O sanfoneiro Oswaldinho do Acordeon morreu neste domingo, 25, aos 72 anos. A informação foi confirmada nas redes sociais do artista. A causa da morte e os detalhes sobre o velório e o sepultamento não foram divulgados.

Referência na música brasileira, Oswaldinho dedicou cerca de seis décadas à carreira fonográfica. Ao longo da trajetória, ficou conhecido pela técnica com a sanfona e pela exploração de diferentes sonoridades, aproximando ritmos nordestinos de gêneros como rock, jazz, blues e música erudita.

A morte do músico repercutiu entre artistas brasileiros. O cantor e compositor Chico César lamentou a perda nas redes sociais. “Adeus, mestre. Você e sua música seguem em nossos corações”, escreveu. O guitarrista Nelson Faria também prestou homenagem: “Hoje se foi um dos maiores sanfoneiros que esse País já conheceu. Vai fazer falta”.

Filho de Pedro Sertanejo, começou a tocar ainda criança

Nascido em 5 de junho de 1954, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Oswaldo de Almeida e Silva cresceu em uma família ligada à música. Filho do sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo (1927-1997), teve contato com o instrumento desde cedo e aprendeu a tocá-lo de forma autodidata, incentivado pelo pai.

A casa da família também era frequentada por nomes importantes da música nordestina, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca. O contato com esses artistas contribuiu para a formação musical de Oswaldinho e ampliou suas referências ainda na infância.

A estreia no mercado fonográfico ocorreu em 1963, quando tinha nove anos e participou de um disco do pai. Em 1966, aos 12 anos, lançou seu primeiro single. Desde o início, sua trajetória foi marcada pela combinação entre a tradição nordestina e a experimentação musical.

Discografia e experimentação musical

Os primeiros álbuns próprios chegaram ao mercado na década de 1970. Pela gravadora Tropicana, lançou Fantástico Oswaldo Silva (1973), Só Quero um Xodó (1974) e Oswaldinho (1975).

Na sequência, vieram Forró Pop (1977), Lágrimas de Namorados (1978) e Natureza (1979), pela gravadora Copacabana. Em 1981, lançou Forró in Concert, pela Continental, trabalho que abriu caminho para apresentações em festivais europeus.

A busca por novas sonoridades continuou nas décadas seguintes. Em Asa Branca Blues (2002), o músico explorou o diálogo entre a música nordestina e o blues. Já Forró Chorado (2011) reforçou sua relação com diferentes tradições musicais.

Em 2004, Oswaldinho dividiu um projeto com Dominguinhos e Sivuca. Os três sanfoneiros gravaram o álbum Cada um Belisca um Pouco, lançado pela gravadora Biscoito Fino.

A trajetória de Oswaldinho do Acordeon foi marcada pela valorização da sanfona e pela ampliação de suas possibilidades musicais, aproximando a tradição do forró de outras linguagens e influenciando diferentes gerações de instrumentistas.