MPGO investiga suspeita de violência sexual contra mulheres por ex-líder espírita em Goiânia
27 outubro 2026 às 09h24

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O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou nesta terça-feira, 27, a Operação Luz e Sombra para investigar suspeitas de crimes sexuais atribuídos ao ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, no Jardim Guanabara II, em Goiânia.
A força-tarefa cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, incluindo a sede da instituição. A Justiça também autorizou o acesso a dados telemáticos e determinou medidas cautelares, como comparecimento mensal em juízo e proibição de frequentar a comunidade e participar de atividades promovidas pela entidade em outros locais.
A operação reúne a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal (CAO Criminal), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).
Suspeita de abuso da autoridade religiosa
A investigação começou após uma denúncia apresentada por uma integrante da comunidade e tramita sob sigilo. Segundo o MPGO, há suspeitas de que o investigado tenha usado sua posição de autoridade espiritual e a influência sobre a fé das frequentadoras para submetê-las a condutas que podem configurar crimes contra a dignidade sexual, incluindo violação sexual mediante fraude.
O Ministério Público também apura indícios de divulgação, sem consentimento, de fotografias e vídeos íntimos de uma das vítimas. A conduta pode configurar crime previsto no artigo 218-C do Código Penal.
Diligências do Navita apontam que outras mulheres podem ter sido vítimas no mesmo contexto. Há ainda suspeitas de que o investigado tenha explorado a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da instituição, oferecendo cestas básicas em troca de material de conteúdo sexual.

Investigação aponta possível atuação em outra cidade
Em julho deste ano, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência da comunidade. A sede está temporariamente fechada e sob nova administração.
De acordo com o MPGO, a investigação também recebeu informações de que o ex-dirigente estaria desenvolvendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita. A informação reforçou a preocupação dos investigadores com a possibilidade de novas abordagens a mulheres em situação de vulnerabilidade.
O caso segue sob investigação. As suspeitas ainda precisam ser apuradas, e a responsabilidade criminal do investigado dependerá da conclusão das investigações e da análise da Justiça.


