Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle sobre 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela
28 agosto 2026 às 20h51

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Os Estados Unidos passarão a ter controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela, segundo anúncio feito pelo presidente Donald Trump nesta sexta-feira, 28. A quantidade corresponde a aproximadamente 21% dos 303 bilhões de barris que compõem as reservas venezuelanas, consideradas as maiores conhecidas do planeta.
Trump atribuiu a negociação aos secretários Marco Rubio e Pete Hegseth, que teriam conduzido as tratativas junto ao governo interino de Delcy Rodríguez e representantes da iniciativa privada. Segundo o presidente americano, a operação não exigirá recursos dos contribuintes dos Estados Unidos.
O tamanho do acordo pode alterar significativamente a disponibilidade de petróleo sob influência de Washington. De acordo com Trump, apenas o volume envolvido na negociação seria suficiente para mais que dobrar as reservas petrolíferas americanas.
A Venezuela, apesar de concentrar uma parcela expressiva do petróleo mundial, produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris de óleo bruto por dia. O setor passou a ocupar posição ainda mais estratégica para Washington desde a retirada de Nicolás Maduro do poder, no início deste ano.
Petróleo ganha peso na política americana
A ampliação do acesso às reservas venezuelanas ocorre enquanto o governo americano tenta conter os efeitos da alta dos combustíveis. O preço da gasolina tornou-se um dos pontos de pressão sobre Trump a poucos meses das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Além de buscar uma oferta maior de petróleo para as refinarias do país, Washington procura alternativas para reforçar sua Reserva Estratégica de Petróleo. Nesse cenário, a produção venezuelana passou a ser tratada como uma das principais possibilidades para aumentar a disponibilidade da commodity no mercado americano.
A disputa energética também ganhou relevância diante do cenário internacional. As tensões envolvendo o Irã aumentaram a preocupação com a oferta global e exerceram pressão sobre as cotações do petróleo.
Mudança no comando venezuelano
A aproximação entre Caracas e Washington avançou depois da operação militar realizada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro. O ex-presidente venezuelano foi levado para Nova York e permanece detido enquanto aguarda julgamento.
Com a saída de Maduro, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o governo. Desde então, Caracas adotou medidas de aproximação com os Estados Unidos, incluindo a liberação de opositores e o fornecimento de petróleo ao mercado americano.
O secretário de Estado, Marco Rubio, tornou-se uma das principais figuras da política dos Estados Unidos para a Venezuela. Além das negociações econômicas, ele defende que o país atravesse um processo dividido entre estabilização da economia, reorganização institucional e posterior realização de eleições.
A condução dessa transição, porém, continua sob pressão. Setores da oposição venezuelana, organizações ligadas aos direitos humanos e integrantes do Congresso americano cobram maior velocidade na definição de uma saída política e eleitoral para o país.
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