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A esperança de Iris, Vanderlan e Gomide

A campanha no rádio e na TV começa nesta semana e a dúvida é se com ela a oposição conseguirá abalar o favoritismo de Marconi [caption id="attachment_12913" align="alignleft" width="3411"]Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide: opositores saberão usar o tempo no rádio e na TV para reverter o favoritismo que as pesquisas estão dando cada vez mais a Marconi Perillo? Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide: opositores saberão usar o tempo no rádio e na TV para reverter o favoritismo que as pesquisas estão dando cada vez mais a Marconi Perillo?[/caption] A morte de Eduardo Cam­­pos (PSB) conflagra a sucessão presidencial, embora ainda não se possa aferir quanto. Certamente mexerá também no quadro sucessório em Pernambuco e/ou outros Estados do Nordeste brasileiro. Mas não há porque considerar que possa haver influência em Goiás, mesmo lembrando que Eduardo tinha palanque aqui com Vanderlan Cardoso, do mesmo partido. A saída de cena do pernambucano talvez influencie especificamente a campanha de Vanderlan, e não de forma positiva para o empresário goiano, mas não é esse o objeto da análise a seguir. O que se vai considerar neste texto é a possível influência do horário eleitoral gratuito, que começa nesta semana, sobre o quadro sucessório local. Desde o ano passado, o governador-candidato à reeleição Marconi Perillo (PSDB) vem liderando as pesquisas de intenção de voto. Nas primeiras a diferença não foi mais expressiva. O problema para a oposição é que essa frente vem se consolidando paulatinamente, pinga-pingando de forma inexorável a cada levantamento. Cito as duas pesquisas mais “frescas” como exemplos. Na aferição Fortiori que o Jornal Opção divulga nessa edição, Marconi tem 38% das intenções de votos, contra 26% de Iris rezende (PMDB), 8% de Vanderlan e 7% de Antônio Gomide (PT). São 12 pontos de diferença entre Marconi e Iris, o que amplia em dois pontos a diferença constatada no levantamento Fortiori anterior, divulgada no dia 20 de julho, já que o tucano manteve seu índice, mas o peemedebsita caiu dois pontos. A pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira, 15, mostra que Marconi Perillo já tem 41% das intenções de voto, contra 28% de Iris Rezende, são 13 pontos de diferença. Van­derlan Cardoso tem 6% e Antônio Gomide 5%. Marconi subiu seis pontos em relação ao levantamento anterior do Ibope. Iris subiu apenas dois pontos. Vanderlan caiu três pontos e Gomide caiu um ponto. E o pior para os adversários do tucano é que as projeções com as margens de erros são muito ruins para Iris — nem carece projetar os índices de Vanderlan e Gomide nesse critério. A diferença já configura um arco ascendente pró-Marconi que dificilmente poderá ser alcançado. A possibilidade de vitória do governador no primeiro turno se desenha cada vez mais real. Não é difícil imaginar que comece a bater certo desespero nos oponentes do tucano. Bem, pesquisa é pesquisa, retrata momentos e cenários. O próprio passar do tempo pode mudar o cenário. Pelo andar da carruagem, resta à oposição se apegar a isso. Exemplos de viradas eleitorais não faltam, tanto aqui em Goiás quanto em outros Es­tados. O mais notório, e nunca é demais repetir, se deu em 1998, quando Marconi tinha 3% das intenções de votos e virou contra Iris Rezende, que partia com mais de 70% das intenções de voto e tinha a máquina governamental a seu dispor. É preciso que se registre: em 1998, a propaganda eletrônica foi a grande alavanca para a virada do tucano em cima de Iris, mas não apenas ela. As veiculações da então oposição no rádio e na TV deram um banho de criatividade, aliando bom humor, exploração das falhas do adversário e exaltação à boa imagem de um candidato novo sem desgaste. Mas havia ali um caldo de cultura que pedia mudança. A propaganda do tucano potencializou isso e impulsionou a virada. Nesta quarta-feira, 20, começa a ser veiculada a propaganda eleitoral gratuita (?) no rádio e na TV para os candidatos ao governo — as veiculações começam no dia anterior, com os candidatos à Presidência da República e à Câmara dos Deputados. É por aí que Iris, Vanderlan e Gomide — pelo que se viu até agora, os candidatos nanicos não contam nessa conta — esperam começar a mudar o quadro atual de favoritismo do tucano. Os adversários de Marconi Perillo estão certos. Há sim a possibilidade de começar a mudar o quadro eleitoral com a propaganda eleitoral gratuita, robustecendo um pouco que seja índices até aqui anêmicos, principalmente nos casos de Vanderlan e Gomide. O problema é que Marconi Perillo também tem direito à propaganda. E, pior ainda mais para Iris, Vanderlan e Gomide, o tucano tem mais tempo. A coligação Garantia de um Futuro Melhor para Goiás, de Marconi Perillo, terá cerca de 60% a mais de tempo que a chapa Garantia de um Futuro Melhor para Goiás, de Iris Rezende. Serão 7 minutos e 30 segundos diários em cada um dos quatro blocos do horário eleitoral (no rádio, eles são das 7h às 7h50 e das 12h às 12h50; e na televisão, das 13h às 13h50 e das 20h30 às 21h20). Em termos porcentuais, Mar­coni ocupa mais de 37% do bloco de 20 minutos para aspirantes a governador goiano. Iris Rezende toma cerca de 22% do tempo, com os 4 minutos e 18 segundos da sua coligação. Ou seja, os dois principais adversários ocupam 60% do tempo total. Vanderlan Cardoso terá 2 minutos e 5 segundos, enquanto Antônio Gomide vai dispor de 3 minutos e 9 segundos. Claro, tempo maior não quer dizer que a batalha eletrônica está automaticamente ganha. Mas é uma baita vantagem. Mesmo porque há tempo para apresentar propostas e ainda fazer algumas “firulas” atrativas visualmente. Em TV isso pode contar pontos. O leitor verá, por exemplo, o que os programas do PT farão para Dilma Rousseff na campanha à Presidência, com imagens mirabolantes, mesmo que a candidata deixe muito a desejar em termos de conteúdo. Mas, tempo demais na TV, se não for usado com inteligência pode ser um tiro pela culatra. O excesso de exposição tende a desgastar o candidato. Como os opositores de Marconi não terão tempo em excesso, pode ser que eles usem esse espaço valioso para apresentar propostas. Os ataques — e principalmente o PMDB já deixou claro que serão priorizados — deverão ser intensificados no rádio, veículo que se presta mais a essa tática. É lícito pensar que a coligação de Iris vai utilizar a TV para um trabalho que é um autêntico desafio: modernizar a imagem de seu candidato, um homem ainda afeito a coisas e fatos do passado, até em sua linguagem, cheia de referências a mutirões e mamutes estatais como Crisa, Dergo e outros. É bom que a oposição tenha alento com o horário eleitoral. Resta saber se saberá utilizá-lo de forma inteligente como o adversário governista fez em 1998. Naquela eleição a propaganda ajudou sobremaneira a virar uma eleição que muitos tinham como perdida.

Iris Rezende passa a impressão de que parou no tempo. Correr, para mostrar juventude, não é convincente

Ninguém teve coragem de dizer a verdade para Iris Rezende. Mas se for mesmo verdade que ele vai começar seu programa na televisão participando de uma corrida com amigos e professores de academia estará cometendo mais um desatino. Um homem de 81 anos não deixa de ser um homem de 81 anos só porque participa de uma corrida.

Iris Rezende, político experiente e sério, deveria tentar vencer Marconi Perillo, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide noutro campo: o das ideias. Nesta área, fica-se com a impressão de que o peemedebista está mais do que defasado. As pessoas, depois de ouvi-lo, concluem que “parou” no tempo. É uma pena, porque Iris é um político com uma estatura que se aproxima da de Pedro Ludovico e Mauro Borges.

Depois que disse que as pessoas não podem mais colocar “cadeira no passeio”, sugerindo um bucolismo, uma nostalgia e desconhecimento do mundo moderno ímpares, só falta Iris dizer que vai asfaltar até os quintais das casas de todo o Estado.

 

Gilvane Felipe ganhou uma missão: organizar uma juventude propositiva e aguerrida para Marconi Perillo

O mestre em história pela Sorbonne Gilvane Felipe integrou-se à equipe de José Paulo Loureiro, com o objetivo de contribuir para organizar uma juventude mais participativa e, politicamente, agressiva para a campanha do governador tucano Marconi Perillo.

Ex-militante do PC do B, agora filiado ao PSDB, Gilvane Felipe tem experiência na “arte” de lidar com jovens.

Importante: o governador Marconi Perillo mantém seu apreço por Gilvane Felipe, que considera competente e leal.

Jornais sugerem que apenas Eduardo Campos morreu em acidente de avião

[caption id="attachment_12919" align="alignleft" width="620"]Carlos Augusto Leal Filho (1) , Alexandre Severo (2), Pedro Almeida Valadares Neto (3), Marcelo Lyra (4), Marcos Martins (5) e Geraldo Cunha (6). Os quatro primeiros trabalhavam na campanha de Eduardo Campos, os outros dois pilotavam a aeronave Carlos Augusto Leal Filho (1) , Alexandre Severo (2), Pedro Almeida Valadares Neto (3), Marcelo Lyra (4), Marcos Martins (5) e Geraldo Cunha (6). Os quatro primeiros trabalhavam na campanha de Eduardo Campos, os outros dois pilotavam a aeronave[/caption] Comparadas as capas dos jornais, lidas as reportagens, é possível concluir que no acidente de avião ocorrido em Santos, na quarta-feira, 13, morreu “apenas” o presidenciável do PSB, Eduardo Campos. Nos rodapés, para manter a objetividade, os jornais esclareceram que morreram, além do ex-governador de Pernambuco, mais seis pessoas, menos nobres, por certo, e por isso merecedoras de menos espaço e apreço. Os repórteres deveriam ter mostrado, de maneira menos insossa — fizeram questão de ressalvar que, num desabafo, um piloto disse, numa rede social, que estava cansado (qual trabalhador não faz o mesmo, diariamente?) —, um pouco mais sobre esses indivíduos. Cada um tem sua história e suas famílias sofrem como a família do líder pernambucano. Pedro Almeida Valadares Neto, ex-deputado federal, Carlos Augusto Leal Flho, assessor de imprensa de Eduardo Campos, Alexandre Severo, fotógrafo da campanha, Marcelo Lyra, cinegrafista, Marcos Martins e Geraldo Cunha, pilotos, merecem ter suas histórias narradas. Afinal, são seres humanos como Eduardo Campos e têm parentes que também estão abalados. A imprensa brasileira, aparentemente de mentalidade aristocrática, parece que quer transformar Eduardo Campos numa espécie de Evita Perón de calça.

Nayara Barcelos e Paulo do Valle assustam Heuler Cruvinel em Rio Verde

A ascensão de Nayara Barcelos e, sobretudo, de Paulo do Valle em Rio Verde começa a assustar Heuler Cruvinel. Na disputa para deputado federal, Cruvinel ainda é o favorito, mas Valle e Nayara começam a cair no gosto do eleitorado.

Nayara Barcelos foi casada com Heuler Cruvinel, mas não faz uma campanha de vingança.

Se Cruvinel for derrotado, é provável que Lissauer Vieira, se eleito, dispute a Prefeitura de Rio Verde

Em Rio Verde, até os “doutores” Milho e Soja “dizem” que, se Heuler Cruvinel (PSD) for derrotado para deputado federal e se Lissauer Vieira for eleito para deputado estadual, a situação do primeiro se complica.

Lissauer Vieira, se eleito, pode pleitear a Prefeitura de Rio Verde.

Líder do PTN avalia que o petista Karlos Cabral deve ser reeleito para deputado estadual

Tese de Francisco Gedda: “Karlos Cabral (PT), mesmo com muita dificuldade, vai ser reeleito deputado estadual, o que é positivo para o Legislativo, uma vez que é atuante e crítico”.

Gedda frisa que Karlos Cabral é um político consistente, propositivo e ético. “Rio Verde certamente vai elegê-lo.”

O ataque brutal do crítico americano H. L. Mencken a um romance de Herman Melville

[caption id="attachment_12915" align="alignleft" width="300"]Layout 1 Diário de Henry Louis Mencken critica, sem contemplação, escritores consagrados[/caption] H. L. Mencken (1880-1956) deixou um “Diário” (Bertrand Brasil, 575 páginas, tradução de Bentto de Lima) de qualidade desigual, com comentários às vezes puramente idiossincráticos, mas quase sempre divertidos, polêmicos. Há variações de humor e mudanças de opinião, por exemplo sobre Theodore Dreiser, mais conhecido, no Brasil, por um belo filme de George Stevens, “Um Lugar ao Sol”, com Elizabeth Taylor e Montgomery Clift. Ele desce o porrete em quase todo mundo, até em ícones americanos como Herman Melville, F. Scott Fitzgerald e William Faulkner. O cacete no lombo de Melville é federal. Numa anotação de fevereiro de 1941, Mencken tira as luvas de pelica e põe as luvas de boxe ou de MMA: “Na semana passada, li, pela primeira vez, o romance ‘Moby Dick’. Fiquei realmente surpreso com a má qualidade. Nos últimos anos, foi enaltecido com tanta eloquência por muitos homens que deveriam conhecer melhor o assunto e, assim, criei grande expectativa. Achei um escrito extremamente dispersivo e flatulento. No final, o melodrama simplesmente malogra, e a vingança como motivação, várias vezes, beira perigosa à comicidade. “Uma das coisas que todos os colegas parecem ter ignorado é a grande dívida de Melville para com Carlyle. Seu estilo, sempre que realmente solta a mão, se torna puro carlyliano e da pior qualidade. Walt Whitman sofreu a mesma influência. Seus primeiros escritos jornalísticos eram num inglês direto, pobre e indiferenciado que caracterizava o jornalista de sua época, mas, depois que entrou em contato com Carlyle, forjou um estilo carlyliano próprio que pode ser encontrado em toda sua prosa posterior. “No conjunto, parece-me que este carlyliano era melhor do que o ‘jornalês’ da primeira fase de Whitman. Entretanto, sempre guarda certa afetação e deixa a descoberto a frequente falta de honestidade. “O mesmo é verdadeiro para a redação de Melville. Mesmo quando imita Carlyle com sucesso máximo, continua sempre uma imitação.” Mencken fazia julgamentos peremptórios, nem sempre preocupando-se, talvez estivesse apenas escrevendo um diário, em demonstrar e fundamentar, com rigor, sua crítica, ou, quem sabe, insights. Se imitou Carlyle, como quer o crítico americano, Melville acabou por superá-lo. No “Diário”, Mencken escreve frases secas e ásperas: “O homem que conhece muitas línguas raramente escreve bem em algumas delas”. Ele aponta como exceção Joseph Conrad. Mas o que dizer de grandes prosadores como James Joyce e Guimarães Rosa? Faulkner, coitado, é apresentado como bêbado e mal educado. Sua obra é solenemente ignorada. Uma coletânea das “maldades” de Mencken pode ser conferida em “O Livro dos Insultos” (Com­panhia das Letras, 264 páginas, tradução de Ruy Castro). O porrete come solto, quase sempre de maneira divertida. Para Mencken, não havia autor intocável.

Fernando Cunha não apoia Onaide Santillo e articula campanha de Eliane Pinheiro

O vereador tucano Fernando Cunha, de Anápolis, decidiu não apoiar Onaide Santillo para deputada estadual. Ele coordena o palanque de Eliane Pinheiro, do PMN.

Eliane Pinheiro trabalhou durante anos com o avô de Fernandinho, o falecido Fernando Cunha, que foi deputado federal e secretário do governo de Marconi  Perillo.

Prefeitos do PSD decepcionam e não contribuem politicamente com Vilmar Rocha, candidato a senador

O PSD é curioso: tem dois deputados atuantes, Vilmar Rocha e Thiago Peixoto. Os dois também foram eficientes como secretários do governo de Marconi Perillo. No entanto, os prefeitos do partido fazem administrações consideradas pífias.

Juraci Martins, de Rio Verde, fez uma gestão competente no primeiro mandato. No segundo, parece que cansou-se da cidade e de seus moradores. Sua administração arrasta-se em campo, como a seleção brasileira que jogou contra a Alemanha na Copa do Mundo. É uma das mais frágeis e sem criatividade de Goiás. Juraci está perdendo de 10 a 0. Fica-se com a impressão de que Juraci Martins tomou gosto mesmo foi pelas vaias.

O prefeito de Formosa, Itamar Barreto, aproximando-se dos 80 anos, faz uma gestão acanhada, e apresenta a desculpa de que herdou uma dívida de quase 100 milhões de reais. De fato, um papagaio federal. Mas nenhum prefeito é eleito para ficar chorando em cima dos problemas deixados pelo antecessor. Talvez fosse o caso de Barreto renunciar e abrir espaço para alguém com mais energia. O prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin, deu uma melhorada, mas ainda está aquém do Célio Silveira do primeiro mandato. Falta criatividade à equipe do prefeito. Luiz Carlos Attié, de Cristalina, parece que foi acometido da maldição do segundo mandato. Ele paga salários e fornecedores e parece avaliar que administrar é apenas isto, o que, como se sabe, não é.

É possível que se os prefeitos estivessem bem, apresentando-se como exemplo positivo para a população, a situação do candidato a senador Vilmar Rocha fosse bem melhor.

Obituários apresentam Ariano Suassuna, o esteta do caipira, como se fosse Guimarães Rosa

Como estava fora do país, li tardiamente os obituários de Ariano Suassuna. Quando terminei, concluí: estão falando de Machado de Assis, James Joyce, Graciliano Ramos, William Faulkner, Thomas Mann e Guimarães Rosa — menos de Ariano Suassuna. O escritor paraibano, quase pernambucano, parece ter escrito “Memórias Póstumas de Brás Cu­bas”, “Ulysses”, “O Som e a Fúria”, “A Montanha Mágica”, “Vidas Secas” e “Grande Sertão: Veredas”. Quando ficou conhecido, na verdade, não pelo livro, e sim pelo filme “O Auto da Compadecida”, uma ode ao caipirismo. Ariano Suassuna não é um par de nenhum dos escritores citados acima. Porém, como a morte transforma qualquer um em gênio da raça, ao menos nos tristes trópicos, de repente ele se tornou quase um Gilberto Freyre da prosa. A imprensa tende (ou tendia) a apresentar Ariano Suassuna como um resistente ao capitalismo. Ele era um resistente, dos mais retardatários, à modernização. Como os socialistas, o romancista, poeta e dramaturgo — e mais uma dezenas de coisas, como conselheiro de políticos de Per­nambuco —, não dizia respeito ao presente. Esteve sempre voltado para o passado, tratado de maneira idílica, nostálgica. Para Ariano Suassuna, o brasileiro urbano, moderno e em contato com as coisas do mundo, não existe, é ficção. O brasileiro é visto, na prosa de Suassuna, como o eterno caipira. É isto que chamo de estetização do caipira. Ao estetizar o caipira, ao apresentá-lo como esperto, entre bonzinho e maledicente, o escritor o cristaliza como o homem (herói) ideal, quiçá o “homem cordial”. Um Ma­cunaíma manqué. Parte da obra de Ariano Suassuna é um ataque frontal ao moderno e mesmo ao que há de mais avançado no passado, mesmo o remoto. O homem ideal, enfim, é o caipira esperto — Chicó e João Grilo. O homem institucional, às vezes apresentado como “civilizado”, não existe para o caipora paraibano. Se existe (como padres, policiais), é para ser enganado por Chicós e Grilos.

O Popular adere à visão messiânica sobre Eduardo Campos

Ao dizer na manchete de capa “Morre uma esperança”, sobre o pernambucano Eduardo Campos, o “Pop” ensaia uma espécie de adesão ao messianismo. Muitos políticos, às vezes até bem intencionados, não dão certo porque se exige deles que sejam não organizadores do Estado e um instrumento de crescimento e desenvolvimento do país, e sim um Mes­sias, um salvador da pátria, um indivíduo que, com um golpe certeiro, reconstrói e refaz, praticamente do nada, toda a história dopaís. Lula da Silva é um pouco produto desta visão messiânico-salvacionista. Às vezes, o gestor mais eficiente e que estabiliza o país é o que sabe fazer o feijão com arroz e não inventa muito. Os “inventores”, como Fernando Collor de Mello, em geral são presidentes de segunda categoria. Curiosamente, o “Pop”, em ne­nhum momento, quando Eduardo Campos era vivo, o tratava como esperança. Pelo contrário, dava-lhe pouco espaço.

Caixa financia programas sociais

[caption id="attachment_12902" align="alignleft" width="756"]Banco recebe com meses de atraso o repasse para pagamento de benefícios como Bolsa Família Banco recebe com meses de atraso o repasse para pagamento de benefícios como Bolsa Família[/caption] Por conta do atraso de meses no repasse para pagamento dos benefícios sociais, a Caixa Econômica Federal está travando uma disputa com o Tesouro Nacional. No mês de abril, a diferença superou R$ 1 bilhão e a Caixa financiou benefícios como seguro-de­semprego e Bolsa Família. O caso está em análise na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, da Advocacia-Geral da União (AGU), desde maio. A diferença em abril é o centro da discussão, pois o valor ficou contingenciado nos cofres do Tesouro, em vez de ser repassado ao banco. O maior problema estaria no seguro-de­semprego, cujo pagamento de julho de 2013, teria esvaziado em R$ 2 bilhões os cofres da Caixa.  Inicialmente, no governo de Dilma Rousseff, o pagamento era feito diretamente pelos ministérios ao banco, que recebiam o repasse do Te­souro. No ano passado, o Te­souro passou a intermediar e centralizar os pagamentos. A Secretaria do Tesouro Nacional informou que não há propostas para mudança na remuneração dos contratos e que qualquer discussão dos termos deve ser feita entre a Caixa com os ministérios.

Inflação preocupa bancos

Preocupados com a inflação, os bancos têm aumentado suas provisões contra perdas. Em julho do ano passado, o montante para momentos de incerteza chegou a R$ 135,2 bilhões, o maior valor declarado pelas instituições ao Banco Central (BC), desde 1993. O receio é que, na concessão de crédito, os brasileiros, atolados em dívida e com orçamento doméstico prejudicado pela alta na inflação, não consigam pagar os empréstimos. O valor bilionário constatado é utilizado para cobrir os atrasos de até três meses dos clientes. Há casos mais complicados, como os que requerem pagamento da própria instituição, pois as compras em crédito são calotes do consumidor e o valor para cobrir chega a R$ 72 bilhões, com dados do BC.

Brasileiro ganha “Nobel” da Matemática

O matemático carioca Artur Avila, 35, foi escolhido na terça-feira, 12, para receber a Medalha Fields, conhecida como o Nobel da Matemática. Ele será o primeiro latino-americano a receber a maior láurea científica entregue pela União Internacional de Ma­te­mática. Avila é pesquisador no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) — órgão de pesquisa do governo francês. Seu trabalho é na área da matemática pura. O prémio é entregue de quatro em quatro anos para matemáticos de até 40 anos de idade. A cada edição, dois a quatro pesquisadores são premiados. Neste ano, também receberam o prêmio o canadense-americano Manjul Bhargava, o austríaco Martin Hairer e a primeira mulher a receber a distinção, a iraniana Maryam Mirzakhani.

Obras do novo terminal do aeroporto estão em dia

Previstas no cronograma, as obras do novo terminal de passageiros do Aeroporto Santa Ge­noveva estão 39% concluídas. A concretagem e a alvenaria das instalações já estão prontas. As obras foram retomadas em setembro do ano passado pelo consórcio entre as empresas Via Engenharia e Odebrecht, depois de seis anos de paralisação. A previsão de entrega, segundo a assessoria da Infraero, se mantém para o primeiro semestre de 2015. Entretanto, a execução da pista de taxiamento, obras no pátio de aeronaves e vias de acesso ao novo terminal dependem de avaliação do Tribunal de Contas da União, cujo processo está em análise. O novo terminal terá capacidade para receber até 9,8 milhões de passageiros por ano. O espaço total será de 34,1 mil m², em contraste aos 7,5 mil m² atuais. Está sendo instalada uma cobertura metálica, além das construções das plataformas de apoio às pontes de embarque e a instalação do piso.

Retrato falado de assassino

[caption id="attachment_12900" align="alignleft" width="635"]Motociclista que matou jovem Motociclista que matou jovem[/caption] A Polícia Civil fez mais um retratado falado do motoqueiro suspeito de assassinatos de mulheres na capital goiana. A imagem não foi divulgada ainda.  O retrato se trata do assassino de Rosirene Gualberto da Silva, 29, morta na noite do dia 19 de julho na Avenida Anhan­guera, no Setor dos Funcionários. O retrato seguiu o modelo feito em março no caso da bacharel em Direito Ana Maria Victor Duarte, 26, em que apenas os olhos estão descobertos, devido o uso do capacete. O desenho foi feito na terça-feira, 12, pela principal testemunha do assassinato, que estava com a vítima e foi atingida de raspão no braço pelo tiro disparado.

Adeus, capitães!

“Ó Capitão! Meu capitão! Nossa terrível viagem se cumpriu”, do poeta americano Walt Whitman, se consagrou no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, declamado pelo ator Robin Williams, que abandonou o navio na segunda-feira, 11. Williams lutava contra a depressão, a ansiedade e com os estágios iniciais do mal de Parkinson. Também morreu na semana passada a atriz Lauren Bacall, um dos ícones da era de Ouro de Hollywood. Ela foi vítima de um acidente vascular cerebral no dia seguinte, aos 89 anos. Bacall recebeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadju­vante por seu papel em “O espelho tem duas faces”, em 1997. A atuação, ao lado de Barbra Streisand, também lhe valeu uma indicação ao Oscar. A atriz foi casada de 1945 a 1957 com o ator Humphrey Bogart.

Gilberto Naves está na campanha de Daniel Vilela e Renato de Castro. Mas não na de Iris Rezende

O ex-prefeito de Goianésia Gilberto Naves está “quieto” em termos de eleição para governador. Mas apoia Daniel Vilela (PMDB) para deputado federal e Renato de Castro, do PT, para deputado estadual.

Gilberto é um político da mais alta qualidade. É moderno e culto. Mas, como Iris Rezende só fala de bois, soja, asfalto e mutirão, é difícil estabelecer um diálogo civializado.

Poema Canto fúnebre sem música, de Edna St. Vincent Millay. Tradução de Drummond de Andrade

Canto fúnebre sem música Layout 1Não me conformo em ver baixarem à terra dura os corações amorosos, É assim, assim há de ser, pois assim tem sido desde tempos imemoriais: Partem para a treva os sábios e os encantadores. Coroados De louros e de lírios, partem; porém não me conformo com isso. Amantes, pensadores, misturados com a terra! Unificados com a triste, indistinta poeira. Um fragmento do que sentíeis, do que sabíeis, Uma fórmula, uma frase resta — porém o melhor se perdeu. As réplicas vivas, rápidas, o olhar sincero, o riso, o amor foram-se embora. Foram-se para alimento das rosas. Elegante, ondulosa é a flor. Perfumada é a flor. Eu sei. Porém não estou de acordo. Mais preciosa era a luz em vossos olhos do que todas as rosas do mundo. Vão baixando, baixando, baixando à escuridão do túmulo Suavemente, os belos, os carinhosos, os bons. Tranquilamente baixam os espirituosos, os engraçados, os valorosos. Eu sei. Porém não estou de acordo. E não me conformo. [Tradução de Carlos Drummond de Andrade, “Poesia Traduzida”, Editora Cosacnaify]