Curta! exibe documentário “Salvador Dalí, As Duas Faces de um Gênio” com entrevistas inéditas do pintor catalão

O pintor Salvador Dalí | Foto: Divulgação/Curta!

Genial, controverso, paranoico, midiático, provocador. Esses são alguns dos adjetivos usados para caracterizar Salvador Dalí, um dos maiores nomes da pintura do século XX. A trajetória do artista surrealista é contada no documentário “Salvador Dalí, As Duas Faces de um Gênio”, que estreia no Brasil através do Curta! e do Curta!On – Clube de Documentários, streaming disponível no NOW e em CurtaOn.com.br

O filme, dirigido pelo francês François Lévy-Kuentz, conta com belas imagens de Port Lligat, na Catalunha, onde Dalí viveu por muitos anos, e principalmente com um rico acervo de registros de sua vida particular, suas entrevistas e performances. São imagens que mostram sua trajetória, da infância à vida adulta, passando pelo longevo casamento com seu grande amor e eterna inspiração: Gala.

Nas diversas entrevistas com o artista, ele mesmo conta sua história e também fala de seu processo criativo, suas ideias e sua técnica, intitulada por ele de “paranoia crítica”. O método envolve ilusões de ótica, múltiplas imagens e desconstrói conceitos psicológicos de identidade — que é sobreposta pela subjetividade —, mostrando a grande influência dos estudos de Freud em sua obra. Para André Breton, escritor e principal teórico do surrealismo, Dalí foi a essência do movimento.

Durante a Segunda Guerra, no entanto, ele se afastou do grupo surrealista e foi morar em Nova York com Gala, onde trabalhou como nunca, de maneira totalmente versátil. Além de expor seus quadros, Dalí se aventurou em todo tipo de negócio, desde decoração de boates e design de joias até a colaboração com o cinema de Alfred Hitchcock. Assim, tornou-se um dos artistas mais ricos do mundo. A partir de então, o mesmo André Breton passou a criticá-lo e a chamá-lo por um anagrama feito com seu nome: Avida Dollars.

Um dos focos do filme são as controvérsias de Dalí. Em certo momento, ele se dizia católico, mas nunca renunciou ao erotismo, à escatologia e demais comportamentos pouco religiosos. Em outro, considerava a televisão uma grande degradação, mas se tornou totalmente midiático e exibicionista.

Em Dalí, essa dualidade sempre se manifestou, em sua arte e em suas declarações e aparições públicas, tornando-o um grande enigma, cuja sanidade era questionada por alguns. Já na maturidade, em uma entrevista, ele próprio tenta explicar: “O lado louco que as pessoas pensam ver em Dalí é justamente o lado mais trágico da minha existência”. A estreia é na Terça das Artes, 7 de junho, às 23h.