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Nova semana promete mais sobressalto, e silêncio de Dilma fica sem prazo para acabar

A confirmação pela Engevix de que o petrolão é um supermensalão, a volta de Dirceu ao palco e o cerco do procurador Janot a políticos colaboram para a mudez

Papa Francisco, controle de natalidade, Obama, falta de água e superpopulação. Tudo tem a ver

O papa Francisco não culpa os pobres, mas, como se tivesse lido os cientistas americanos E. O. Wilson e Jared Diamond, sugere que famílias menores são importantes para a segurança do ser humano na Terra. Ao se reproduzir sem controle, o homem está destruindo outras espécies

Governo diz que não irá interferir na eleição da ATM

[caption id="attachment_26801" align="alignleft" width="300"]Secretário Paulo Antunes (acima) diz que governo não irá interferir na eleição da ATM, cujos candidatos são Leonardo Cintra e João Emídio | Fotos: Marcio Vieira / Secom e Divulgação Secretário Paulo Antunes (acima) diz que governo não irá interferir na eleição da ATM, cujos candidatos são Leonardo Cintra e João Emídio | Fotos: Marcio Vieira / Secom e Divulgação[/caption] O governo não vai interferir na disputa eleitoral da As­sociação Tocantinense dos Municípios (ATM), que acontecerá no próximo dia 29. Pelo menos foi o que garantiu o secretário de Relações Institu­cionais, Paulo Sidney Antunes: “Que vença o candidato que tiver o voto da maioria dos prefeitos. Não vamos intervir no processo eleitoral, até porque temos muitos problemas a resolver no Estado”, argumenta. Dois nomes brigam pela presidência da instituição: o atual presidente Leonardo Cintra (PSDB) — que encabeça a chapa da situação “O Trabalho continua” — e João Emídio (sem partido) — à frente da chapa “Ação Muni­cipalista”. Contudo, especula-se que o governo acabe influenciando no processo de alguma maneira, visto que este será um no­vo embate entre os chamados siqueiristas — ligados ao ex-governador Siqueira Campos (PSDB) — e as forças políticas que elegeram o atual governador Marcelo Mi­randa (PMDB). É bem provável que os aliados do peemedebista vençam mais uma disputa, mas será necessário ajuda. O auxílio será importante, visto que o presidente Leo­nardo Cintra, prefeito de Almas, tem mobilizado as forças políticas em prol de sua releição — tal como fez durante o segundo turno para a Presidência da República, quando Cintra usou a estrutura da entidade para mobilizar prefeitos no apoio ao candidato tucano Aécio Neves. É certo que o prefeito de Brazilândia quer desbancar a situação. Resta saber se terá forças para tal. Ele tem se encontrado com diversos prefeitos com o intuito de mostrar o que classifica como “boas intenções frente à ATM”. Ele aposta no planejamento, que, segundo ele, é seu maior aliado.

A temporada de caça aos petroleiros e o papel esperado dos atores no novo julgamento

Ministro Teori Zavascki, relator do petrolão: será que ele vai aliviar para o lado do governo, sacrificando a ética?

Historiador Marco Antônio Villa adere à crítica panfletária aos governos do PT?

[caption id="attachment_26790" align="alignleft" width="250"]Livro de oportunidade e superficial escrito por um historiador gabaritado Livro de oportunidade e superficial escrito por um historiador gabaritado[/caption] Marco Antônio Villa é um dos historiadores mais brilhantes de sua geração. Pesquisa seus temas de maneira exaustiva e escreve bem, numa linguagem que, sem perder a disciplina acadêmica, o rigor com os dados, é inteligível para além dos campi universitários. “Vida e Morte no Sertão — História das Secas no Nordeste nos Séculos XIX e XX” e “Canudos — O Povo da Terra” são livros memoráveis, vazados numa prosa de escritor. “A História das Constituições Brasileiras”, embora sintético, tem seu valor, explicando, de maneira didática, as principais características de cada Carta Magna e o significado em seu tempo. “Jango — Um Perfil” é uma análise contundente do presidente João Goulart. Nada comparável à solidez de “João Goulart — Uma Biografia”, de Jorge Ferreira. Mas é um bom livro. Porém, de repente, os livros de Villa perderam densidade. Não que sejam ruins ou desonestos. Não são. Mas o historiador rigoroso parece que, encantado pelo discurso liberal de seus “parceiros” na revista “Veja”, se tornou um “cruzado”. Digo “pa­re­ce” porque ainda estou avaliando suas obras. “Um País Partido — 2014: A Eleição Mais Suja da História” é seu último livro. O objetivo de um título é “vender” reportagens e livros. Só que, no caso, o título é por demais abrangente. Claro que se trata da história do Brasil, mas isto não aparece na capa. O principal problema é que a obra não prova, comparando todos os períodos da história do País, que as eleições de 2014 foram as mais sujas “da história”. Fica-se com a impressão de que Villa escreveu uma reportagem, até apressada, e não um livro de história. “Década Perdida — Dez Anos de PT no Poder” não é um livro ruim, mas, de novo, parece mais uma reportagem, talvez um ensaio (ou artigo) longo, do que um exame detido dos anos petistas. A obra apresenta os problemas “criados” pelo PT no poder, tanto políticos quanto econômicos, para não incluir os morais, mas um economista e um cientista políticos atentos certamente, examinando a análise de Villa e os dados do período, não concluirão que a década foi (inteiramente) perdida. É possível que concluam que, apesar de tudo, o País avançou, em vários campos, e não apenas no social. É provável que o “ensaio” de Villa seja tributário, ao menos em parte, das análises da revista “The Economist”. Faltam elementos para conclusões taxativas. Pesquisas nuançadas e distanciadas são escassas e faltam análises detidas, menos engajadas, a respeito dos governos do tucanato e do petismo. O que há são textos de combate político-ideológico. Esta nota é uma ressalva de um leitor que respeita a massa crítica reunida por Villa, mas lamenta uma certa superficialidade nos trabalhos recentes. Sua obra abriu espaço para um certo tom panfletário.

A Turquia entre Oriente e Ocidente

Déficit em relação a direitos humanos e liberdade de imprensa atrapalha filiação do país à União Europeia

Vai decolar?

Pelo twitter, prefeito de Goiânia diz que vai responder a todos os críticos de sua administração. Será essa a solução para os problemas da cidade?

Banco de horas é estendido aos policiais civis na cidade

[caption id="attachment_26968" align="alignright" width="620"]Secretário Joaquim Mesquita, prefeito João Gomes e autoridades policiais: parceria por mais segurança em Anápolis | Foto:  Pedro Henrique Santos Secretário Joaquim Mesquita, prefeito João Gomes e autoridades policiais: parceria por mais segurança em Anápolis | Foto: Pedro Henrique Santos[/caption] Não é por acaso que a questão da Segurança Pública é uma das maiores demandas e preocupação do brasileiro, ao lado da saúde e educação. A área é cada vez mais crítica e as diferentes esferas de governo não podem tratar do tema isoladamente. Seguindo este princípio, a prefeitura reafirmou parceria com a Secretaria de Segurança Pública, durante uma reunião realizada no gabinete do prefeito João Gomes (PT), que recepcionou o secretário estadual Joaquim Mesquita. Na ocasião foram discutidas ações para dar mais efetividade aos serviços prestados pela pasta e pelo Executivo à população anapolina e, entre as novidades, foi anunciado que o banco de horas pago pela prefeitura aos policiais militares será estendido aos policiais civis. Atualmente, o Executivo de Anápolis destina a maior quantia entre as prefeituras goianas ao pagamento de banco de horas dos policiais militares — o valor é de cerca de R$ 3 milhões mensais. Com a medida, delegados, agentes e escrivães da Polícia Civil que atuam na cidade também serão beneficiados com o complemento bancado pelo município. O delegado-geral da Polícia Civil em Anápolis, Álvaro Cássio dos Santos, considerou extremamente positivo a iniciativa e destacou que o banco de horas da Polícia Civil deve ser de 1.250 horas, isto é, a mesma quantidade de horas da Polícia Militar. Segundo ele, a medida já vista pela corporação como “um incentivo extra para atuar ainda mais pela cidade, garantindo mais tranquilidade ao povo anapolino.”

Sistema de monitoramento

A administração municipal optou por adotar uma agenda pautada em ações multissetorias e integrada. Nesse sentido, um conjunto de medidas tem sido desenvolvido pelo Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), que coordena todos os esforços pela garantia ao cidadão de mais segurança de sua integridade. Além disso, há a iniciativas de diálogo constante e permanente com todos os agentes públicos que possam reforçar tal esforço. Uma dessas medidas é o sistema de videomonitoramento que, atualmente, é composto por 72 câmeras instaladas em pontos estratégicos da cidade. A implantação do sistema iniciou-se em 2010 com instalação de 25 câmeras em pontos definidos conforme estudos técnicos. Em continuidade ao projeto, em 2013 a prefeitura implantou 47 novas câmeras. Esses equipamentos monitoram áreas de grande movimentação, principalmente em regiões onde há várias agências bancárias, além de praças, avenidas com grande concentração de comércio e as saídas da cidade. As câmeras possuem alta resolução e alcance de cerca de 800 metros quadrados em sentido longitudinal e latitudinal. De acordo com GGIM, as estatísticas apontaram que, desde o início da operacionalidade do sistema foi verificada uma redução sensível de crimes nos locais monitorados. Outra vantagem observada com o serviço é a diminuição dos atos de vandalismo e de desrespeito ao patrimônio público. A supervisão do videomonitoramento é feita pela PM. A Prefeitura é responsável pelo pagamento do salário dos agentes de monitoramento e também do banco de horas dos policiais. O banco de horas é uma importante parceria mantida com a Polícia Militar com o objetivo de garantir um maior efetivo de agentes nas ruas, destaca o prefeito João Gomes.

Ruas iluminadas

Ambientes escuros e mal iluminados são favoráveis à ação de criminosos. Preocupada com essa questão, a prefeitura tem investido na melhoria da rede de iluminação pública com a introdução de tecnologia mais eficiente, visando a redução do consumo de energia no horário de ponta do sistema elétrico, atenuando gastos com operação e manutenção e aumentando a segurança nas vias públicas. Desde 2012, quando aderiu ao Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente (Procel Reluz), foram substituídos mais de 30 mil postes, além de reatores e luminárias. A ampliação e manutenção da rede são permanentes.

Município lança Mapa da Saúde online

[caption id="attachment_26965" align="alignright" width="620"]Prefeito João Gomes durante lançamento do programa que facilita acesso dos anapolinos aos serviços de saúde | Foto: Prefeitura de Anápolis Prefeito João Gomes durante lançamento do programa que facilita acesso dos anapolinos aos serviços de saúde | Foto: Prefeitura de Anápolis[/caption] Para melhorar os serviços de saúde a prefeitura lançou o site Mapa da Saúde que contêm informações sobre endereços das unidades, escala de equipe médica, e ainda telefones disponíveis para maiores informações. O Mapa da Saúde pode ser acessado facilmente pelo computador, celular ou tablet. O método permite verificar os profissionais das unidades de saúde 24 horas escalados todos os dias e seus respectivos horários de trabalho. É possível encontrar, também, o nome dos profissionais que integram as equipes das unidades de Saúde da Família. Para acessar o Mapa da Saúde basta o internauta entrar no site da Prefeitura de Anápolis — www.anapolis.go.gov.br — e clicar no link destinado. O site disponibiliza ainda informações de todas as unidades de saúde básicas e de referência. O objetivo é proporcionar à população um acesso fácil e rápido sobre a unidade que pretende ir, quais são os médicos, enfermeiros, dentre outros profissionais. O secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Teixeira, explica que a ferramenta foi criada por uma equipe da Prefeitura que entende que é um meio de facilitar a vida dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). “É uma forma transparente, respeitosa e humanizada de tratá-los. É apenas o início do projeto, posteriormente serão acrescentadas outras informações ao portal.”

Telecentros fazem inclusão digital

A Prefeitura de Anápolis, por meio da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizou nos Telecentros Comu­ni­tário cerca de 36 mil atendimentos nas nove unidades instaladas em várias regiões da cidade. Nesses espaços são atendidas gratuitamente crianças, adolescentes, adultos e idosos. A maioria das pessoas procura esses locais com interesse em utilizar os serviços de internet como: e-mails, redes sociais, bate-papos, jogos e vídeos. A internet disponível à comunidade também permite que os usuários façam inscrições ou cadastros, matrículas em faculdades, consultas de documentos online, pesquisas e inscrições em cursos e oficinas. O Telecentro Comunitário é um espaço público que possibilita à população anapolina o acesso a um mundo de informações e conhecimentos, visando a inclusão digital.

Prefeitura dá início a ano letivo

A Prefeitura de Anápolis iniciou na última semana o ano letivo nas unidades da rede municipal de ensino para os alunos do ensino fundamental. O lançamento das aulas ocorreu na Escola Municipal Maria Aparecida Gebrim, localizada no Bairro São Joaquim. De acordo com a diretora de Educação da Secretaria Municipal de Educação, Ângela Isaac, as instituições de ensino municipais, neste ano, trabalharão com o lema Gentileza gera Gentileza. “Nosso foco é chamar a atenção dos alunos para o convívio social harmonioso com toda a comunidade escolar”, comentou. Atualmente, a rede municipal de ensino possui 98 unidades — escolas de Ensino Fundamental (a partir de 6 anos) e Centros Municipais de Educação Infantil (atendimento a crianças de até seis anos), alguns mantidos em convênio —, com quase 35 mil alunos matriculados. Os estudantes recebem, no início do ano letivo, uniformes e agasalhos.

Dilma Rousseff ficou indignada com morte na Indonésia mas não lamenta mortes no Brasil

[caption id="attachment_26957" align="alignright" width="300"]Marco Archer: o traficante morreu na Indonésia | Foto: Reuters Marco Archer: o traficante morreu na Indonésia | Foto: Reuters[/caption] Estaria, como diz a piada recente, tão perdida a presidente Dilma Rousseff no governo quanto fica o ex-presidente Lula em uma biblioteca? Tão ou mais perdida, ao que parece. As opções erradas parecem ser o norte preferencial de Dilma Rousseff. Dois exemplos da semana passada vieram demonstrar esse teorema. Em primeiro lugar, a presidente anunciou a suspensão de uma viagem a Davos, na Suíça, onde se realiza o Fórum Econômico Mundial. Trocou-a por uma ida a La Paz, para assistir à posse do camarada Evo Morales em mais um dos seus muitos mandatos desempenhados ou a desempenhar pelos tempos afora, ninguém sabe até quando. Em Davos, a presidente teria a oportunidade de tranquilizar investidores e atrair capitais para a combalida economia brasileira. Bastaria exibir Joaquim Levy como garantia, e afirmar que contratos não seriam quebrados nem o governo faria travessuras econômicas nesse seu segundo mandato. Foi o que seu criador, Lula da Silva, fez com sucesso. Mas não. A presidente considerou que seria “grosseria” não comparecer à posse de Evo. Que por sinal não foi nem um pouco refinado quando invadiu à força as instalações bolivianas da Petrobrás, delas tomou posse, e, ao que se sabe, por elas nada pagou. Como também não deixou Evo Morales de ser grosseiro ao incentivar o plantio de coca em nossas fronteiras e fazer vista grossa ao contrabando de drogas para o Brasil. Outra atitude presidencial com que, em um raciocínio linear, fica difícil concordar, diz respeito à execução, na Indonésia, do traficante brasileiro Marco Archer Cardoso, no último 17 de janeiro. A pena capital, a única que impede qualquer tipo de reparação nos casos de erro judiciário, e que ofende a fundo a nossa mentalidade cristã, não é, felizmente, aplicada (ao menos institucionalmente) no Brasil. Mas o é na Indonésia e em vários outros países. Quem, como Archer, resolve arrostá-la, e é preso, é um meio suicida. Com um agravante: segundo alguns jornais, Archer havia por várias vezes feito o tráfico de cocaína para Bali, antes de ser preso, em 2003. Então, não era só um meio suicida; era um praticante compulsivo de roleta russa. As probabilidades jogavam, pela mão dele mesmo, contra sua vida. Além disso, todo seu processo, pelo que se sabe, seguiu os trâmites legais da Indonésia. Não houve cerceamento de defesa, e todas as instâncias judiciárias foram percorridas, até chegar ao amargo final. Amargo, mas absolutamente legal. Archer cometeu um crime político, um crime de opinião? Não, evidentemente. Seu crime foi comum, e é muito grave em qualquer país (talvez menos, infelizmente, no Brasil). Gera consequências, criando dependentes, o que por sua vez gera outros crimes, de morte inclusive, como muito bem sabemos por aqui. Concordamos com todos os esforços feitos por Lula, Dilma e o Itamaraty para salvar o brasileiro do pelotão de fuzilamento, e enviá-lo talvez à prisão perpétua. Era um dever, até porque não adotamos a pena de morte, e ela nos repugna. Mas fez-se o possível. Talvez até um pouco mais que isso, com o telefonema, que já se sabia inútil e desgastante, de Dilma para o presidente indonésio Joko Widodo. Mas a “indignação” expressada por Dilma no fato consumado está um tanto fora do lugar. Não cabe a ela revisar uma sentença da justiça da Indonésia, ainda mais contra um crime suficientemente provado e confesso. Nem convocar o embaixador brasileiro na Indonésia, uma retaliação desnecessária, saída da cabeça tosca de Marco Aurélio Garcia, ao que parece. E o que é pior, muito pior: Dilma não se mostrou jamais indignada com as mortes que têm como origem no Brasil o tráfico de drogas. São traficantes matando traficantes; ou traficantes matando usuários ou ainda traficantes matando policiais e vice versa; são usuários drogados matando em assaltos trabalhadores incapazes de se defender porque o governo da presidente os desarmou. A presidente encontraria todo ano, se quisesse, mais de 50 mil razões para “ficar indignada”. Bastaria olhar para os que são executados aqui no Brasil, em grande parte por colegas de Archer no pior comércio que o diabo já soube inventar. Mas até hoje não vimos a presidente acometida, por isso, de indignação. Nem mesmo de tristeza.

A decadência do cinema egípcio e o fim de uma era

Houve um tempo que mulheres comandavam o cinema no Egito: eram atrizes, produtoras, diretoras, editoras, sonoplastas

O cerco a políticos íntimos do petrolão pode apressar a ocupação da vaga no Supremo

[caption id="attachment_26944" align="alignright" width="620"]Procurador-geral Rodrigo Janot: encaminhando os processos ao Supremo | Foto:  Fellipe Sampaio/ SCO/ STF Procurador-geral Rodrigo Janot: encaminhando os processos ao Supremo | Foto: Fellipe Sampaio/ SCO/ STF[/caption] A certeza de que o petrolão envolverá o julgamento de políticos e autoridades surgiu em 19 de dezembro, mas chegou ao público apenas 33 dias depois, na última quarta-feira. Estava, então, na divulgação do despacho em que o ministro Teori Zavascki reconheceu que o caso envolve clientela especial a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal, onde o ministro trabalha. Ao homologar o pedido de delação premiada do doleiro Alberto Youssef, Zavascki examinou a papelada encaminhada pela Procu­radoria-Geral da República e justificou em seu despacho: “Dos documentos juntados com o pedido é possível constatar, efetivamente, há elementos indicativos, a partir dos depoimentos (do réu Youssef) do possível envolvimento de várias autoridades, detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive parlamentares federais, o que atrai a competência do Supremo Tribunal Federal.” Várias autoridades, inclusive parlamentares federais. Talvez por isso mesmo, Zavascki não se interessou pela divulgação de seu despacho no Supremo, onde desembarcou há dois anos por indicação da presidente Dilma. Ele assumiu dois dias antes que 2012 acabasse, sabendo que teria férias até fevereiro: chegou em 29 de dezembro. A ligeireza lhe permitiu acesso ao processo do mensalão, para estudar o caso no recesso de janeiro e depois ajudar no julgamento de embargos infringentes, então instrumento abandonado pelo tribunal, a partir de fevereiro. Seu voto ajudou na reabilitação da infringência e, com ela, a redução da pena de mensaleiros do PT. Bem, naturalmente, o procurador-geral da República, Rodri­go Janot, conhecia a anotação de Zavascki, até porque lhe cabe encaminhar processos petroleiros ao Supremo, onde o relator do escândalo, Zavascki, seleciona as matérias de competência do tribunal e remete o restante à Justiça Federal. Como janeiro chega ao fim, a procuradoria anunciou, na última terça-feira, a abertura da temporada de caça aos políticos e autoridades envolvidas. Divulgou a relação de procuradores do Ministério Público Federal que cuidará dos acusados VIPs. No dia seguinte, vazou o despacho de Zavascki que reconheceu a existência da clientela especial do caso. O silêncio do relator depois de aprovar a delação de Youssef informa o óbvio: a falta de interesse em dar publicidade ao caso, nem mesmo como satisfação ao público. Ao mesmo tempo, ficou claro que ele não poderia ignorar a presença de autoridades e políticos governistas enredados no escândalo. A discrição dele foi boa para Dilma, que, enquanto isso, safou-se de pressão para indicar gente de confiança como ocupante da vaga no Supremo, aberta há seis meses com a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa. Entre 2012 e 2013, ela virou o jogo do mensalão no tribunal e evitou a condenação rigorosa de mensaleiros petistas. Agora, a divulgação da programação de caça pelo procurador Janot expõe a presidente Dilma a uma nova onda de pressão dos companheiros do PT e dos partidos aliados que aderiram ao governo. Um jogo de pressão e contrapressão com contornos diferentes nos tapetes do poder, agitados pela nova composição do governo, mais a renovação no comando do Congresso. Nesse ambiente, a nova onda de pressão tem a ver com a ansiedade dos governistas e empreiteiras em torno da vaga aberta no Supremo. Seja quem for, o indicado será estratégico no julgamento dos políticos e partidos, mesmo que os governistas contem hoje com a simpatia da maioria da casa. A posição do tribunal terá reflexo nos julgamentos de primeira instância.