Aos 7 anos, Clara Sophia Souza Mendonça não era exatamente a maior fã de karatê. Mas quatro anos depois, a realidade já era bem diferente. Aos 11, a goiana já coleciona inúmero títulos, e se prepara para um dos maiores desafios de sua trajetória: disputar o Pan-Americano de Karatê, entre os dias 24 e 30 de agosto, na Costa Rica.

A história da atleta começou na Academia Arte Máxima, onde treinava com o sensei de Wesley de Carlos Reis. O interesse pelo esporte cresceu quando o pai, Washington Mendonça, também passou a dar aulas de karatê. Foi a partir daí que Clara Sophia começou a se envolver mais com os treinos e, principalmente, com as competições.

Questionada sobre o que mais despertou seu interesse pelo karatê, Clara Sophia aponta justamente o ambiente competitivo como um dos fatores que a fizeram mudar de ideia sobre o esporte. “As competições, a trajetória de formar um atleta, as amizades”, conta.

A primeira experiência em um campeonato veio na Copa LEM, realizada em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. Longe de começar com uma medalha de ouro, Clara Sophia terminou a competição em terceiro lugar. A estreia, segundo ela, veio acompanhada do nervosismo comum de quem pisa pela primeira vez em um campeonato. “Dá um frio na barriga na primeira competição. A gente pensa que não vai perder, a gente acredita, né? Mas aí eu fiquei em terceiro lugar”, relembra ao Jornal Opção.

O resultado não a afastou do esporte. Pelo contrário. A medalha de bronze foi apenas o primeiro capítulo de uma trajetória que ganharia força nos anos seguintes.

Hoje, o currículo da atleta reúne títulos no Campeonato Goiano, Copa LEM, Open Brasília e Open Três Lagoas. Ela também já disputou o Campeonato Brasileiro três vezes e conquistou o título nacional em sua categoria.

Clara Sophia Souza Mendonça, de 11 anos, já acumula títulos no karatê e se prepara para disputar o Pan-Americano na Costa Rica | Foto: Arquivo Pessoal

Entre as competições, uma das mais importantes para Clara Sophia foi justamente a seletiva que dá acesso à disputa nacional e à possibilidade de integrar a Seleção Brasileira. Segundo Washington, a filha conquistou o primeiro lugar na etapa regional e avançou para a fase final, que reúne os melhores atletas da categoria.

“Ela é campeã brasileira da categoria dela, nas regionais. Ela classificou para a final em primeiro lugar. Aí é onde reúne todos os melhores atletas da categoria”, explicou o pai.

Pai, sensei e parceiro de treino

Por trás da evolução de Clara Sophia está também a presença de Washington, que divide com ela os papéis de pai e treinador. A relação, segundo ele, exige cuidado para que a cobrança esportiva não ultrapasse os limites da relação familiar. “É muito mais difícil você treinar um filho do que treinar um atleta comum”, afirma.

Para Washington, a trajetória da filha também está diretamente ligada à equipe Arte Máxima e ao sensei Wesley de Carlos Reis, a quem conhece desde a infância. O pai da atleta conta que acompanha o trabalho do professor desde os 7 anos e destaca a influência dele na formação esportiva e pessoal de Clara Sophia.

“Fazer parte da equipe Arte Máxima é motivo de muito orgulho para mim. Sou aluno do sensei Wesley de Carlos Reis desde a infância e acompanho seu trabalho praticamente desde os meus 7 anos de idade. Ao longo de todos esses anos, pude testemunhar sua dedicação, seu caráter e seu profundo conhecimento do karatê e das artes marciais”, afirma.

Hoje, Washington também se sente realizado ao ver a filha treinando ao lado do professor e dele próprio. “Isso me traz uma enorme satisfação, pois sei que ela está sendo orientada por alguém que não apenas domina a técnica, mas também ensina valores como respeito, disciplina e perseverança”, destaca.

Para ele, Wesley se tornou uma referência na caminhada da família. “O sensei Wesley é uma grande referência na nossa caminhada. Sua paixão pelo karatê inspira gerações de alunos e faz toda a diferença na formação de atletas e de cidadãos”, completa.

Clara Sophia e seu sensei Wesley de Carlos Reis | Foto: Arquivo Pessoal

Para Washington, a responsabilidade aumenta justamente porque, dentro do tatame, ele precisa deixar um pouco de lado o papel de pai para assumir a função de treinador. “Na hora do treino, a gente não pode pedir essa responsabilidade. Então, eu me limito mais, eu cobro demais, mas sempre procurando o melhor resultado”, explica.

A rotina de Clara Sophia também mudou conforme os resultados começaram a aparecer. No início, os treinos aconteciam duas vezes por semana. Com o desenvolvimento da atleta, a carga de preparação aumentou e ela passou a treinar também com outros atletas.

Para Washington, formar um atleta vai muito além de ensinar os movimentos do karatê. É preciso desenvolver disciplina, dedicação e entender quando o praticante realmente deseja seguir pelo caminho competitivo. “Treinar karatê é tranquilo, é fácil. Agora, treinar um atleta de karatê é outra coisa”, resume.

Mesmo com apenas 11 anos, Clara Sophia já precisa dividir a rotina de treinos e competições com a escola. Para o pai, uma coisa não pode ser deixada de lado em nome do esporte. “Tem que estar na escola para poder ser uma boa atleta”, afirma.

Clara Sophia ao lado do pai e sensei, Washington Mendonça, que acompanha de perto a trajetória da atleta goiana | Foto: Arquivo Pessoal

Agora, o desafio é internacional

Depois de construir uma trajetória de conquistas no Brasil, Clara Sophia se prepara para um novo passo. A atleta vai disputar o Pan-Americano de Karatê, que será realizado entre os dias 24 e 30 de agosto, na Costa Rica.

A competição representa a possibilidade de vestir as cores do Brasil em um torneio internacional. Para uma atleta de 11 anos, o momento também marca uma nova etapa na carreira construída desde aquela primeira competição, quando terminou em terceiro lugar. Mas, para chegar ao tatame no exterior, a família ainda enfrenta um adversário que não pode ser vencido com golpes: os custos.

Segundo Washington, a família busca apoio e patrocínio para conseguir viabilizar a participação de Clara Sophia na competição. A preparação para uma competição internacional envolve uma série de despesas, e a família ainda não conseguiu reunir todos os recursos necessários.

A busca por apoio também faz parte de uma rotina que a família já conhece. Em uma das viagens recentes para uma competição em Cuiabá, por exemplo, Clara Sophia e o pai percorreram o trajeto de Aparecida de Goiânia até a capital mato-grossense. Durante o caminho, foram abordados por um policial por causa da documentação do veículo.

Washington contou ao agente sobre o motivo da viagem e sobre o sonho da filha. Segundo ele, o policial acabou sendo compreensivo e ainda deixou uma lembrança para Clara Sophia.

A história é um pequeno retrato do que existe por trás das medalhas. Para cada competição, há uma família que organiza viagens, treinos, escola e despesas para que a menina possa continuar competindo.

Agora, Clara Sophia mira um palco ainda maior. A menina que começou no karatê aos 7 anos e inicialmente não era fã do esporte encontrou nas competições uma paixão.

Com títulos brasileiros no currículo e um novo desafio internacional pela frente, ela segue treinando ao lado do pai e sensei, enquanto a família busca apoio para transformar mais uma oportunidade em realidade.

O sonho, desta vez, é representar o Brasil no Pan-Americano. E Clara Sophia sabe que o caminho até lá começou bem antes da medalha de campeã brasileira.

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