10 bandas indie francesas que você deve conhecer

Com sons variados, do folk ao pop e eletrônico, os artistas têm se destacado por seu som, que traz influências de David Bowie, Nina Simone, Velvet Underground e outros

Yago Rodrigues Alvim

Os artistas aqui listados estão longe de serem os melhores do indie francês ou mesmo se encaixam no estilo/gênero rock-indie. “10 bandas indie” diz mais de nomes de grupos ou até de artistas solos que se destacam por seu som, mas que estão longe de uma popularidade à la Britney Spears ou qualquer artista do tipo. No entanto, são muito bons (ousaria dizer melhores, perdoando-me ao “Britney Army”). A lista é para você conhecer, então, alguns nomes, um pouco de suas histórias e ainda ganhar indicação de músicas. Vale dizer que não se apresentam em uma ordem, nem mesmo alfabética ou de “melhor som”; seguem apenas uma casualidade. Caso queira acrescentar algum, só dizer. Afinal de contas, nada melhor que música. Let’s pl… Opa, jouons !

M83m83
A electropop e indietrônica M83 é uma banda de Antibes, formada em 2001 por Nicolas Fromageau e Anthony Gonzalez. Seu gênero musical também pode ser chamado de “shoegazing”, estilo que surgiu nos anos 1980 e se popularizou na década seguinte; nele, os sons se misturam, o que dá o tom psicodélico. O nome da banda se refere à galáxia M83 (de Messier 83), também conhecida como Cata-Vento do Sul, uma galáxia em formato de espiral. O grupo só se popularizou com seu sexto álbum, o intitulado “Hurry Up, We’re Dreaming”, que traz a canção “Midnight City” (se não escutou, fica a dica).


sokoSoko

Francesa de Bordeaux, Stéphanie Sokolinski, conhecida apenas por Soko, além de ter seus trabalhos musicais, já se dedicou ao cinema. Ela atuou em alguns filmes, até se tornar conhecida por suas músicas, que eram divulgadas no My Space, em 2007. Dentre seus trabalhos mais conhecidos, lista o álbum cantado em inglês “I Thought I Was an Alien” (2012), que traz as canções “We Might Be Dead By Tomorrow” e “First Love Never Die”, que são as sugestões para que você, caro leitor, ouça.

sebastian-tellierSébastian Tellier
Além de cantor e compositor, o multi-instrumentista parisiense Sébastian Tellier é considerado um dos mais significativos nomes da música francesa da última década. Com músicas em outras línguas, como o inglês, Tellier já foi atração do festival brasileiro Coquetel Molotov, realizado nas terras de Recife. A apresentação no país canarinho foi em 2009. Se você, caro leitor, curte o som da (ótima) banda Metronomy, se liga no artista, pois ele já teve canções mixadas pelo grupo inglês – e até já listou na songlist do filme “Encontros e Desencontros”, de Sofia Coppola. Dentre as canções, procure “L’Amour et la violence”, do álbum “Sexuality” (2008), “La Ritournelle”, de “Politics” (2004), e, claro, “Look”, que tem um ótimo clipe.

lescopLescop
A primeira coisa que encontrei ao pesquisar para saber mais sobre Lescop foi “MGMT”. Precisa dizer mais? Tudo bem, vamos lá. Vá ao Spotify, ou mesmo no YouTube, e coloque “La forêt” para tocar. A coisa fica melhor, não é mesmo? Na sua página do Facebook, descreve-se assim: “Lescop escreve e compõe a variedade bipolar francesa”. De Châteauroux, região central da França, Lescop, ou Mathieu Peudupin, seu nome de nascença, já esteve à frente da banda de rock “Asyl”, formada em 1995 e que tinha como influência Sex Pistols, Joy Division e David Bowie. O primeiro álbum veio em 2013, pela Pop Noire, gravadora também do seu novo álbum, o “Écho”, que ainda só tem o single, de mesmo nome, lançado (e é muito bom, vale dizer).

mademoiselle-kMademoiselle K
A também parisiense Mademoiselle K, ou melhor dizendo, Katerine Gierak, que é líder da banda, tem como influência sons como o de Nina Simone, Otis Redding, Marvin Gaye, David Bowie, Radiohead, Arcade Fire e por aí continua. Desde 2007, o grupo lança suas canções, mas Gierak se dedica à música desde muito antes — começou com cinco anos de idade. Compositora, guitarrista e baixista, ela tem ao seu lado os músicos Pierre-Antoine Combard, Pierre Louis Basset e David Boutherre, com quem lançou “Ça me vexe” (2006), “Jamais la paix” (2008), “Jouer Dehors” (2010) e “Hungry Dirty Baby” (2015). Pode escutar “Jalouse” e “Ça me vexe”, sem medo algum de não viciar. É muito bom.

la-femmeLa Femme
Se você, caro leitor, já escutou algumas canções aleatórias no YouTube, certeza que, ao menos, já viu a arte de capa do álbum “Psycho Tropical Berlin”, convidando a dar play. De 2013, o álbum é o debute do grupo de Biarritz. Formado por Sacha Got e Marlon Magnéé, o grupo conta ainda com os músicos Sam Lefèvre, Noé Delmas, Clémence Quélennec, Clara Luciani, Jane Peynot, Marilou Chollet e Lucas Nunez Ritter. Primeira canção (obrigatória) para escutar é “It’s time to wake up 2003” — e, relaxe, é em francês. Com influências de Velvet Un­der­ground, Kraftwerk, eles misturam coldwave, punk e “yé-yé”, que nada mais é que “Yeah, Yeah”, do inglês, mas que se popularizou na França, Itália e Espanha na década de 1960 e, mais fortemente, com os Beatles e, olha só, Serge Gainsbourg. Dá play logo.

yelleYelle
Libera a sala, dá espaço aí para dançar, pois o electro pop de Yelle começou a tocar na pista. Acrônimo de “You enjoy life” (em livre tradução, “você aproveita a vida”), é uma banda de Brieuc, região da Bretanha, liderada por JulieBudet. Ela também apareceu pelo My Space, em 2005. A primeira coisa que vem à cabeça ao ouvir a cantora é “Mika”; pois bem, ela já abriu um show para o artista e também esteve ao lado de nomes da música como Lily Allen e Fatal Bazooka (que você conhece logo mais). Na discografia, os álbuns “Pop-up” (2007), “Safari Disco Club” (2011) e “Complètement Fou” (2014). Para escutar, se liga em “Je veux te voir”, “Ce jeu” e “Comme um enfant”.

fatal-bazookaFatal Bazooka
O grupo parisiense formado por Michaël Youn, Vincent Desagnat e Benjamin Morgana está na estrada desde 2006. Dentre seus vários singles, lista “Parle à ma main”, que tem participação de Yelle; no entanto, tem apenas um álbum, o intitulado “T’as vu” (“Tu as vu”, que quer dizer “você viu”), pelo qual recebeu diversas indicações a prêmios, como o NRJ Music Awards (NRJ é um acrônimo de “energia” e nome de uma rádio que está no ar desde 1981. O grupo tem como estilo o hip-hop e rap francês. Dentre as canções, escute ainda “Fous ta cagoule” e “J’aime trop ton boule”.

jupiterJupiter
A verdade é que é um tico difícil encontrar a banda (nada tão grave, só se esquivar do planeta, do álbum do Silva e está tudo bem). Lá está o duo parisiense que se encontrou pela primeira vez em Londres – o que talvez já aquiete os nervos de quem lê, pois o grupo canta sim em francês e inglês. Amélie de Bosredon e Quarles Baseden vêm, desde 2007, agraciando o público com seu disco de electro-funk pop. Além de muitos trabalhos paralelos, como alguns lançados pelo selo francês Kitsuné, a banda tem dois álbuns de estúdio; “Juicy Lucy” (2012) e o recém-saído do forno “Bandana Republic”, de 2015. Os conselhos musicais são as canções “One O Six” e “Do it”.

fauveFauve
Baseado no drama francês de 1992, “Les Nuits Fauves”, de Cyril Collard, o nome “Fauve” intitula o coletivo de arte, música e videografia, que, desde 2010, apresenta suas canções de palavra falada de Paris para o mundo. Foi em 2013 que veio seu primeiro trabalho, o EP “Blizzard”. No ano seguinte, “Vieux Frères – Partie 1” deu mais 11 canções ao público. “Vieux Frères – Partie 2” foi lançado em 2015 e seu último trabalho, o intitulado “150.900”, que tem 37 canções (incluindo lives), saiu do forno este ano. Dentre as canções, escute “Infirmière”, “Nuits Fauves” e, claro, “Blizzard”.

BONUS

Coeur de Pirate
Cantora e compositora canadense, Béatrice Martin ou Coeur de Pirate, como é conhecida artisticamente, merece e muito estar na lista por ser um dos grandes nomes da música francofônica (caso ache uma injustiça com os demais artistas que cantam em francês, dê um desconto ou finja, só por mais umas linhas, que o título é “10 bandas indie que cantam em francês). Do Quebec, a artista tem diversos trabalhos. São eles os de estúdio “Coeur de Pirate” (2009), “Blonde” (2011), “Trauma” (2014), “Child of Light” (2014) e “Roses” (2015). Escute “Adieu”, “Francis” e “Oublie-moi”.

Fakear
Procure “Silver”, do artista de Caen, e aproveite as últimas linhas para saber um pouco mais do garoto de 24 anos, que tem um som tão bom quanto o de Bonobo e Flying Lotus, suas influências. Fakear é Théo Le Vigoureux, que vem, desde 2013, se destacando na cena musical eletrônica. O nome vem do inglês “fake ear”, que quer dizer “falsa orelha/falsa música” e refere-se à transição do rock para a música eletrônica. Foram quatro EPs até ganhar notoriedade — os intitulados “Morning in Japan”, de julho de 2013, “Dark Lands”, de dezembro do mesmo ano, “Sauvage”, de 2014, que contou com a colaboração de Deva Premal, e “Asakusa”, de 2015. Seu primeiro álbum, “Animal”, veio este ano e está todinho disponível para apreciarmos.

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