Vinte e uma famílias indígenas venezuelanas precisaram deixar, nesta sexta-feira, 28, o imóvel onde viviam há cerca de oito anos, em Goiânia. O grupo, formado por indígenas da etnia Warao, reúne 56 pessoas, entre elas 17 crianças, sete adolescentes e cinco idosos. Sem uma nova moradia definida, famílias e equipes da Prefeitura passaram o dia em busca de um espaço que pudesse receber toda a comunidade.

Ao todo, são 56 pessoas, entre 17 crianças, sete adolescentes, 24 adultos e cinco idosos. Todos pertencem à etnia Warao, povo indígena originário da Venezuela que vive em Goiânia há alguns anos.

Depois de deixar o imóvel, as famílias foram para a Praça do Trabalhador. Foi ali que equipes da Prefeitura passaram a acompanhar a situação e oferecer alimentação, água, acesso a banheiro e atendimento social enquanto buscavam uma alternativa de moradia.

O problema, porém, não é apenas encontrar um teto para passar a noite. As famílias querem continuar juntas. “É uma comunidade indígena, precisa estar todo mundo junto”, explicou Eduardo Oliveira, superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos.

Segundo ele, a Prefeitura foi avisada sobre a saída das famílias por volta das 10h. A partir daí, equipes de assistência social, direitos humanos e outras áreas começaram a procurar um espaço que pudesse receber o grupo inteiro.

A estrutura convencional de acolhimento do município não atende facilmente a uma situação como essa. Existem unidades destinadas a mulheres, crianças e homens, por exemplo, mas encaminhar cada parte da comunidade para um lugar diferente significaria separar famílias que vivem e se organizam juntas. “Não estamos falando de um núcleo familiar de três ou quatro pessoas. Estamos falando de uma comunidade”, afirmou Eduardo.

Durante o dia, a Prefeitura avaliou diferentes possibilidades de acolhimento. Entre elas estavam um espaço ligado ao CRAS Novo Mundo e o antigo local onde funcionava o Crenas Oeste.

As opções ainda precisavam ser apresentadas às famílias antes de qualquer decisão. A preocupação era encontrar um espaço que, mesmo provisoriamente, oferecesse condições mínimas para acomodar todos. Uma das alternativas chegou a ser considerada precária, mas poderia servir como solução emergencial até que fosse encontrada uma moradia mais adequada.

Enquanto isso, outras instituições também foram acionadas para ajudar. Representantes da Funai, entidades religiosas, sindicatos e organizações do terceiro setor passaram a participar das conversas. A mobilização também envolveu a Defensoria Pública.

A prioridade, segundo Eduardo, era evitar que as famílias terminassem o dia sem um lugar seguro para dormir. “Estamos trabalhando em rede de proteção social para garantir que essas pessoas tenham um lugar para ficar e não fiquem no relento nessa noite”, afirmou.

Famílias vivem em Goiânia desde 2019

A comunidade Warao chegou ao Brasil a partir de 2019, segundo a Prefeitura. Em Goiânia, o grupo é acompanhado pelo poder público desde 2022, com atendimento em áreas como assistência social, saúde, educação e direitos humanos. As famílias também estão inseridas em programas sociais e utilizam serviços públicos da cidade. O despejo desta sexta-feira, portanto, colocou em situação de emergência um grupo que já tinha uma vida estabelecida em Goiânia.

De acordo com informações repassadas à reportagem, o proprietário decidiu retomar o imóvel porque pretende demolir a casa e construir uma nova residência para familiares. As famílias, então, tiveram que deixar o local. Entre as pessoas que agora precisam de uma nova moradia estão 24 crianças e adolescentes. São 17 crianças de até 11 anos e sete adolescentes entre 12 e 17 anos. Cinco idosos, com 60 anos ou mais, também fazem parte do grupo.

A preocupação da Prefeitura não termina com a definição de um local para esta noite. A intenção é encontrar uma alternativa que dê mais estabilidade às famílias. Segundo Eduardo, o município também tenta viabilizar a inclusão do grupo no Programa Aluguel Social do Estado. A articulação começou há algumas semanas e conta com apoio da Defensoria Pública. O pedido, porém, ainda depende de decisões judiciais.

Enquanto a questão não é resolvida, a comunidade segue à espera de um lugar onde possa permanecer junta. Para as famílias, não se trata apenas de encontrar diferentes vagas em abrigos. A questão envolve manter reunida uma comunidade que chegou de outro país, preserva seus costumes e construiu sua vida em Goiânia. “Hoje é uma questão emergencial”, resumiu Eduardo.

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