Brasil além do futebol: esportes em que o país segue entre as potências mundiais
27 julho 2026 às 11h57

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O futebol sempre foi o esporte mais conhecido e praticado ao redor do mundo e, de forma especial, no Brasil. A Seleção Brasileira permanece como a única pentacampeã do mundo e manteve-se por muitos anos como grande referência na modalidade. No entanto, após a final da Copa do Mundo de 2026, o protagonismo do futebol nacional perdeu espaço e deu início a um período de hiato de títulos em Copas.
Mesmo que não haja tantos motivos para comemorar no futebol, o Brasil segue sendo destaque em outros esportes, como vôlei, judô e surfe. A derrota da seleção feminina de vôlei para a Turquia na final da Liga das Nações, no último domingo, 26, frustrou o torcedor brasileiro, mas também serviu para lembrar de uma realidade que já não é novidade: o Brasil deixou de ser apenas o país do futebol. Com a medalha de prata conquistada na competição, a seleção feminina alcançou o quinto vice-campeonato de sua história na Liga das Nações.
O resultado não foi o que a equipe esperava, mas mostra que o Brasil continua entre as principais forças do vôlei mundial. Sob o comando de José Roberto Guimarães, a equipe passa por um processo de renovação e segue com nomes capazes de manter a seleção competitiva nos próximos anos.
O otimismo quanto ao futuro esportivo brasileiro não se restringe às quadras. Em várias outras modalidades, atletas do país já demonstram plenas condições de encarar os melhores do planeta de igual para igual, figurando inclusive como fortes candidatos a medalhas nas próximas grandes competições.
Judô, MMA e jiu-jitsu
Quando se fala na força esportiva do Brasil, o judô ocupa um lugar de destaque. Tratando-se da modalidade que mais rendeu pódios olímpicos ao país, somando 28 até os Jogos de Paris 2024, o esporte preserva uma sequência de dez edições de Olimpíadas consecutivas com pelo menos uma medalha brasileira.
E ao longo dessa história, nomes como Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Sarah Menezes e Rafaela Silva se tornaram campeões olímpicos e ajudaram a construir e a levar a tradição brasileira nos tatames. Mayra Aguiar, dona de três medalhas olímpicas, também entrou para a história como uma das maiores judocas do país, enquanto Rafael Silva, a Baby, conquistou três bronzes olímpicos, dois individuais e um por equipes.
A geração mais recente também já mostrou para o que veio e deixou sua marca. Em Paris, Beatriz Souza conquistou o ouro no peso pesado e o bronze por equipes, enquanto Willian Lima levou a prata e Larissa Pimenta, o bronze. A campanha ajudou a manter o Brasil entre as principais potências do judô mundial e mostrou que, mesmo com a renovação natural dos atletas, o país continua produzindo nomes capazes de disputar medalhas nos maiores palcos do esporte.
Se o judô construiu uma das histórias mais vitoriosas do Brasil nos tatames, outras modalidades de luta também ajudaram o país a conquistar reconhecimento internacional. É o caso do jiu-jitsu e do MMA, dois esportes que têm uma relação profunda com a história esportiva brasileira.
Poucos esportes carregam uma relação tão forte com o Brasil quanto o jiu-jitsu. Desenvolvido e popularizado no país a partir da adaptação do judô japonês pela família Gracie e por outros praticantes, o Brazilian Jiu-Jitsu ganhou o mundo e se tornou uma das principais bases das artes marciais mistas. A influência brasileira ficou ainda mais evidente com a ascensão do MMA. O país revelou alguns dos maiores nomes da história do esporte, como Anderson Silva, José Aldo, Amanda Nunes e Charles Oliveira, além de outros campeões que ajudaram a construir a reputação do Brasil dentro do UFC.
Mais do que conquistar cinturões, os brasileiros ajudaram a transformar o MMA em um fenômeno global. A tradição do jiu-jitsu, somada à força de modalidades como muay thai, boxe e wrestling, fez do país uma das principais escolas de formação de lutadores do mundo. Hoje, mesmo com o crescimento de atletas de diferentes nacionalidades, o Brasil continua sendo um dos países mais respeitados no cenário das artes marciais. É mais um exemplo de que o protagonismo esportivo brasileiro vai muito além dos gramados.
Surfe e skate
O encontro de novos caminhos para o destaque esportivo nas ondas e nas pistas passa diretamente por uma geração colecionadora de títulos e pódios. No surfe, nomes do calibre de Gabriel Medina (tricampeão mundial), Filipe Toledo (bicampeão mundial) e Italo Ferreira (campeão mundial e primeiro ouro olímpico da modalidade) elevaram o país ao patamar de potência global. Yago Dora, atual campeão mundial, integrou a galeria de brasileiros vencedores do troféu da WSL, ao passo que Luana Silva desponta como grande promessa da nova geração feminina.
A supremacia brasileira permanece evidente: em 2026, o país chegou a dominar as quatro primeiras posições do ranking masculino da elite mundial, com Italo Ferreira na ponta, além de Luana figurando entre as líderes do feminino. No skate, embora a trajetória seja mais recente, os frutos já são de grande expressão.
Na estreia olímpica do esporte, em Tóquio 2020, o Brasil faturou três medalhas de prata por meio de Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros. Já em Paris 2024, Rayssa retornou ao pódio com o bronze no street feminino, enquanto Augusto Akio também obteve o bronze no park masculino. Impulsionado por competidores como Giovanni Vianna, Pâmela Rosa e a própria Rayssa, o país firmou-se entre as forças principais do skate internacional, mantendo uma base sólida para disputar novas medalhas nos próximos eventos.
Ginástica artística
A ginástica artística do Brasil alcançou um patamar inédito impulsionada por Rebeca Andrade. A ginasta se consolidou como a maior medalhista olímpica da história do país, elevando a modalidade ao status de uma das mais populares e acompanhadas pelos brasileiros.
O impacto gerado por Rebeca transcende suas conquistas individuais. Ao lado de atletas como Flávia Saraiva e de uma safra promissora de novos talentos, ela contribuiu para consolidar o Brasil como uma equipe competitiva capaz de encarar de igual para igual os grandes potências em torneios internacionais. Mesmo com a natural renovação do grupo, a ginástica nacional ingressa nos próximos ciclos olímpicos respaldada por uma estrutura e uma confiança inéditas em períodos anteriores.
O Brasil tem 10 medalhas olímpicas na ginástica artística até os Jogos de Paris 2024. São três medalhas de ouro, cinco de prata e duas de bronze.
Atletismo
Já no atlestimo, o Brasil também voltou a aparecer com frequência entre os melhores do mundo. Um dos principais responsáveis por esse momento é Alison dos Santos, o Piu, especialista nos 400 metros com barreiras e medalhista olímpico. O atleta se consolidou como referência nacional na modalidade, simbolizando uma geração que recolocou o país no mapa das grandes competições internacionais.
Apesar disso, o atletismo brasileiro não se resume a uma única figura. A modalidade abrange diversas provas e atletas preparados para buscar resultados expressivos, mantendo o país competitivo em um dos esportes mais tradicionais do programa olímpico.
Até os Jogos de Paris 2024, o país soma 19 medalhas no atletismo, sendo 5 de ouro, três de prata e 11 de bronze.
Canoagem velocidade
Isaquias Queiroz já figura entre os maiores expoentes da história olímpica do Brasil. O atleta transformou-se em referência mundial na canoagem velocidade, modalidade que já rendeu ao país cinco medalhas olímpicas, todas conquistadas pelo próprio Isaquias, alçando o esporte ao posto de uma das principais fontes de pódios para o país. A trajetória vitoriosa de Isaquias também impulsionou a visibilidade da canoagem em solo brasileiro.
Sustentada por um processo constante de renovação de atletas, a modalidade segue firme como uma das grandes apostas para os ciclos olímpicos seguintes.
Tênis
O tênis brasileiro atravessa um momento de expectativas renovadas. João Fonseca, apontado como uma das maiores revelações do país em décadas, passou a atrair os olhares do público e do circuito internacional ainda muito jovem.
A ascensão do tenista ocorre em uma conjuntura estratégica para o esporte nacional. Após eras marcadas por ícones como Gustavo Kuerten, o Guga, o Brasil volta a vislumbrar a chance de ter um representante consolidado entre a elite mundial.
No circuito feminino, Bia Haddad Maia também desempenhou papel fundamental ao reposicionar o tênis brasileiro entre as principais forças da modalidade. A conjunção desses dois nomes amplia as perspectivas de resgate do protagonismo internacional do país nas quadras.
Natação
A natação também atravessa uma fase de transição e renovação. Nomes como Guilherme Caribé e Guilherme Costa despontam como pilares de uma geração que busca assegurar a competitividade do Brasil nas piscinas.
O grande desafio reside em converter boas apresentações em conquistas expressivas nos principais torneios internacionais. Com os Jogos de Los Angeles 2028 no horizonte, a natação figura entre as apostas viáveis para surpreender e ampliar a colheita de medalhas brasileiras.
O quadro de medalhas olímpicos brasileira da natação, somam 15 conquistas até Paris 2024. Nomes como César Cielo, Gustavo Borges, Fernando Scherer e Bruno Fratus ajudaram a construir essa trajetória, enquanto a nova geração, liderada por atletas como Guilherme Caribé e Guilherme Costa, tenta manter o Brasil entre os destaques das piscinas.
O Brasil é muito mais do que o futebol
A trajetória do esporte brasileiro não teve início nem se encerra no futebol. A modalidade permanece como indiscutível paixão nacional, ocupando um espaço monumental na identidade do país. Contudo, os resultados construídos nas últimas décadas demonstram que o Brasil fincou raízes sólidas e competitivas em diversas outras áreas.
O judô ostenta forte tradição olímpica. O vôlei consolidou-se entre as potências do planeta. O surfe gerou uma legião de campeões. O skate encontrou em Rayssa Leal um de seus maiores ícones. A ginástica consagrou em Rebeca Andrade uma atleta histórica. A canoagem tem em Isaquias Queiroz um nome de peso mundial. Paralelamente, figuras como Alison dos Santos, João Fonseca, Bia Haddad Maia e as novas promessas da natação mantêm o país em evidência.
Se o futebol brasileiro vive um momento de espera por novas taças mundiais, o torcedor encontra fartos motivos para seguir acreditando no esporte nacional sem precisar olhar muito longe. A camisa verde e amarela continua encontrando espaço nos pódios, agora, em uma variedade de modalidades muito maior do que o Brasil jamais se acostumou a imaginar.
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