“Crime e Castigo” é um dos livros mais lidos em presídios de segurança máxima

Seria catarse? Não importa, pois quem lê Dostoiévski está sempre em boa companhia

Fiódor Dostoiévski: retratista da alma humana

“Crime e Castigo” é um dos melhores livros já escritos na história da literatura; é, sem dúvida, uma obra brilhante de Dostoiévski, que com uma narrativa única passa por vários temas, da angústia à filosofia da ideia pelo homem e não do homem pela ideia. Porém, a história de Raskólnikov, que mata para provar uma ideia, é sobretudo sobre redenção, que no romance é representada por Sônia, a jovem prostituta a quem Raskólnikov passa a amar.

A verdade é que “Crime e Castigo” é um retrato da alma humana. Não à toa, a obra de Dostoiévski é lida e relida desde o fim do século 19, quando foi publicada, sem nunca deixar de ser atual — e provavelmente nunca deixará, pois é este o grande mérito das obras brilhantes. E é por isso que não estranha o fato de “Crime e Castigo” estar entre os livros mais lidos por presos brasileiros que buscam abatimento de pena.

O levantamento foi feito pelo Ministério da Justiça nas penitenciárias de segurança máxima e mostra também livros como “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, e “Através do Espelho”, de Jostein Gaarder.  O ranking faz parte da “fiscalização” do Projeto Remição pela Leitura, que permite ao presidiário o abatimento de quatro dias de sua pena pela leitura de um livro, benefício alcançado com uma resenha escrita pelo preso.

Contudo, infelizmente, o detento não é livre para ler quantos livros quiser. Cada preso só pode participar do projeto até 12 vezes no ano, o que representa 48 dias a menos na prisão. Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, informa em sua coluna que, desde 2010, foram produzidas 6.004 resenhas nas penitenciárias de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Rondônia.

Agora, por que escolher “Crime e Castigo”? Bem, podemos sempre falar também em catarse, não é mesmo? Mas isso não importa, na verdade. O importante é que, ao contrário de Raskólnikov, que tinha muita leitura, mas lia mal, os detentos que o escolherem estarão lendo bem. Ao menos, assim se espera.

Uma resposta para ““Crime e Castigo” é um dos livros mais lidos em presídios de segurança máxima”

  1. Avatar ozimandias disse:

    Todos (sabidos e letrados) dizem que as pessoas têm de ler livros…
    e como são sabidos e letrados que dizem todos acreditam. E quase todos lêem. E muitos lêem livros bons, como Crime e Castigo, Memórias do Cárcere, O Cinde de Monte Cristo, ou Os Miseráveis..existem muitos livros bons sobre condenados injustiçados. E todos acreditam no que lêem, claro, pq também querem ser sabidos e letrados. E como todos os encarcerados dos livros são nobres almas inocentes, vitimas das injustiças dos poderosos.. Eles, os que lêem e acreditam, passam a acreditar que todos os presos são Edmund Dantes, O Conde de Monte Cristo, Jean Valjeans e Gavroches – nobres almas inocentes, injustiçadas pela “sociedade”… Os filmes (acabo de rever Papillon..com roteiro magistral do comunista Dalton Trumbo) também ajudam muito nesse trabalho; pronto: está armado o cenário da tragédia da vida real, cotidiana, com legiões de marias do rosário idolatrando os piores malfeitores…

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