Caiado diz que governo perdeu confiança do mercado e promete resgatar autoridade da Presidência
28 julho 2026 às 17h17

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O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, aproveitou uma sabatina promovida pelo Correio Braziliense, nesta terça-feira, 28, para apresentar críticas à condução econômica e institucional do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante o evento, o ex-governador de Goiás afirmou que a atual gestão perdeu a confiança do mercado financeiro, criticou a política externa brasileira, defendeu mudanças na relação entre os Poderes e voltou a defender maior protagonismo da Presidência da República.
Ao abordar a economia, Caiado afirmou que o governo federal não reúne condições para adotar medidas capazes de reduzir a taxa básica de juros. Segundo ele, a elevada percepção de risco fiscal e a ausência de um plano consistente para controlar os gastos públicos impedem uma melhora no ambiente econômico.
“O mercado não acredita mais no governo”, afirmou. Para o pré-candidato, falta credibilidade ao Executivo para aprovar medidas de contenção de despesas ou uma reforma administrativa que sinalize responsabilidade fiscal aos agentes econômicos.
Caiado atribuiu o patamar elevado dos juros ao crescimento do endividamento público e comparou o atual cenário ao período do governo Michel Temer. Segundo ele, naquele momento houve queda da inflação e dos juros porque o mercado enxergava maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
Críticas ao Desenrola
O ex-governador também questionou os programas de renegociação de dívidas lançados pelo governo federal. Na avaliação dele, iniciativas como o Desenrola oferecem um alívio momentâneo para consumidores inadimplentes, mas não resolvem os problemas estruturais responsáveis pelo aumento do endividamento das famílias.
Segundo Caiado, o incentivo ao crédito para pequenos empreendedores, sem políticas que garantam a sustentabilidade dos negócios, acabou agravando a situação financeira de muitos brasileiros, especialmente após a elevação das taxas de juros.
Política externa
Outro tema abordado durante a sabatina foi a política internacional do governo Lula. Ao comentar as recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante visita ao Brasil, Caiado afirmou que pretende restabelecer uma atuação mais institucional da diplomacia brasileira caso seja eleito.
Na avaliação do pré-candidato, o Itamaraty perdeu parte do protagonismo internacional ao adotar, segundo ele, uma postura ideológica. Caiado defendeu que a política externa volte a ser conduzida prioritariamente por diplomatas de carreira e afirmou que disputas políticas entre governos acabam gerando prejuízos para setores da economia brasileira, como indústria, comércio e agronegócio.
Ele também sustentou que o Brasil deve utilizar seus ativos estratégicos — como recursos minerais, matriz energética e potencial ambiental — como instrumentos para ampliar acordos comerciais e fortalecer a presença do país no cenário internacional.
Emendas e relação entre os Poderes
Durante a entrevista, Caiado voltou a defender mudanças no modelo de distribuição de emendas parlamentares. Para ele, os recursos destinados pelo Congresso deveriam estar vinculados às prioridades estabelecidas no programa de governo escolhido pela população nas eleições.
O pré-candidato afirmou que áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e programas sociais deveriam concentrar esses investimentos, criticando o direcionamento de verbas para projetos que, segundo ele, não guardam relação com as políticas públicas do Executivo.
Caiado também avaliou que há um desequilíbrio na relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo ele, o atual cenário é marcado por uma sobreposição de competências entre os Poderes, o que, em sua visão, enfraquece a capacidade de governar.
Ao defender um eventual governo sob sua liderança, afirmou que pretende recuperar a autoridade institucional da Presidência da República e conduzir o diálogo com Congresso e Supremo Tribunal Federal preservando as prerrogativas do Poder Executivo. Como exemplo, citou a experiência à frente do Governo de Goiás, onde disse ter mantido relação de respeito entre as instituições sem abrir mão da autonomia administrativa.
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