Aline Bouhid e Eduardo Marques

A aliança com 12 partidos incluindo a maior sigla do estado em número de filiados, o MDB, mais o PP, PSD, PDT, PSC/Podemos, Progressistas, Avante e Solidariedade ainda está no escuro e sem saber se haverá mais mudanças. Partidos defendem maior participação para descentralizar a gestão promovendo maior dinamismo.

A conversa de que fica para fevereiro e depois da eleição da mesa diretora parece não agradar os que criticam a ausência de “sangue novo”. Titulares estratégicos – Educação, Saúde e Infraestrutura estão mantidos de acordo com o governo. Conversando com a coligação, a expectativa ainda que em tom diplomático é da continuidade do “toma lá dá cá”.

Avante – Apesar de Levy Rafael presidir o Procon-GO, o presidente estadual da sigla, vereador Thialu Guioti, destacou que não hipotecou apoio ao governador Caiado nas eleições 2022 em troca de cargo na segunda gestão. Entretanto, frisou que a legenda está à disposição para contribuir para o Estado em qualquer área.

“Não fizemos nada pedindo algo em troca, nunca pedi cargo em troca de apoio ao governador Caiado. Não farei agora também. Óbvio que se ele quiser abrir espaço dentro do Governo teremos nomes qualificados para participar e trabalhar por nosso estado”, disse.

MDB – Ocupando a vice-governadoria, o presidente estadual do partido, Daniel Vilela, disse durante a posse que a legenda “está à disposição para colaborar com o governo. Mas toda e qualquer definição passa pelo governador”. Ele pode ocupar a secretaria de Planejamento ou da Fazenda. Vale lembrar que o MDB elegeu seis deputados estaduais e dois federais.

O Planejamento talvez seja a secretaria ideal para o emedebista, porque será aquela que vai projetar o que o governo fará nos próximos quatro anos. Daniel Vilela pode contribuir, nesta secretaria, a ser recriada com uma pegada mais política, e não apenas técnica. Como fator positivo, se Daniel Vilela for escolhido para o secretariado seria a ponte com o presidente Lula da Silva, de quem o pai do vice-governador, Maguito Vilela, era amigo.

A deputada federal eleita Adriana Accorsi, do PT, também pode ser essa ponte. Mas para isso a legenda precisa liberar sua participação ou a de qualquer outro membro do partido no secretariado. Ronaldo Caiado não deve dar passos largos para a esquerda, mas certamente caminhará, um pouco mais para o centro. Daniel Vilela apareceria como essa figura mais ao centro.

PDT – A deputada federal Flávia Morais e o deputado estadual eleito George Morais, ambos do PDT, querem conquistar a Secretaria de Desenvolvimento Social para seu grupo político. Porém, tudo indica que a secretaria ficará na cota pessoal do governador Ronaldo Caiado, do União Brasil. A tendência é que o secretário — ou secretária — seja indicado pela primeira-dama Gracinha Caiado, a responsável, em larga medida, pelo sucesso e seriedade dos programas sociais da gestão estadual. De acordo com um experimentado político, que conhece Ronaldo Caiado como poucos, o mais provável é que Flávia e George Morais indiquem apenas o presidente do Ipasgo.

Progressistas – Alexandre Baldy é presidente estadual do Progressistas. Mas não é meramente político. É empresário, foi secretário da Indústria e Comércio, deputado federal, ministro das Cidades e secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo. Portanto, é um político que não deixa de ser técnico e experimentado. Na cota dos progressistas aparece a Secretaria de Indústria e Comércio (SIC) e a Codego (que é a galinha dos ovos de ouro) e pode ficar sob o controle de um executivo de Anápolis, possivelmente indicado pelo prefeito Roberto Naves (Progressistas).

PSD – Vilmar Rocha é cotado para a Casa Civil. Claramente é político, mas não só. É advogado, professor de Direito, foi deputado federal por vários anos e secretário do Meio Ambiente do governo do Estado. Portanto, tem uma formação técnica das mais requintadas

Há indícios de que Vilmar Rocha, se não assumir uma secretaria, poderá indicar o deputado federal Francisco Júnior e/ou o ex-deputado estadual Simeyzon Silveira, Max Menezes, todos do PSD. O nome de Francisco Júnior chegou a ser mencionado para a Casa Civil ou para Planejamento. Há também possibilidade de o deputado estadual reeleito Wilde Cambão assumir a Secretaria do Entorno.

Solidariedade – Lucas Vergílio (Solidariedade) não foi reeleito para deputado federal, mas trabalhou com firmeza pela reeleição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil. De acordo com um deputado, Lucas Vergílio disse que recebeu convite formal de Ronaldo Caiado para assumir a Secretaria de Esporte.

PSC/Podemos – Com a fusão entre o Podemos e o PSC, o grupo político de Felipe Cortês e Eduardo Machado voltou a ficar forte. O PSC tem um deputado federal, Glaustin da Fokus, e um deputado estadual, Henrique César, ambos ligados à Igreja Assembleia de Deus.

Com a fusão, Eurípedes José do Carmo, que dirige a Agência de Fomento do governo de Ronaldo Caiado, deve assumir a presidência do Podemos em Goiás. E o grupo de Eduardo Machado e Felipe Cortês ficam com a chefia do Detran. Esse é o acordo entre os dois grupos políticos.

PTB/Patriota – Em outubro, após o primeiro turno, o PTB e Patriota anunciaram fusão. Em Goiás, o PTB compôs a base de Ronaldo Caiado nas eleições 2022. Já o Patriota lançou o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, ao governo. O PTB não elegeu nenhum deputado estadual e federal em Goiás. Já o Patriota fez apenas um estadual: Veter Martins. Eduardo Macêdo, presidente estadual do PTB, adiantou que está à disposição do gestor.