Nesta sexta-feira, 2, um caminhão caiu no Rio Cana Brava, no município de Porangatu, região norte de Goiás, após a ponte de madeira que atravessava, em uma estrada de terra, ter cedido. Pelo menos duas pessoas, um casal, ficaram feridas. O homem, que dirigia o veículo, quebrou a perna e a mulher teve ferimentos na testa, segundo testemunhas.

A ponte dá acesso ao Assentamento Salvador Allende, na Fazenda Santa Mônica, em que vivem dezenas de famílias de agricultores. Ela foi construída pelos próprios moradores da região, em 2015, sem qualquer ajuda do poder público – na época, o prefeito de Porangatu era Eronildo Valadares, marido da atual prefeita, Vanuza Valadares (UB), que está sendo bastante cobrada sobre a situação.

Segundo moradores, problemas com a ponte já vêm de mais tempo – outros acidentes já aconteceram e em um deles morreu uma pessoa, que seria do próprio assentamento. As famílias cobram uma nova estrutura – uma ponte de concreto, que já teria até verba autorizada.

Conforme apurou o Jornal Opção, burocracias envolvendo a construção de uma estrutura definitiva no local sobre o Rio Cana Brava se desenrolam nos gabinetes do Legislativo e do Executivo – inclusive com verbas federais – há pelo menos nove anos. De concreto, literalmente, nada.

À reportagem, a prefeita Vanuza Valadares, disse que, no ano passado, o então deputado Major Vitor Hugo (PL) teria conseguido uma sinalização de que a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) faria a obra, mas só havia possibilidade de realização de projetos para pontes de até 20 metros “E essa, no Rio Cana Brava, é de 30 metros”, disse a prefeita. Acabou não ocorrendo a liberação da obra no ano passado e, no momento, não há nenhum recurso.

“É um trabalho com investimento alto, para mais de R$ 1 milhão”, diz Vanuza. Ela conta que já havia sido detectado que a ponte não suportava mais o tráfego de veículos pesados e uma placa de alerta tinha sido colocada no local, mas acabou sendo retirada por transeuntes.

A prefeita diz que o acesso ao assentamento não fica inviabilizado, mas apenas mais longo, já que há outra rota para a comunidade. Em relação à obra definitiva, ela espera obter êxito com um novo projeto para o governo federal, no Ministério do Desenvolvimento Regional. Se o Estado – cuja prioridade são rodovias pavimentadas e estradas de maior escoamento de safra – puder ajudar, ela também aceita. “Quem conseguir resolver mais rápido, melhor”, resume.