Na manhã da sexta-feira da semana passada, gostei muito de uma cena que presenciei: cerca de quarenta estudantes do 5º ano da Escola Municipal Professor Paulo Freire recebendo aula de educação ambiental de técnicos da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) numa área pública da Vila Mutirão. Vi na respectiva ação o peripatetismo aristotélico sendo aplicado ao pé da letra às crianças.

Ao ver os alunos, cuja idade vai de 10 a 11 anos, me veio à mente uma frase lapidar do notável educador e filósofo brasileiro Paulo Freire (19/9/1921 – 2/5/1997), que dá nome à instituição de ensino. Está frase me acompanha desde os meus tempos de estudante de Letras na antiga Universidade Católica de Goiás, hoje PUC Goiás: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Mais de 400 anos atrás, algo relacionado ao poder da educação foi dito pelo teólogo e filósofo humanista holandês Erasmo de Roterdã. Ele falou da impossibilidade de se escolher os próprios pais ou a pátria, mas ressaltou que “cada um pode moldar sua personalidade pela educação”. A mim a educação me moldou de tal ponto que aprendi a olhar os lírios do campo e a não correr atrás do vento.

Educação tem sido um assunto constante dos governos, é algo recorrente, mas a prática realizada pela maioria deles tem ficado aquém do que propagandeiam. Enfim, tem havido mais é barulho. A maioria dos governos tem optado pela primeira categoria de escolas dentro das duas mencionadas por Rubem Alves: “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”. Se as ações práticas estivessem em sintonia com as palavras, certamente se compraria bem menos munições para o armamento das polícias e se compraria mais livros. Haveria menos balas perdidas, menos vítimas alvejadas letalmente, seja justa e injustamente. (Esta maneira é a pior e não tem sido combatida com o rigor da lei.)

Uma educação de boa qualidade e a valorização dos trabalhadores que a realizam tem a ver com a Parábola do Semeador. Essa ação seria semear os estudantes em terra boa e fazê-los dar bons frutos socialmente, é poupá-los da adoção do mundo do crime, é livrá-los das cadeias, é livrá-los da mira das armas das polícias.

Meus colegas de trabalho da Amma fizeram bonito no bate-papo que tiveram com os estudantes, os quais estavam acompanhados do diretor da escola, Glauter Lago, e alguns professores. Na “minha infância querida que os anos não trazem mais”, não se falava em meio ambiente no Grupo Escolar Marechal Deodoro da Fonseca, em que estudei no Bairro Boa Vista, em Belo Horizonte. Vim a tomar conhecimento de meio ambiente já mancebo.

A meninada da Escola Municipal Professor Paulo Freire pôde ficar sabendo da importância de se ter uma relação harmoniosa para com o meio ambiente, aprenderam sobre os efeitos ambientais positivos na realização da reciclagem. Perguntados sobre quais deles tinham amor pelos pets, praticamente todos responderam positivamente. A pergunta foi feita justamente para chamar a atenção deles sobre a necessidade de se ter o mesmo amor para com as árvores. Destacando que estas são pets muitos especiais e de importância vital à sobrevivência dos homens e dos bichos.

A aula peripatética foi encerrada com o plantio de cinco ipês de variadas cores. Aos estudantes foi explicado que o buraco na terra para o plantio não se chama “cova” como é comum por aí, mas um berço. Afinal nele é colocada uma árvore ainda bebê. Próximo às mudas plantadas, foram instaladas pequenas placas com o nome do aluno que plantou cada muda.

Vi na ação da escola e da Amma a recomendação do filósofo e matemático grego Pitágoras: “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.

Sinésio Dioliveira é jornalista, poeta e fotógrafo da natureza