influencer e a estridência da ignorância, o fenômeno das fake news e a síntese provocativa da esperança de olho no espectador.
Na janela interna, o vitral Ação e ofício representa a atividade humana. Os nichos agora ilustram o esporte, a música, as artes plásticas e visuais, o comércio, a indústria, os serviços públicos, a história, a agropecuária, a ciência, a literatura, a política e a filosofia.

Totens e mirantes
Espalhados pelo ambiente da exposição, o visitante conta com totens interativos em que pode consultar informações sobre os personagens representados pelas miniaturas. Pode também ver vídeos especiais, jogar ou avaliar conhecimento e percepção.
Três locais são assinalados como mirantes. O Mirante do Espelho é o ponto ideal para o visitante ver-se miniaturizado na superfície convexa. O da Parede oferece um binóculo para a brincadeira de examinar o conteúdo de um nicho pendurado no salão da cafeteria.
Já o Mirante do Vitral indica o lugar de observar da melhor perspectiva os detalhes dos nichos da janela interna.

O percurso sugerido começa com um vídeo, em torno de quinze minutos de duração, com orientações e informações básicas sobre a visita. E termina na lojinha do museu, que oferece lembranças e objetos de desejo para os mais exigentes.
São chaveiros, ímãs, ecobags, canecas e azulejos, mas o Museu de Minicera está colocando à venda a miniatura da mascote Rê Replicante e os primeiros exemplares da série 21º Século, com dioramas de temas atuais, pintados à mão.
Os primeiros lançamentos são O influencer e a estridência da ignorância e A esperança sempre de olho em você. Além disso, a lojinha oferece uma experiência singular: o visitante pode ele mesmo usar os carimbos especiais do museu para autenticar livretos e cartões de colecionador.

Serviço: Museu de Minicera
CLS 203 — Bloco A — Loja 35, Brasília
Horário de visita: 5ª-Sáb.: 12h-21h | Dom.: 12h-18h | 2ª-4ª: fechado
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) | R$ 20,00 (meia). Promoção mês de inauguração: todo mundo paga meia com desconto: R$ 15,00
Everardo Leitão, jornalista, escritor e editor, é colaborador do Jornal Opção.



