TJ mantém veto ao rodeio e expõe possível uso de verba de saneamento e obras para bancar shows em Firminópolis
21 julho 2026 às 09h14

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O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) decidiu manter suspensa a realização do 4º Rodeio Show 2026 em Firminópolis. A Justiça atendeu aos argumentos de que a prefeitura não pode gastar milhões de reais em shows enquanto áreas essenciais da cidade, como saneamento básico e saúde, acumulam carências graves.
A decisão foi tomada pelo desembargador Murilo Vieira de Faria, relator do caso na 3ª Câmara Cível do TJGO. Ele negou um recurso apresentado pela Prefeitura de Firminópolis, que tentava derrubar a liminar concedida anteriormente pela Justiça local.
Programada para acontecer entre os dias 29 de julho e 1º de agosto de 2026, a festa virou alvo de uma Ação Civil Pública do Ministério Público de Goiás (MPGO) por causa dos altos valores envolvidos. O Jornal Opção tentou contato com o prefeito de Firminópolis, José Airton De Oliveira, para manifestar seu posicionamento sobre a decisão, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve respostas. O espaço segue aberto para futuras explicações.
Somente com os cachês dos artistas contratados, a prefeitura previa gastar R$ 1.940.000,00, distribuídos da seguinte forma:
- Matogrosso & Mathias (29 de julho): R$ 485.000,00;
- Zé Neto & Cristiano (30 de julho): R$ 805.000,00;
- Mariana Fagundes (31 de julho): R$ 200.000,00;
- Israel & Rodolffo (1º de agosto): R$ 450.000,00.
Se a esses valores forem somados, a prefeitura gastaria cerca de R$ 500.000,00 para a montagem de toda a estrutura (como palcos, som, iluminação e banheiros químicos), o custo total do evento saltaria para R$ 2.440.000,00 em apenas quatro dias.
Na avaliação do Ministério Público e da Justiça, o problema principal não é apenas o valor alto, mas o que deixou de ser feito. Firminópolis é um município de pequeno porte que enfrenta problemas urgentes não atendidos, como a falta de rede de esgoto, a necessidade de recuperar um antigo lixão, a criação de abrigos para idosos e crianças, além de pendências ambientais.
O tribunal apontou que a prefeitura manobrou o orçamento por meio de um decreto que retirou verbas de pastas importantes, como saneamento básico, iluminação pública, obras em ruas, agricultura e abastecimento, para reforçar o caixa do Gabinete do Prefeito e bancar a festa. Para o relator, isso demonstra um claro desvio de finalidade das verbas públicas e fere a Constituição.
Dados do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) citados no processo também indicam que a prefeitura acumula um déficit orçamentário previsto para 2026 de cerca de R$ 6,17 milhões, o que desmente a tese de que haveria sobra de dinheiro para grandes eventos.
Riscos e multas
A prefeitura tentou convencer o tribunal de que o evento ajuda a movimentar a economia e o turismo local, e alertou que o cancelamento traria prejuízos com multas de contratos e frustração da população.
Porém, o desembargador destacou que o maior risco era permitir que quase R$ 2 milhões fossem pagos às produtoras de forma irreversível antes de qualquer julgamento definitivo, prejudicando ainda mais os cofres públicos. O magistrado também ressaltou que a prefeitura falhou em prestar informações transparentes e detalhadas sobre os gastos com a estrutura.
Com a decisão mantida, seguem proibidos os repasses de verbas públicas e a execução dos contratos da festa, sob pena de multa diária de R$50 mil aos responsáveis em caso de descumprimento.
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