Adalberto de Queiroz: “O Rio Incontornável” de uma poesia de mestre

Trata-se de obra concisa, sobretudo, dotada de um teor poético tocante, intelectual e susceptível, aos preceitos de uma lírica imponente

Delermando Vieira       

Especial para o Jornal Opção

“O Rio Incontornável” (Mondongo, 74 páginas), de Adalberto de Queiroz, 74 páginas, é, antes de tudo, uma obra poética singular, ao fascínio do que se dá, se entrega e se revela, ao esmero de uma grande poesia.

Obra concisa, porém, muito leve e, sobretudo, dotada de um teor poético tocante, intelectual e susceptível, aos preceitos de uma lírica imponente, onde, com sapiência verbal, o autor se prontifica notável poeta. Sabedor de seu fôlego, sua verve, Adalberto, neste seu belo livro, se conecta aos impulsos de uma poesia humana, bastante humana, aos pretextos e coerência àquilo que lhe permeia – e caminha – às profundas e singelas alegorias do Ser. Como um mago, utilizando expressões em francês, sem apetrechos de impressionar, mas, sobremaneira, sedimentando-se, com afinco, aos enleios de sua sabedoria, sua eficácia em erigir seus versos, edifica aqui, a lume, toda sensibilidade e beleza, tão inerentes à sua aguda natureza de poeta. Edificador de uma poesia intelectual, mas, acima de tudo, carregada de uma leveza constante e nunca trivial, esse poeta vivencia seu ofício como sendo, nada mais, nada menos, que um verdadeiro senhor de suas armas, que, por sinal, são a linguagem, a sensibilidade e, como não poderia deixar de ser, sua vasta maturidade, em termos de cultura e saber. É com extrema sensibilidade e aguda filosofia de vida, que ele se guia, se lega e se completa, à luz de uma estética fascinante, regada de cumplicidade, junto às coisas e às causas do dia, da Vida, do Mundo. Entregando-se às grandes citações, como, por exemplo, Que a brancura dos ossos resgate o esquecimento (T. S. Eliot. em “Quarta-feira de Cinzas”), como, ainda, Toute lune  est atroce et toute soleil est amer, ou seja, toda lua é atroz e todo sol é amargo, Rimbaud, este poeta se engrandece, aos entremeios e finais, à grandeza literária de seus temas. Adalberto, pleno, então, em toda a sua parafernália de conhecimentos, em relação aos grandes autores da poesia universal, se faz altruístico e notável, certo de sua vasta e sincera cultura intelectual.

Adalberto de Queiroz: poeta | Foto: Divulgação

Seguro e preciso, à natureza de suas verdades intelectuais, esse poeta, que, agora, nos brinda com este seu significativo e importante livro de poemas, carrega em si, em sua alma, uma lírica profunda, cuja natureza específica está inteiramente jungida às revelações e insinuações, tão inerentes a outros grandes poetas da Humanidade. Por isso é que, tão de repente, presenciamos em seus poemas citações de versos de grandes autores, como epígrafes ou não, de outros poetas, poetas esses que, certamente, edificaram pensamentos e sensações que, naturalmente, encantaram a Humanidade. Notoriamente, como um sopro andejo e sublime, tendo, no entanto, em si, no seu hausto, todo um aparato de momentos simples, porém mágicos, os versos de O rio incontornável são, de fato, auríferos e preciosos, ao que se tange e se concretiza ao escopo de tudo aquilo que, no fundo, sangra a sabedoria dos Homens; e é assim sua poesia. Não simplesmente ou somente assim, mas, também, assim, como nos campos os lírios, ao sopro de uma viração matutina. Sabedor do que o impulsiona, e se propõe, quanto à edificação de seus poemas, neste Mundo deles, os Homens, Adalberto de Queiroz nutre-se de sua anuência ao belo, ao magnífico, vivificando-se da dicotomia de sua intelectualidade, seu conhecimento profundo, com relação à cultura universal, à linguagem, aos idiomas e revelações estoicas, relevantes, ao que, na verdade, se sedimenta e se verbaliza ao enleio da inspiração telúrica, como, também, ao sincero sentido de seu coração de poeta.

É com respeito à consciência humana, que podemos dizer que Adalberto de Queiroz nos lega, agora, um belo livro, que nos encanta e nos engrandece a alma, o Ser.

Delermando Vieira é poeta, contista, novelista. Membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Goiana de Letras e da Academia de Artes e Letras de Caldas Novas.

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