“Não houve omissão”, diz Federação Goiana de Tênis ao recorrer de condenação por caso envolvendo atleta adolescente
16 junho 2026 às 16h09

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A Federação Goiana de Tênis (FGT) contestou, em nota enviada ao Jornal Opção nesta terça-feira, 16, a decisão da Justiça de Goiás que a condenou ao pagamento de R$ 8 mil por danos morais a uma atleta adolescente de beach tennis. A entidade informou que já recorreu da sentença e afirmou confiar na reversão do julgamento nas instâncias superiores.
A condenação foi proferida pela 26ª Vara Cível de Goiânia após a magistrada entender que a federação falhou ao não esclarecer uma controvérsia envolvendo a convocação da atleta para a Copa das Federações de Beach Tennis, situação que teria contribuído para sua exposição pública.
Na manifestação encaminhada ao Jornal Opção, a FGT negou qualquer omissão e afirmou que o caso sempre foi tratado de forma reservada.
“A Federação nega categoricamente qualquer falha na proteção da imagem da atleta. Nenhum dirigente, funcionário ou membro desta Federação se manifestou publicamente sobre o episódio à época dos fatos, nem em momento posterior”, informou a entidade.
Federação cita decisões favoráveis sobre convocação
A nota também destaca que o principal pedido da atleta, que buscava integrar a delegação goiana em categoria diferente daquela para a qual foi convocada, não foi acolhido pelo Poder Judiciário.
Segundo a federação, a solicitação foi rejeitada em pedido de tutela de urgência pelo Tribunal de Justiça de Goiás e posteriormente perdeu o objeto em primeira instância porque a competição já havia sido realizada.
Para a entidade, as decisões reforçam que a convocação ocorreu dentro das prerrogativas técnicas e regulamentares da organização.
“Não existe uma única prova”, diz entidade
Outro ponto levantado pela FGT é a suposta ausência de provas de conduta ilícita praticada por representantes da federação.
De acordo com a nota, não há nos autos documentos, mensagens, gravações ou qualquer outro elemento que demonstre que a entidade tenha promovido ou incentivado ataques contra a atleta.
A federação sustenta que os danos relatados decorreram de manifestações de terceiros sem qualquer vínculo institucional.
“A FGT não tem controle sobre manifestações de terceiros nas redes sociais e não pode ser responsabilizada por atos que lhe são completamente alheios”, afirma o texto.
Federação atribui repercussão à divulgação feita pela família
A entidade também argumenta que a repercussão pública do episódio não partiu da federação.
Segundo a nota, a própria família da atleta e seus advogados teriam divulgado informações sobre o caso nas redes sociais durante a disputa e voltado a comentar o assunto após a publicação da sentença.
A FGT afirma que essa exposição contribuiu para ampliar a repercussão do episódio, tese que será utilizada no recurso apresentado contra a decisão.
Decisão ainda não é definitiva
A federação ressaltou ao Jornal Opção que a sentença é de primeira instância e ainda não transitou em julgado. Por isso, o caso seguirá sendo analisado pelo Tribunal de Justiça de Goiás.
Ao final da nota, a entidade reafirmou o compromisso com os atletas e com o desenvolvimento do tênis e do beach tennis no estado.
“A Federação Goiana de Tênis reafirma seu compromisso com o desenvolvimento do Tênis e do Beach Tennis no Estado de Goiás, com respeito aos atletas, às normas regulamentares e à verdade dos fatos”, concluiu o presidente da entidade, Alexandre Rodrigues da Cunha.
Relembre o caso
A condenação tem origem em uma controvérsia envolvendo a convocação da equipe goiana para a Copa das Federações de Beach Tennis, em 2025. A atleta, que tinha 16 anos à época, liderava o ranking estadual nas categorias B e Sub-18 e defendia sua convocação para disputar a categoria B, considerada sua prioridade esportiva.
Quando a lista oficial foi divulgada pela Federação Goiana de Tênis (FGT), a jovem foi incluída apenas na categoria Sub-18. Inconformada, ela enviou uma notificação extrajudicial solicitando esclarecimentos e pedindo a revisão da convocação, mas a decisão foi mantida pela entidade.
Segundo o processo, após o questionamento começaram a circular mensagens em grupos de WhatsApp e comentários em redes sociais associando a atleta a mudanças na composição da delegação goiana. A adolescente e familiares relataram ter recebido mensagens e ligações atribuindo a ela a responsabilidade por supostas desconvocações de outros competidores.
A defesa da atleta alegou que a federação não adotou medidas para esclarecer a situação e impedir que seu nome fosse exposto. Já a FGT sustentou que a convocação ocorreu dentro dos critérios esportivos da entidade e que os comentários partiram de terceiros sem qualquer vínculo com a instituição.
Ao analisar o caso, a juíza Lívia Vaz da Silva entendeu que a ausência de esclarecimentos contribuiu para a disseminação de versões equivocadas sobre o episódio. Na decisão, a magistrada destacou que, por se tratar de uma adolescente, a proteção à honra e à imagem deveria ter recebido atenção especial. Por esse motivo, a Federação Goiana de Tênis foi condenada ao pagamento de R$ 8 mil por danos morais.



