Após anunciar que a partir de 2023 a energia de Goiás seria distribuída pela Equatorial, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), contou ao Jornal Opção que a Enel está levando os funcionários da companhia para outras localidades e desmobilizando as equipes de manutenção. O receio é de que haja um esvaziamento da empresa justamento no período chuvoso, quando há mais ocorrências de queda de energia.

“Tenho a informação de que a Enel está retirando de Goiás toda estrutura de suporte para manutenção das linhas de distribuição em Goiás. Eles estão esvaziando a empresa”, disse o governador ao Jornal Opção.

O processo de transferência da Enel para a Equatorial deve ser concluída até o fim deste ano, e entre os passos a serem cumpridos está a aprovação da venda pela a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O temor pelo esvaziamento da empresa durante esse período de transição é de que a situação em Goiás se torne alarmante, em decorrência do período chuvoso, quando há maior incidência de raios e quedas de árvores, por exemplo. “Eu pedi uma audiência na Aneel e vou pedir uma audiência com o ministro de Minas e Energia”, afirmou Ronaldo Caiado, que garante estar em busca de uma solução para o problema. 

A venda da distribuição para Equatorial esteve ligada ao fato da Enel ser alvo de críticas pela qualidade do serviço prestado, que vinha descumprindo o contrato. Mesmo que a empresa não fosse vendida neste ano, a Enel iria perder a concessão por descumprimento de normas regulatórias, a partir de fevereiro de 2023. Segundo a Aneel, a Enel é a terceira pior empresa de distribuição de energia elétrica do país. Já a Equatorial é responsável pela distribuição de energia nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul e Amapá. Segundo o ranking da Aneel, a Equatorial no Pará ocupa a sétima posição entre as melhores distribuidoras do país. Porém, as unidades do Maranhão e Rio Grande de Sul ocupam as duas últimas posições.

Aumento da tarifa

Em meio ao processo de venda e de esvaziamento das equipes de manutenção, a Enel vai aplicar o aumento tarifário autorizado pela Aneel. O novo reajuste das tarifas de energia da foi aprovado, na terça-feira, 18. As contas de luz dos consumidores residenciais, que representam 86% de todos os clientes da companhia de energia, terão aumento de R$ 0,637/kWh para R$ 0,671/kWh. Os valores passarão a valer a partir de 22 de outubro.

Todos os anos, a Aneel calcula as tarifas de todas as distribuidoras de energia do país. Este ano, o reajuste da Enel foi de 4,82%, abaixo dos índices de inflação, que apresentam IPCA de 7,17% e IGP-M de 8,25%. Para os clientes de média e alta tensão, geralmente comércios de grande porte e indústrias, o reajuste será de 10,84%.

Na análise de reajuste de tarifas são analisados os aumentos de encargos setoriais, alta da inflação, aumento dos custos de aquisição da energia e custos de transporte da energia até a distribuidora. A Aneel se embasa nas leis e regulamentos federais, e após medidas implementadas pela Enel, foi possível reduzir o percentual de reajuste inicial de 20,07%, para o estabelecido agora.

Posicionamento

Em nota, a Enel nega que tenha promovido alterações nas equipes de manutenção. 
“A Enel Distribuição Goiás reforça que as operações da empresa seguem normalmente. Com o início do período das chuvas, nessa época do ano, a empresa prioriza as atividades de emergência em campo. As atividades de manutenção preventiva programadas são ajustadas para priorizar o restabelecimento rápido da energia em caso de interrupções no fornecimento em decorrência das chuvas. A distribuidora acrescenta que o plano de manutenção preventiva desse ano foi concluído até setembro, antes do período chuvoso, com a execução de mais de 110% das ações planejadas”, informou a empresa em nota.