Dois equívocos sobre a Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos

“Ermos e Gerais” foi o primeiro livro publicado com recursos da bolsa? A bolsa foi criada em 1941 ou 1943?

Nilson Jaime

Especial para o Jornal Opção

Um dos papéis do historiador é registrar corretamente os fatos, sanando dúvidas e evitando erros e omissões. Em tempos de internet, e suas dezenas de redes sociais, é comum informações errôneas serem multiplicadas por veículos de comunicação até serem tomadas por verdade.

Dois equívocos cercam a Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, importante láurea criada pela Prefeitura de Goiânia há mais de 70 anos, e que propiciou a dezenas de escritores a publicação de seus livros.

A primeira é que “Ermos e Gerais (Contos Goianos)”, de Bernardo Élis (São Paulo, Revista dos Tribunais, 1944), foi o primeiro livro publicado com recursos da láurea.

Meia verdade, já que ‘‘Antologia Goiana — Prosadores, Jornalistas e Poetas Falecidos (1838-1944)” (São Paulo, Revista dos Tribunais, 1944), organizada por Veiga Netto (livro clássico que ganhei de Coelho Vaz), foi igualmente publicado, com recursos da Bolsa Hugo de Carvalho Ramos, no mesmo ano.

O segundo diz respeito à data de criação da Bolsa. Todos os sites e jornais consultados dão o ano de 1944. A Bolsa foi criada pelo Decreto-Lei n° 475, de 25 de março… de 1941 ou 1943? As duas publicações trazem datas discrepantes. O livro de Veiga Netto informa 1943, enquanto que o de Bernardo Élis mostra 1941. Como a Bolsa foi criada para publicar o livro do escritor corumbaense, era de se esperar que a data correta fosse a informada no livro de Veiga Netto, ou seja, 1943, a mais próxima do ano em que as obras vieram a lume. E de fato foi em 1943, e não 1944, conforme comumente noticiado.

Bernardo Élis, autor de “Ermos e Gerais”, “O Tronco” e “Veranico de Janeiro” | foto: Reprodução

De acordo com o escritor e pesquisador Bariani Ortencio (informações pessoais): “Sendo Bernardo Élis funcionário da Prefeitura de Goiânia, o decoroso professor Venerando de Freitas Borges — primeiro prefeito de Goiânia — disse, temendo ser mal interpretado ao privilegiar o futuro imortal da ABL: ‘Vamos pôr mais gente nisso’”.

E criou a Bolsa de Publicações que levou o nome do precursor contista goiano: Hugo de Carvalho Ramos.

Nota

O verbete vai integrar o livro “Goyarum — Enciclopédia das Letras Goianas”, 15 volumes, em preparação, de minha autoria.

Nilson Jaime, doutor em agronomia pela Universidade Federal de Goiás, é colaborador do Jornal Opção.

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